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O Arauto do Lumpen – O Um que representa Muitos!

O Lumpen é o símbolo do excluído, mas que representa muitos

Lumpen. Faz tempo que li essa palavra pela primeira vez… E não foi numa aula de história ou de geografia, mas era o título de um zine punk das antigas! O termo significa “trapo” em alemão, e seu radical (se podemos dizer assim) lump, “salafrário”, “pessoa desprezível”; velhaco, cafajeste mesmo.

Como jargão marxista, o lumpenproletariat – ou lumpesinato – seria a classe social REALMENTE excluída; aquela que estaria não só à margem, mas ABAIXO da pirâmide social. Destituído não apenas dos meios de produção, mas também de consciência política, o lumpen seria facilmente utilizado como massa de manobra. Pusilânime, cínico e depauperado de quaisquer valores que não a própria sobrevivência, seria um empecílio mesmo para uma oportuna revolução.

Mas como o Grande Roteirista escreve certo por linhas tortas, o lumpen possui, muitas vezes, uma voz ativa que o guia, se não para uma revolução, ao menos para uma revanche. Surge então o Arauto do Lumpen; um arquétipo muito repetido, mas pouco observado. Sua concepção nos lembra o Mito da Caverna, de Platão, onde um dos habitantes do ermo habitat decide sair para ver o que há fora da pretensa segurança, e retorna para alertar aos demais, sendo massacrado em vez de ouvido.

Também dois evangelhos bíblicos nos mostram a ideia de lumpen “depositado” numa só pessoa: um suposto louco que fora possuído por uma horda de demônios (Lc 8, 26-34). O indivíduo possuído é desprovido de vontade própria e carece de um direcionamento, pois é habitado por um sem-número de desejos conflitantes. Ao ser arguido, responde ao Messias: “Legião é meu (e não nosso) nome, porque somos muitos.” (Mc 5, 1-15). Tivemos até um mutante com esse nome: o estranho e poderosíssimo filho do mentor dos X-Men, Charles Xavier.

Veremos agora alguns nomes, porque eles são muitos.

  • Lobo

Tá bom, eu sempre começo com ele desde que comecei aqui. Já falei dele no Descubra o conceito por trás do Vilão Heróico e no Master-Blaster – A Repetição do Arquétipo no Entretenimento, mas nunca é suficiente!

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O Maioral… dos excluídos!

Além de ser um amontoado de referências – Hell Angel pelo visu, “chicano” pelos pseudobigodes que encimam sua boca, déspota pelo termo que designa sua origem (Czarniano, de Czar*) – Lobo já foi, no início de carreira, digamos assim, um arauto de si mesmo(!), se é que isso é possível. É que o dito cujo tinha o poder de gerar clones; poder este extinto por Vril Dox (ainda por cima, à frente do grupo L.E.G.I.Ã.O.), seu velho recrutador para missões-cilada. Este poder ressurgiu quando Lobo rejuvenesceu pelas mãos de Peter David.

Na edição #9, Lobo chegou a disputar sua supremacia e sobrevivência com um clone que ficou escondido por anos e, para rivalizar seu “pai”, reparou seu único defeito: Lobo é um ignorante! A melhor maneira de derrotá-lo, sendo seu clone, e portanto, equiparado em tudo, era possuir o que ele não tem, e seu cloninho fez o dever de casa direitinho – literalmente – no melhor estilo mens sana in corpore sano: estudou! Leu até bula de remédio! Estudou desde trivialidades até História da Arte… Só não contava com o maior poder de seu “pai”: o Protagonismo!

* Antigo título monárquico russo, cuja raiz etimológica remete a Caesar, Kaiser, King.

  • Mão Negra (A Noite Mais Densa, 2010 – Editora Panini)

Quando a DC resolveu lançar o seu A Noite Mais Densa (Blackest Night), pensei: “Até que enfim uma mega saga do Lanterna desde a sua derrocada que o transformou em Parallaxx e desenbocou em Zero Hora!” Mas ao mesmo tempo, pensei: “Já tô muito grandinho pra gastar dinheiro com isso.” A Noite mais Densa traz toda uma epopeia que se segue após os eventos da Crise Final, e do entremente Fúria dos Lanternas Vermelhos, com as diferentes Tropas dos Lanternas em um interessante subtexto acerca das cores.

A cena em que Mão Negra assassina brutal e friamente a família é uma clara referência aos jovens spree killers** norte-americanos. Após assassiná-los, o jovem senta-se à cabeceira da mesa (lugar destinado ao pai, o “chefe”da família) e suicida-se com um tiro na cabeça.

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O líder dos contraditórios Lanternas Negros!

A cena remete não só ao comportamento sociopático supracitado, como também à máxima “respeite e depois mate o pai” (como suscitado na peça Vermelho, estrelada pelo ator Antônio Fagundes, que vive o pintor russo Mark Rothko, contracenando com seu filho), além do complexo edípico freudiano. “Todo filho deve banir o pai. Respeitá-lo, mas matá-lo.”, referindo-se à recusa de todo artista em repetir mimeticamente um estilo no qual se inspirou.

Através da força de obliteração do anel, Mão Negra ressuscita os caídos em batalha como zumbis. Fora do espectro das emoções, a Tropa dos Lanternas Negros é mais um exemplo do lumpen liderado por uma voz ativa.

* Spree Killers são aqueles jovens que entram num espaço lotado como as antigas ágoras gregas ou mesmo um espaço fechado como um cinema, quando não ambos (uma escola e suas salas de aula) e disparam em todos ou alguns alvos pré-determinados. O termo, de cunho onomatopaico, alude ao ruído de uma arma disparando, mais possivelmente uma metralhadora. Spreeeee…

  • Billy Kincaid (Spawn #5, 1996 – Editora Abril)

Eu já falei mal dele aqui no Quando um tira onda com outro nas HQ’s, mas foi só de birra, porque acho que Todd McFarlane tem o seu valor e curto o trabalho do cara desde O Novo Incrível Hulk #86. Mcfarlane queria criar um personagem com profundas questões morais, e Spawn frequentemente se envolvia em embates que faziam dele um Anti-Herói Algoz.

Através de um de seus personagens, McFarlane procurou ilustrar a lenda urbana do Homem do Saco ou da Combi que Leva Criança. Há ainda um correlato afro, o Quibungo, monstro mitológico que possui uma bocarra nas costas, onde despeja a criança ao jogá-la pra trás, no mesmo movimento que faria o Homem do Saco – o que nos levaria a pensar se não é a origem do mito, embora o mesmo se pareça muito com o deus Moloch.

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Esse sim é desprezível…

O fato é que o político norte-americano John Wayne Gacy encarnou a lenda, tornando-se um assassino de crianças ao raptá-las em sua combi de sorvetes. John molestava apenas meninos da idade em que ele mesmo era molestado por seu pai, e serviu de inspiração para a banda Slipknot, e para o codinome do tecladista de Marilyn Manson, Madonna Wayne Gacy.

Como convém a várias obras midiáticas, o autor procura retratar as mazelas de seu país, e criou o antagonista Billy Kincaid. Surgido na edição #5 da revista Spawn, nos Estados Unidos, Billy é brutalmente assassinado pela Cria do Inferno como punição por seus crimes bárbaros.

O que Al não sabe é que, para cada FDP que manda pro inferno, mais uma alma se torna assecla de Malebolgia, o demônio que sacaneou Al Simmons pra começo de conversa. Pra piorar, a alma de Billy se torna a guia das vítimas de Spawn, após passar sua provação pelas mãos de Alan Moore em Spawn #8, reaparecendo em Spawn #81.

  • Namor (Tocha Humana Jim Hammond, 2015 – Salvat/Panini)

Mike Carey despontou como um novo Neil Gaiman ao capitanear o spin off de Sandman, Lúcifer. Em Tocha Humana (Jim Hammond), ele nos traz o encontro da tríade ígnea: Johnny Storm, do Quarteto Fantástico, o Centelha, Tom Raymond e o primeiro Tocha Humana (uma inteligência artificial criada pelo Professor Phineas Horton).

O Pensador Louco é contratado pela I.M.A. para trazê-lo de volta à vida no melhor estilo Frankenstein, mas faz como Bruce Banner em Ultimate Avengers (2006): engana toda a equipe fingindo estar realizando a pesquisa, quando na verdade pesquisa para si mesmo. No caso do Pensador,  cria uma arma biológica através das Células Horton, capaz de “descerebrar” aqueles que entram em contato com ela via respiração. Algo bem semelhante ao processo de zumbificação do filme Extermínio (28 Days Later), só que não tão escatológico.

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Ele representa muitos… literalmente!

Como a experiência com a I.M.A. se dá em alto mar, o Príncipe Submarino, Namor, vai tirar satisfação com a famigerada organização acompanhado de seu séquito atlante, e são atingidos pelo líquido vermelho sangue. Crítica à poluição marítima? Confere. Citação bíblica? Confere. Dúvida? Basta ver a fala de Namor a Hammond: “Sou muitos e sou um. Sou o que tem um milhão de olhos, um milhão de vozes. O exército de um.”

 

  • Morbius – Subcidade (Homem-Aranha #144, 1995 – Editora Abril)

Mais uma vez pelas mãos de Todd McFarlane, o Amigão da Vizinhança se depara com uma aventura que pretende jogá-lo nos píncaros da decadência.

Não sei se o que eu fiz no parágrafo acima foi uma ruptura de paralelismo semântico, uma locução paradoxal valendo-se de oxímoro ou simplesmente pedantismo, mas o fato é que McFarlane fez experiências com o Escalador que serviram de embrião para o que faria em seu Spawn – já que bebeu bastante da fonte de Peter David em sua linha narrativa traçada ao longo de sua trajetória com o Incrível Hulk. O próprio Spawn é um Arauto do Lumpen, percebem?

Mesmo a contragosto de sua consorte Mary Jane, Peter Parker decide utilizar o uniforme negro. Não, não se trata do simbionte que veio a se tornar a entidade Venom, mas de uma roupa mesmo. É que uma galera pra lá de estranha começa a sequestrar os mendigos. Percebendo que essa “higienização social” não estava sendo feita por nenhum processo de gentrificação, o Escalador decide ir a fundo no mistério.

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Morbius, um verdadeiro excluído!

Ao descer às galerias de esgoto de Nova York, o Homem-Aranha percebe se tratar dos Morlocks; aqueles mutantes que tiveram um erro cromossomial que os impediu de serem os X-Men, narcísicos e apolíneos, e que foram representados no Universo 2099 como os Degens. O problema é que Morbius desceu ao fundo do poço… mesmo, e se tornou o papa dos Morlocks.

Escondido, dado como morto e longe da luz do sol, Morbius se alimentava dos mendigos que os Morlocks traziam da superfície. O critério? Ele pensava que os degenerados moradores do esgoto discerniam o bem do mal. Quem “prestava” e quem não. Na verdade, para eles, todos os que viviam fora do esgoto eram maus. Você já pode imaginar a crise existencial do Nosferatu da Marvel, né?

  • Hulk Jones – Párias (O Novo Incrível Hulk #144, 1995 – Editora Abril)

O Incrível Hulk teve várias fases, e passou por uma repaginação completa pelas mãos de Peter David durante a década de noventa, e seu crepúsculo durante a saga do Hulk Cinza acarretou a fusão de suas três personalidades (Bruce Banner, Hulk Verde, Hulk Cinza) numa só: o Clever Hulk, como era chamada uma de suas action figures.

O personagem tinha a força, o tamanho e a cor do gigante original com a inteligência de Banner e a malandragem do cinza. Ainda por cima com cara de Kirk Douglas em seus tempos espartanos! Antes da fase capitaneada por Peter David, Banner já andava às voltas com uma nova versão de seu alter ego, sendo que a concepção do antigo Hulk-Esmaga havia sido assumida por ninguém menos que Rick Jones, o (ir)responsável pelo surgimento do Hulk.

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Hulk + Rick = … Rulk?

Ao passarem pelo Banho Nutriente (em O Incrível Hulk #78 ) que sugou parte da radiação gama de Banner, Jones absorveu a maior parte sem que ninguém soubesse (nem nós, leitores), e acabou por se tornar uma nova versão do antigo verdão: grande, forte, verde e simplório.

Na edição #86, Jones se depara com um povo composto por animais do deserto “gamalterados”: cobras, escorpiões e toda a sorte de aberrações verde-esmeralda formam uma comunidade no deserto e Hulk Jones, como era chamado, se torna uma espécie de Antônio Conselheiro. O desenrolar da estória lembra muito esse capítulo da nossa história.

  • Coringa (Batman: Tempestade de Sangue, 2001 – Editora Mythos)

No melhor estilo “o que aconteceria se…”, essa trama tece sua continuação até Batman: Bruma Escarlate, e o link entre ambas é tão sutil que é possível ler a segunda sem se ter lido a anterior.

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Uma versão bastante… particular do Coringa!

Batman é um vampiro “vegetariano” que não se alimenta abatendo suas vítimas, mas injetando sangue através de seringas. Sua transformação se deu quando encontrou Drácula em pessoa, em Batman: Chuva Rubra (1992) e esta história não revela – apenas narra – esse encontro. Como uma horda de vampiros assola Gothan e habita os esgotos da cidade, o Coringa se torna seu guia, e os lidera no motim que intitula a trama.

  • Hera Venenosa (Batman: Arkham Asylum – 2009/Batman: Assalto em Arkham – 2014)

Ela nem sempre teve esse visual de playmate da Playboy, embora seu nome também seja Pamela – e foi repaginada assim como a Psylocke, que ficou parecendo a Ninja do Funk. Em 2009, o game Batman: Arkham Asylum revolucionou o estilo, misturando beat ‘n up com stealth, e o morcegão é lançado em seu parque de diversões predileto, tendo que enfrentar vários conhecidos antigos.

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A versão Arkham Asylum de Hera Venenosa!

Hera aparece em sua versão da Era de Bronze, pós-Orquídea Negra de Neil Gaiman, sendo quase uma versão feminina de Jason Woodrue. Além dos poderes costumeiros, ainda apresenta um elo empático com as plantas, capaz não só de manipulá-las como também de fazer o mesmo com aqueles que entram em contato com suas toxinas. Essa habilidade já aparecia nas entrelinhas como no conto Estufa (da antiga Um Conto de Batman), mas dessa vez é explícita mesmo.

Como chegou a fazer parte do Esquadrão Suicida, Hera também aparece na animação Batman: Assalto em Arkham, o embrião do fraquíssimo filme, na mesma versão do game.

  • Elden – Fire & Stone (2014-2015 – Dark Horse Comics)

O universo de Aliens, bem como o do Predador, é bem mais rico nos quadrinhos e nos games do que na telona, e grande parte do que é exibido nos cinemas já foi previamente lançado nessas mídias. Esse processo se dá através de transmídia, termo usado para definir o processo onde uma obra pode ter continuação em outro formato de mídia, sendo que a nova parte pode conter essencialmente um novo conteúdo, independentemente da obra original – mas ainda assim ligado a ela.

Assim, Fire & Stone é um audacioso projeto que une os xenomorfos e a raça dos caçadores reptílicos com o universo de Prometheus, em quatro séries distintas que devem ser lidas em uma determinada ordem cronológica (como convém a determinadas maxisséries), mas podem ser lidas na ordem cronológica separada (Aliens: Fire & Stone #1, Prometheus: Fire & Stone #1, Predator: Fire & Stone #1…); assim como Sete Soldados da Vitória, de Grant Morrison.

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Elden!

Elden era um androide assim como David, e tantos outros ao longo da franquia, mas sofreu uma estranha metamorfose após injetar o mesmo líquido que conspurcou os zigotos de Charlie Holloway, que acabou sendo o Adão obliterado de Prometheus. A partir daí, torna-se “o mais próximo de humano (ou orgânico) que já foi.”

Elden se tornou um androide biomecânico, obtendo controle sobre seu corpo. Algo próximo do poder Vicissitude, citado no artigo Como Vampiro: A Máscara, mas com limitações. Fez brotar mais um par de braços semelhantes aos tubos escapulares que os xenomorfos possuem, e chegou a transformar a ferida no ventre feita por um Predador numa bocarra, decepando o braço do adversário. De quebra ainda foi reconhecido como “igual” pelos xenomorfos, podendo liderá-los como um séquito asqueroso! O Capitão Feio da saga…

  • Quasímodo (O Corcunda de Notre Dame, 1831)

Nascido de um romance de Victor Hugo, autor de Os Miseráveis (Les Misérables), o deformado personagem é a personificação de tudo o que a sociedade execra como um todo: o feio. Mesmo a miséria tem o seu status quo, e Quasímodo é a caricatura social do lumpen.

Nascido cigano, foi abandonado devido a sua feiúra na porta da Catedral de Notre Dame num domingo de páscoa – daí o seu nome: o período pascal original se comemorava em oitavas, sendo o domingo após a Páscoa, o Domingo de Quasímodo, dados os versos bíblicos da primeira Epístola de Pedro: Quasi modo geniti infantes, rationabile, sine dolo lac concupiscite, ou “Como meninos renascidos, desejai a cota de leite não conspurcado (…)”, numa tradução livre. Essa passagem é recorrente na iniciação de noviços, já que celebra um renascimento.

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A definição seminal da exclusão: Quasímodo!

Quasímodo é tanto uma representação do arquétipo crístico do ressurrecto, quanto o próprio Rei da Plebe. Na animação de 1996, durante sua “coroação” no Festival dos Tolos, ele é “ovacionado” no pior sentido do termo, cena que mostra o povo admoestando-o sem saber que repudiava a si próprio, função semelhante a qualquer Clown, como visto no artigo de Master-Blaster, acerca do Palhaço Heyoka.

  • Inside (Playdead – 2016)

Em 2010, a equipe dinamarquesa Playdead deu o que falar com o seu Limbo, de atmosfera densa e um contraste de branco, preto e cinza que chegam a lembrar a estética de H.R. Giger, mas sem o elemento biomecânico. O protagonista de Inside, um pouco mais velho, tem que adentrar um estranho complexo onde pessoas são enclausuradas, testadas e cultivadas como gado. Ambos os games brincam com o infanticídio, e ainda falarei deles aqui no Formiga Elétrica.

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Uma interpretação interessante do conceito de lumpen!

Com um gameplay que lembra o game Oddworld: Abe’s Exoddus, Inside nos leva por um lindo pesadelo. Os confinados não dão uma palavra e vivem de cabeça baixa, reagindo a poucos estímulos elétricos que vez por outra podem ser controlados através de um capacete pelo protagonista que se torna seu libertador. O final é surpreendente e decepcionante. E ilustra bem o título deste ensaio.

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