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DPF: Departamento de Polícia da Física Vol. 3 – Audeamus

O terceiro volume de DPF mantém o pique

Chegando ao encadernado que abrange as edições 14 a 19 de FBP – Federal Bureau of Physics, aqui batizado como DPF: Departamento de Polícia da Física , a série mostra evolução. Modesta, comparando com os dois anteriores, Mudança de Paradigma e Se Você Estivesse Aqui, mas animadora. O motivo é o escopo científico que parece mais evidente no arco que dá nome à edição: Audeamus. Mas vamos com calma, pois falaremos disso na hora certa.

Resenha de DPF Vol 3 - Panini Vertigo

DPF – Departamento de Polícia da Física Vol. 3 – Audeamus

O criador, Simon Oliver, continua à frente dos roteiros de mais esta HQ do selo Vertigo que chega até nós via Panini. O britânico continua se esforçando em torcer o cérebro do leitor, daquela forma que a boa ficção científica é capaz. Personagens devidamente apresentados nos volumes anteriores, alguns já com algum desenvolvimento, a história pregressa do agente Cícero Deluca é relatada nas duas primeiras histórias deste encadernado.

Sobre Os Ombros mostra o início do interesse de Cícero por ciência, além de justificar os motivos que levam alguém com esse intelecto a optar pelo trabalho de campo. Nada notável até aqui e parece não fazer muita diferença no cenário maior. Parece o tipo de roteiro tapa-buraco, já que não consegue fugir da velha fórmula “nerd-vítima-de-bullying”. Também não parece preparar algo para o futuro da série, embora tenha lá seus bons momentos.  Passando por isso, a coisa já melhora bem.

Falando de Audeamus, palavra em latim que significa “risco”, entramos em um momento que a série retoma seu jeito de seriado e a trama avança. Como eu já havia colocado nas resenhas anteriores, ficou óbvio que existia algo a mais por trás do sumiço do pai do agente Adam Hardy e sua relação com Lance Blackwood.  No encontro de Blackwood com a equipe da DPF, inclusive o agressivo Adam, agora temos mais detalhes sobre as perturbações da física que tem atormentado o planeta.

Resenha de DPF Vol 3 - Panini Vertigo

Cícero descobrindo o amor pela ciência!

Sem aprofundar demais, até pelo risco de entrar em spoilers, digamos que o mal que coloca tantas pessoas em risco tem a ver com a diminuição da energia escura em nosso universo. É neste momento em que o(a) leitor(a) menos entendido em astronomia ou astrofísica pode ficar intimidado. Relaxe, pois a coisa não é tão complicada e pode até despertar um interesse pela pesquisa do assunto, mas vale uma breve explicação sobre esse conceito.

Hoje em dia, várias teorias trabalham com modelos onde a energia escura constitui mais de 70% do conjunto que compõe o universo. Ela, inclusive, explicaria a expansão do cosmo a partir do Big Bang, pois agiria como a gravidade, porém, de forma inversa. Você pode saber mais sobre o assunto através deste texto básico na Super Interessante, mas se estiver a fim de algo mais aprofundado, o Portal do Astrônomo, de Portugal, é uma boa fonte.

Bom, parece lógico que a realidade como conhecemos sofra um colapso caso comece a faltar a “cola” que a mantém inteira. Blackwood e a DPF começam a trabalhar no projeto de suprir essa súbita deficiência primordial. Não apenas isso, a história também deixará ganchos para futuras revelações que prometem turbinar a narrativa mais à frente. Pena que, além de Sobre Os Ombros não contribuir quase nada para esse todo, Oliver também está longe de ser um roteirista brilhante, mesmo descontando a expectativa por ele ser da terra da Rainha.

Resenha de DPF Vol 3 - Panini Vertigo

As perturbações da física no traço de Alberto Ponticelli!

Uma pequena bobagem no roteiro e uma queda na arte

Audeamus é bem valorizada pela questão científica, como já falei lá no começo, mas o roteiro escorrega em bobagens que comprometem a verossimilhança. Entre as pessoas comuns, vítimas da loucura da física, conhecemos uma mãe que cuida sozinha de sua filha, que acabam interagindo diretamente com Adam em uma crise. Nada demais, a não ser pelo incômodo de que a garotinha é aquele tipo de criança gênio clichê que denuncia a falta de imaginação do escritor. Ruim, mas ainda existe outro problema. Este mais relativo.

Robbi Rodriguez, o artista responsável pela HQ até o #13, foi substituído por Alberto Ponticelli. Mais um detalhe que pesa contra, já que saiu um estilo que era simples e direto e entrou um que parece largado mesmo em alguns momentos. Difícil não imaginar o que essas perturbações da física poderiam ter rendido nas mãos de outro desenhista. O que salva Ponticelli é que sua narrativa é clara e ágil, compensando um pouco o problema do traço, mas não a ponto de não lamentarmos a troca. Ainda bem que o colorista original, Rico Renzi, permaneceu, o que ainda traz uma unidade visual à série. E as capas de Nathan Fox continuam ótimas.

DPF: Departamento de Polícia da Física – Vol. 3 – Audeamus não vai decepcionar quem já vinha acompanhando. Além disso, se você nunca leu, mas é aquele tipo cabeçudo atrás de histórias com conceitos científicos rebuscados, é bem provável que encontre aqui algo com a sua cara. Apesar das derrapadas, continua interessante e vale seu tempo e dinheiro. Esperamos que vá além na próxima e última edição.

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