Home > Quadrinhos > Doutor Estranho: O Juramento – Sem coelhos na cartola!

Doutor Estranho: O Juramento – Sem coelhos na cartola!

Doutor Estranho: O Juramento

Doutor Estranho: O Juramento

O Mago Supremo da Marvel em uma história meio descolada da continuidade, assinada por uma dupla de prestígio no meio dos quadrinhos. Para muita gente, essa descrição já basta para chamar atenção, isso por conta de alguns detalhes que sempre se repetem neste mercado. Um deles é que, tradicionalmente, personagens de segundo (ou terceiro) escalão* dão aos autores uma liberdade maior. O outro é quando roteirista e artista destacados para o tal herói já tem seus nomes consolidados. A fórmula funciona em Doutor Estranho: O Juramento, encadernado da Panini com a minissérie completa Doctor Strange: The Oath, em cinco capítulos, iniciada originalmente em 2006.

A tal dupla conceituada é composta pelo roteirista Brian K. Vaughan – Saga, Os Leões de Bagdá, Y e outros títulos bem bacanas- e o desenhista Marcos Martín. Juntos, os dois também tem um trabalho mais recente imperdível, chamado The Private Eye (confira também este artigo sobre o assunto). Longe de tentar reinventar a roda, o que seria difícil em uma minissérie fechada, Vaughan criou uma trama interessante, mexendo de leve com continuidade retroativa, mas de uma forma que, ao acabar a história, os eventos não impactam as aventuras regulares do personagem.

Doutor Estranho: O Juramento

O gancho que pega o leitor pelo pescoço é simples, porém eficiente. Stephen Strange baleado, fazendo com que seu servo, Wong, procure a ajuda da benfeitora da comunidade super-heroica nova iorquina, conhecida como Enfermeira Noturna. A resposta para o absurdo sobre feiticeiro mais poderoso do mundo ser vítima de algo simples – para os padrões do Universo Marvel – como uma bala nos traz outros detalhes desta trama. Relativamente fora de perigo, o Doutor, Wong – que tem um problema pessoal direto nesta cadeia de eventos – e a teimosa Enfermeira partem em uma investigação. A jornada vai revelar não apenas o verdadeiro inimigo, mas detalhes paralelos à origem do Doutor Estranho, que ele mesmo desconhecia.

Para o leitor de primeira viagem, O Juramento, apesar de não ser uma história de origem, acaba funcionando assim. Mesmo servindo de introdução para alguns, os mais familiarizados não se sentirão excluídos. Graças aos detalhes que Vaughan introduziu nesta mitologia, a coisa se mantém fluida e quem já conhece a origem vai querer prestar atenção no que foi adicionado aqui. Fora isso, é interessante como o roteirista construiu um Stephen Strange impaciente e meio arrogante, que ainda mantém traços da pessoa que era antes de envolver-se com as artes místicas. Faz sentido pelas interligações com o passado dele.

Sobre a arte, os traços econômicos de Marcos Martín contribuem para o dinamismo desta história descompromissada. O desenhista espanhol, à vontade para exercitar seu estilo influenciado pela Linha Clara europeia, se saiu bem na representação das magias empregadas pelo herói, assim como nos ambientes de outras dimensões pelas quais a história passa. Aliás, essa é também mais uma sacada esperta do roteiro, que não exagera com inúmeras cenas em que isso precisa ser mostrado.

Doutor Estranho: O Juramento

A HQ tem mais um ponto positivo em termos de narrativa visual. Sem Martín apelar para algo fora do tradicional, ele ilustrou O Juramento de forma tão fluida, apenas alternando entre planos fechados e abertos, com splash pages quando necessário. É o conhecimento da linguagem em execução, funcionando como um relógio.

Agora indo direto ao ponto, embora não haja absolutamente nada de excepcional , Vaughan e Martín fizeram a lição de casa muito bem, entregando uma boa dose descompromissada daquilo que todos nós esperamos de uma HQ de super-heróis: diversão. Com capa cartonada, papel LWC e o preço de capa de R$ 19,90, dificilmente o leitor se arrependerá da aquisição.

Concluindo, Doutor Estranho: O Juramento agrada quase todo mundo, seja o leitor fiel de longa data da Marvel , ou aquele mais ocasional, pensando dez vezes antes de investir seu dinheirinho em qualquer edição. Também são contemplados aí aqueles fãs mais ardorosos do Mago Supremo, que só descobriram sua paixão depois que o filme foi anunciado.

Não deixe de conhecer os trabalhos digitais de Brian K. Vaughan e Marcos Martín, acessando o Panel Syndicate!

Já leu essas?
o justiceiro
Quando o Justiceiro definitivamente não foi levado à sério!
liga da justiça dc
Liga da Justiça DC? Também tem da Marvel, Image, do mal, etc…
Resenha de Shenzhen: Uma Viagem à China, de Guy Delisle
Shenzhen: Uma Viagem à China – Estranho numa terra estranha!
Alena Kim W Andersson
Kim W. Andersson, autor de Alena, no Formiga na Tela!