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A Procura de Vida Inteligente – Sci fi do Brasil!

A Procura de Vida Inteligente

Seria interessante uma obra que trouxesse uma influência bem perceptível de Douglas Adams, de O Guia do Mochileiro das Galáxias, com toques de Isaac Asimov e outros autores menos identificáveis em um primeiro momento, em uma coletânea de contos que se interligam de uma forma semelhante ao filme Pulp Fiction? Se a sua resposta foi afirmativa, acredito que a curiosidade aumente com o fato de estarmos falando de algo concebido por um brasileiro, ou talvez algumas pessoas já torçam o nariz por puro preconceito. Felizmente, quem conseguir vencer algum tipo de resistência inicial e conferir a edição independente A Procura de Vida Inteligente, de Victor Allenspach, no mínimo, não vai se arrepender.

Com um pano de fundo filosófico, além de ambientar seus contos no mesmo universo,  Victor criou um elemento de ligação direta entre as histórias. O robô Boris passeia pelas oito narrativas do livro, com participações maiores ou menores, mas em diversos momentos da linha temporal criada pelo autor.  As situações que encontramos em cerca de 200 páginas envolvem um explorador espacial à espera de uma grande chance, um naufrágio interplanetário, um cruzador militar lidando com anomalias, uma dona de casa negociante de robôs usados e hotéis construídos no dorso de gigantescos crustáceos vivos, entre outros arroubos imaginativos bacanas.

A Procura de Vida Inteligente

Victor Allenspach

Entre outros pontos positivos, o autor parece compreender qual o cerne e o potencial de uma boa ficção científica. Aqui, seja qual for a avaliação do leitor familiarizado ou não com o gênero, não é possível negar que o trabalho evita traçar pequenas jornadas de personagens, mantendo seu olhar existencialista voltado para algo muito mais amplo. Essa é uma percepção que o cinema comercial e a maioria de seu público ignora, insistindo que basta uma ambientação espacial com robôs para que uma obra receba essa classificação. Mesmo com esse conteúdo, Victor não tenta rebuscar demais a linguagem e seu texto é acessível e agradável.

A Procura de Vida Inteligente é um livro artesanal, nas palavras de seu próprio escritor. O projeto gráfico é atraente, utilizando papel reciclado. O maior problema, no entanto, está na falta de uma estrutura profissional na parte editorial, algo compreensível na situação, mas não deixa de ser incômodo. A revisão deixou passar inúmeros erros, alguns muito evidentes já em uma primeira olhada. Não atrapalha a compreensão, mas pode acabar afastando alguém mais crítico. De qualquer forma, é um ponto sensível e precisa ser levado em conta em projetos futuros.

Douglas Adams _ A Procura de Vida Inteligente

Douglas Adams (1952 – 2001), a grande influência!

Ainda sobre a ausência de um editor, o texto de Victor teria muito a ganhar contando com alguém comprometido de fato – que saiba realmente qual é o seu trabalho – atuando nesta função. Uma impressão particular é que uma consultoria científica seria um bom investimento para as próximas empreitadas. Claro, novamente salientando as condições que um escritor independente amarga, o que foi dito é muito mais um comentário, ou sugestão, do que uma crítica.

Concluindo, A Procura de Vida Inteligente vale o tempo investido, diverte, provoca e seu autor merece o incentivo para continuar a produzir. É um exercício de imaginação muito legal pensar o que ele ainda pode fazer com mais apoio, então visite seu site. Quem quiser, pode comprar o livro por lá mesmo!

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