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Quando a Mulher-Maravilha era secretária na Sociedade de Justiça!

Um momento pouco glorioso da Princesa Amazona

Em um contexto onde a combinação de palavras “bela, recatada e do lar” gera constrangimentos por conta do teor sexista, lembrar dos primórdios da Mulher-Maravilha nos quadrinhos pode irritar muita gente. Estamos falando, especificamente, do cargo que a personagem ocupou no primeiro supergrupo da DC, no comecinho da década de 1940. Vamos destrinchar esse fato pouco comentado desta personagem em seus 75 anos de estrada que, por sinal, já foram comemorados em um vídeo oficial.

(Falando em Quadrinhos, confira também a resenha de Mulher-Maravilha: Terra Um)

Mulher Maravilha DC

Dá uma olhada como ela já aparecia creditada…

Muito antes do surgimento da Liga da Justiça, que ainda demoraria duas décadas, alguns super-heróis da casa já haviam formado a equipe Sociedade de Justiça da América (Justice Society of America). Gavião Negro, Sandman, Doutor Meia-Noite, Starman e o Flash original, entre outros, lutavam juntos contra o mal em All-Star Comics, a mesma revista onde a Mulher-Maravilha estreou, em uma HQ de origem publicada em outubro de 1941. Nada mais natural que ela, em algum momento, encontrasse seus colegas fantasiados, o que aconteceu no ano seguinte. Pouco depois de ganhar seu título próprio, Diana foi aceita na Sociedade de Justiça como membro honorário e… secretária (!!).

Fica aí enquanto a gente faz o trabalho de verdade!

Isso mesmo. Os rapazes confiavam tanto nela que ofereceram este cargo, que ela aceitou sentindo-se honrada. Como se isso não bastasse , enquanto os heróis partiam para a Europa para lutar contra os nazistas na frente de batalha, ela ficou para trás para cuidar da sede do grupo. Mesmo para a época, momento histórico em que mulheres precisaram colocar a mão na massa por conta da Guerra, isso soa muito estranho. Ainda mais por falarmos de alguém com super poderes, que lidava com muitas ameaças de porte em suas histórias solo. Será que só o machismo explica isso? Na verdade, não…

Mulher Maravilha DC

Po, Diana… Assim você queima a classe!

Antes que as tochas e forcados sejam empunhados em uma manifestação contra a DC, que nem tinha esse nome na época, vamos aos fatos. Claro que existia sexismo na década de 1940 e isso é impossível negar, mas, curiosamente, a “culpa” recai sobre os ombros de William Moulton Marston, criador da Mulher-Maravilha. De acordo com o Blastr, quando descobriu que outra pessoa estava escrevendo histórias com ela em All-Star Comics, ficou furioso e exigiu controle total sobre a personagem. Ele, inclusive, pediu para reescrever as histórias anteriores da JSA e foi atendido. O problema é que Marston já estava ocupado escrevendo e co-escrevendo histórias da Mulher-Maravilha em outras três revistas, sem tempo para uma quarta.

Assim, transformá-la em secretária foi uma solução para mantê-la à parte em All-Star Comics, meramente fazendo aparições na sede da JSA. Paralelo a esse papel meio constrangedor, ela mostrava do que era realmente capaz nas revistas Wonder Woman, Sensation Comics e Comic Cavalcade. Ironicamente, a representação machista da personagem acaba creditada à Marston, um defensor do feminismo, que a queria apenas para si mesmo.

Mulher Maravilha DC

Fica aí e deixa o café pronto que a gente volta logo…

Quando a doença abateu Marston, a Mulher-Maravilha teve a chance de atuar de verdade da Sociedade da Justiça nas mãos de outros escritores. Ele morreu em 1947, enquanto ela se tornava um membro importante da equipe, trazendo também mais uma mulher ao time: a Canário Negro. Conforme é bem conhecido, após a Segunda Guerra, os super-heróis amargaram uma diminuição do interesse dos leitores e encararam a caça às bruxas. Depois, chegou a Era de Prata, a DC se reformulou e, finalmente, surgiu a Liga da Justiça, com Diana entre os fundadores, permanecendo até hoje como parte da Trindade da DC, ao lado de Batman e Superman.

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