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Cantando na Chuva: Antes e depois da chegada do som!

O eterno clássico Cantando na Chuva e o cinema sonoro

Cantando na Chuva é um daqueles filmes que se entregam de corpo e alma a um gênero. Mais precisamente ao gênero musical, que alcançou seu apogeu logo após o término da Segunda Guerra Mundial e encantou os espectadores com atores e atrizes que dançavam e cantavam melodias que, é provável, se tornaram hits do seu tempo.

Cantando na Chuva

Lançado na década de 1950, quando Hollywood já havia se firmado como a grande exportadora de sonhos, a obra cinematográfica dirigida por Stanley Donen e Gene Kelly, que também encarna o protagonista com pinta de galã, é uma verdadeira ode ao cinema. Mesmo com o uso de clichês E sem se propor a correr quaisquer riscos quanto à inovação da linguagem, Cantando na Chuva se aglutina na memória de qualquer amante da Sétima Arte. Quem consegue esquecer os versos da canção que dá nome ao filme?

O antes e depois da chegada som pode ser destrinchado como um dos temas da produção. Somos apresentados aos desafios impostos aos estúdios quando O Cantor de Jazz (1927), produzido pela Warner Bros., torna-se o primeiro filme sonorizado da história. Abruptamente, os alicerces estético-narrativos e comercias de Hollywood se abalaram: a era muda tinha chegado ao fim.

Antes da chegada do som

A época do cinema mudo, período que se estende de 1895, data da primeira exibição cinematográfica, até 1927, foi o momento em que cineastas como Charles Chaplin, Edwin Porter, D.W Griffith e Alice Guy- Blaché começaram a construir o cinema clássico narrativo norte-americano. O peso da câmera dificultava sua movimentação, o que fazia com que os realizadores utilizassem planos expansivos e estáticos, com atuações hiperbólicas e uma profusão de informações dispostas no quadro fílmico. Refém destas e outras restrições técnicas, o cinema ainda se confundia com o teatro.

Mesmo recebendo a alcunha de cinema mudo, o que mais se podia presenciar durante as exibições eram sons, quase sempre vindos de um solitário pianista ou uma pequena orquestra, que acompanhavam as imagens projetadas na tela com músicas que faziam parte do repertório da época, quase sempre peças eruditas. O Assassinato do Duque de Guise, lançado em 1908, foi o primeiro filme a ter um conjunto de músicas originalmente compostas para acompanhar suas cenas. Foi um passo importante na história do cinema, pois começou a gerar discussões sobre a função das composições para as imagens em movimento.

Em Cantando na Chuva, os personagens Don Lockwood e Lina Lamont constroem suas carreiras favorecidos pela ausência dos diálogos, principalmente Lina, que apresenta uma voz irritante. Com o surgimento de equipamentos de captação de som, a dupla precisa se adaptar aos novos tempos.

 Depois da chegada do som

Os estúdios também passaram por mudanças, transformando suas dinâmicas de funcionamento e também o posicionamento das câmeras, que tinham de ser postas numa cabine, evitando que os microfones captassem seu intenso barulho. Os sets, anteriormente repletos de conversas paralelas e outros ruídos, tornaram-se um lugar silencioso, onde só eram permitidas as falas dos atores.

Cantando na Chuva

O fonoaudiólogo foi um profissional mais que requisitado, visto as exigências dos estúdios, que passaram a não querer apenas rostinhos bonitos, mas atores e atrizes com um timbre de voz  agradável e boa dicção. Tanto Don e Lina, no filme, são obrigados pelo dono do estúdio a terem um acompanhamento para lidarem melhor com um instrumento até então nunca utilizado no cinema: a voz.

Eisenstein, célebre cineasta russo e um dos nomes mais citados quando o assunto é teoria da montagem, escreveu o seu Manifesto do Som com o intuito de expor seu receio quanto ao uso errôneo desta nova tecnologia. Nas palavras do diretor de O Encouraçado Potemkin, o som devia trazer um novo sentido à imagem cinematográfica.

Anos se passaram e o som tornou-se intrínseco ao cinema. Poder ver o mar e escutar o barulho das ondas nos acalma. Ver um bebê e poder ouvir seu choro estridente é algo exasperante, mas dá à imagem um valor humano e realista, possibilitando mútua identificação com o que vemos e escutamos.

Este artigo foi publicado originalmente no Pipoca com Pequi .

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