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Cinema Nacional – Coragem tímida, e ainda necessária!

O Cinema Nacional precisa – e merece – ser incentivado

Nas origens da sétima arte, esta se espalhou pelo mundo como entretenimento de aura mágica, hipnotizante e, principalmente, acessível. Logo, alguns queriam não apenas assistir filmes, mas também fazê-los. Vieram os aventureiros, e sem as experimentações destes essa arte não teria ficado tão rica. Nessa fase inicial, o Cinema se instaurou em muitos países, absorvendo fortemente alguns traços sociais e culturais da época. Os filmes indianos por exemplo, exaltavam as danças e as divindades; o Cinema japonês estava fortemente estruturado na tradição teatral, e assim por diante. O Cinema Nacional nasceu assim como em muitos países. Primeiro, descobria-se o que era essa nova arte; depois, quem tinha o privilégio de ter uma câmera, começava a exploração.

Se formos bem superficiais e pensarmos em uma prática linha do tempo do nosso Cinema, tivemos essa fase de descobertas, depois passamos para os documentários sobre samba, festivais, partidas de futebol; estes sendo sucedidos por algumas adaptações literárias e filmes de crimes famosos. Presenciamos as pornochanchadas, incontáveis comédias, o Cinema Novo… enfim, não vamos nos ater ao objetivo de contar precisamente como foi nossa história cinematográfica, mas sim pensar que o Brasil cresceu com uma cultura mais de consumidor e menos de realizador. Claro que houveram pessoas, estúdios, filmes que lançaram nosso país no cenário mundial, mas há aqui duas óticas interpretando essa história que talvez estejam em sintonia de opiniões por mais tempo do que possam perceber.

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O Pagador de Promessas foi um dos primeiros grandes clássicos nacionais!

A ótica dos estudiosos e conhecedores da sétima arte sabe do valor dos nossos grandes cineastas e filmes; sabe que, apesar de pequenos frente à outras indústrias, também demos rica contribuição cultural ao mundo cinematográfico. A outra ótica, a do público, vai assistir os filmes, dá risada, vê o ator favorito que aparece na novela, se emociona. Ambos reservam a maior parte de seus apetites por filmes para as produções de fora. Quem pode culpá-los? Possivelmente, em determinado momento, alguma vez ambos se pegaram dizendo a frase “filme brasileiro não presta”. Quem pode culpá-los?

Os bons filmes brasileiros – audaciosos, originais – pagam pela fama daqueles que podem até divertir, mas que são sempre os mesmos. São poucos filmes que se destacam frente à onda de comédias pastelão, comédias românticas, dramas e romances que nos fazem sentir vendo as novelas na tela grande e som surround. Ninguém está dizendo que esses temas não são válidos, mas há uma incontestável saturação desses gêneros, e com uma linguagem muito mais apegada à TV.

Luz no fim da câmera

Há, porém, uma atual percepção que pode nos levar a um alento. A mesma mão que bate é a que acaricia. A produção cinematográfica monopolizada do nosso país tem nos dado alguns alívios e, quando não ela, outros o fazem. Nosso Cinema sabe fazer bons filmes, mas a diversidade também pode ser aprimorada. Alguns gêneros quase esquecidos como o terror e suspense tem ganhado uma chance. Isolados (2014), O Caseiro (2016), O Rastro (2017) são bons exemplos. Reza a Lenda (2016) e Motorrad (2017) trouxeram uma atmosfera pós-apocalíptica ao nosso sertão no gênero da ação. Besouro (2009) trouxe uma outra abordagem aos filmes de luta, colocando a capoeira como a arte marcial tema, assim como abordou a cultura religiosa africana difundida aqui no Brasil. O que dizer então do vindouro O Doutrinador (Setembro 2018), adaptação de uma HQ Nacional que conta a história de uma anti-herói que mata políticos corruptos.

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Besouro explorou territórios desconhecidos pelo cinema brasileiro!

É o nosso dever incentivar esse respiro que o nosso Cinema dá. Ainda que possam cair em muitos clichês das nossas produções, são filmes que carregam uma nova proposta e assumem o risco de envolver o público em uma maior diversidade de escolhas. Imagine como esse cenário seria mais rico se as produções independentes tivessem mais apoio e enfrentassem menos burocracia e obstáculos. Não somos o país do Cinema, mas sendo um país com Cinema, que ele nos traga mais escolhas edificantes.

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