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Viva a Revolução – Feminismo e outras polêmicas!

Viva a Revolução

Escrever um texto sobre as HQ’s de Robert Crumb é arriscar-se à redundância, pois um trabalho que está por aí há tanto tempo, totalmente reconhecível pelo estilo do traço e do texto, parece não necessitar deste tipo de coisa. Se você nunca ouviu falar de Crumb, é mais do que provável que seja um iniciante em matéria de quadrinhos, ou talvez não seja próximo a essa mídia e está lendo esta resenha por algum outro motivo, que não consigo imaginar nem de longe qual seria. Cortando o papo-furado, o quadrinhista é um dos maiores críticos da hipocrisia das instituições do American Way of Life, além de um autor que nunca se importou em retratar a si mesmo como neurótico, com perversões consequentes da criação em um meio castrador, caso comprovado dos EUA. Como sua obra é sempre relevante, mais uma edição brasileira acaba de sair pela editora Veneta!

Viva a Revolução - Crumb

A Mente Suja de Robert Crumb, que a Veneta lançou em 2013, coletânea especial para a publicação brasileira, ganha uma edição irmã com Viva a Revolução, que tem um viés mais político, ainda que o sexo continue sempre presente de uma forma ou de outra. A antologia, organizada pelo editor Rogério de Campos, também autor do interessante prefácio, traz histórias de personagens demolidores de clichês caretas dentro e fora da ficção. Destacam-se Lenore Goldberg, a super ativa – também sexualmente falando – militante feminista judia que aparece na capa, o ingênuo revolucionário Projunior com sua companheira Honeybunch, uma adolescente ainda em estágio de auto descoberta, mas já bastante esperta quanto ao tipo de homem médio que a sociedade produz.

Viva a Revolução - Lenore Goldberg em um momento mais tranquilo!

Lenore Goldberg em um momento mais tranquilo!

O boneco de neve terrorista Frosty, Sr. Snoid e o próprio Crumb, entre outros, se juntam a essa galeria de tipos a serviço da sátira, não apenas do status quo, seja ele na figura do consumismo ou da luta de classes, entre outros tópicos, mas também os próprios movimentos que se levantam contra ele. Se o autor não poupava a si mesmo de sua veia crítica, por qual motivo deixaria um dos lados intocado? É exatamente neste sentido que ele se mostra mais interessante, pois estamos falando de HQ’s com mais de quarenta anos, produzidas em entre as décadas de 1960 e 70, um contexto muito específico dentro dos EUA, mas continuam divertidas, provocativas e estimulam o leitor além do mero entretenimento escapista. Também causam incômodo, mas apenas em radicais e extremistas.

Viva a Revolução - Crumb

Em capa dura, a edição da Veneta também traz diversas artes entre capas e cartazes do artista, alguns coloridos, e só peca por não trazer mais informações pertinentes para o leitor mais curioso, como dados sobre a publicação original das histórias e das outras ilustrações. No prefácio, alguma coisa assim até é comentada, mas não chega a ser uma regra para todo o álbum, o que é uma pena em se tratando de um produto mais caro que a média.

Viva a Revolução - Frosty, o boneco de neve subversivo!

Frosty, o boneco de neve subversivo!

Viva a Revolução é um nome que faz jus a essa edição, além de seu caráter mais óbvio, já que se trata de algo que marcou de forma indelével o mundo dos quadrinhos, não apenas no meio underground. Vale se você é fã de Robert Crumb, se gosta de quadrinhos de humor, se tem interesse em uma obra que fez a cabeça de gerações seguintes e – principalmente – se procura entender momentos históricos específicos, através da produção artística da época.

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