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Segredos – Vilões Marvel reencenam Os Suspeitos de Singer!

Volume de 2004 pretendia jogar uma luz um tanto inesperada sobre vilões Marvel

A Panini está decidida a inundar as prateleiras com reedições de luxo de materiais bastante medianos. De novo, aqui, entramos naquela velha história da relação custo-benefício: Segredos, mini-série da Marvel de 2004, não é necessariamente ruim, e até apresenta alguns pontos de vista interessantes e inesperados sobre velhos conhecidos dos leitores. A questão é: esse material vale os quase 30 temers do valor de capa pedido?

Segredos Vilões Marvel

Segredos

Aí a gente cai em outra velha história: vai do amigo leitor. Este colunista acha particularmente bastante prejudicial que você gaste tanto dinheiro com um material mediano, já que isso reforça a posição da editora de simplesmente despejar no mercado brasileiro tudo o que sai no mercado americano – mas espero não exigir muito esforço mental do leitor para entender que o valor desses materiais lá pesa substancialmente menos para aquele público, em comparação ao preço que pagamos por aqui.

Mas afinal, por que afirmo que o material é mediano? Vamos por partes.

A premissa é interessante e divertida, embora não seja totalmente original. O que o autor Robert Rodi faz é essencialmente adaptar a estrutura de roteiro do agora clássico cult do cinema, Os Suspeitos, do diretor Bryan Singer, para a realidade extrapolada do Universo Marvel. Então, ao invés de um punhado de bandidos meio ralés envolvidos em uma trama muito maior do que eles, aqui Rodi coloca alguns velhos conhecidos dos heróis – Dentes-de-Sabre, Abutre, Fanático, Deadpool, Mercenário e Homem-Areia – para executar um papel relativamente parecido.

Na trama, uma mulher misteriosa, a mando de um misterioso chefão do crime de escala internacional, chantageia esses vilões para que eles invadam uma base da I.M.A. e roubem um disco com identidades e informações preciosíssimas sobre quase todos os heróis do planeta. É claro que a tal base está abarrotada de inimigos, e a missão, que parecia simples diante da arrogância dos envolvidos, se torna muito mais complexa, e acabará por revelar alguns segredos bastante capciosos desses vilões.

Segredos Vilões Marvel

Perceba que os vilões envolvidos não são nenhum dream team de inimigos do Universo Marvel. A óbvia intenção era tornar a coisa toda mais “pé-no-chão”. E de fato é o que acontece, mas isso não é necessariamente uma coisa boa. Ao imitar o clima de suspeita e paranoia do filme de Singer, Rodi acaba subaproveitando um pouco os vilões, que poderiam causar mais estrago e aumentar exponencialmente a escala dos problemas da missão se obedecessem um pouco mais às suas personalidades normais.

Roteiro e desenhos sem muita personalidade

Mas o roteirista, talvez entendendo que se trata de uma mini-série, como espaço limitado para refigurar as personalidades dos vilões, prefere se ater a proposta inicial. O que é até um mérito, pois a história tem lá sua coerência interna. O problema é que, quando se saca a referência (clara) que inspira o roteiro, o impacto da novidade se dissipa rápido, e o “carisma” dos vilões não sustenta a história até o fim.

O tal “chefão misterioso”, por exemplo, é uma tremenda colagem de clichês, que não funciona muito bem dentro do contexto fantástico de super-poderes dos envolvidos. São coisinhas simples, como por exemplo, imaginar que o Fanático poderia simplesmente demolir o complexo, recuperar o negócio e a I.M.A., pelos motivos óbvios, teria que encobrir tudo. Rodi – inocentemente – esqueceu que, quando se envolve super-poderes, certas escalas de ação não podem ser ignoradas.

Segredos Vilões Marvel

E também tem a questão da arte. Embora John Higgins seja um bom artista, com passagens por Juiz Dredd e Hellblazer, ele não tem nada de especial. E sua arte em Segredos não foge muito a esse padrão – comuns, os desenhos em determinado momento parecem até mesmo um pouco feitos às pressas. Ou seja, não é por esse aspecto que vale apena desembolsar o valor que a capa pede.

Então, o que faria valer a pena? Coleção. Se você é um fanático (sem trocadilhos) pela Marvel, manda ver. Publicado sob o título de Identity Disc, Segredos até chamou um pouco de atenção pela proposta interessante. Mas aí, voltamos ao problema citado nos primeiros parágrafos: esses quadrinhos em dólar são brutalmente mais baratos que em real. Lá, até dá para ser um colecionador doente (muito embora a crise de vendas de HQ’s de lá me dê argumentos para demonstrar que o custo-benefício dessa diversão também não anda valendo a pena lá) – mas aqui, a história é outra.

Se você tem esse dinheiro, faça com ele o que você bem entende. Só não consigo compreender, com tantos volumes excelentes vindos para cá ou sendo reeditados – sejam autorais ou das próprias grandes – como alguém desembolsaria um valor desses em um material que poderia muito bem custar metade desse valor, com um tratamento menos luxuoso.

Por que então ainda são lançados assim? Segredos que só a editora sabe…

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