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Perry Rhodan – Ficção científica alemã que você precisa conhecer!

A publicação de Perry Rhodan atravessa décadas, mas continua pouco comentado por aqui

Por volta de 2002, eu trabalhava como freelancer em um escritório de produção e design gráfico. Tive a sorte de ter um colega mais velho e experiente (hoje capista da Veja), que sabia ocupar nossas tardes com papos bastante agradáveis sobre gostos em comum, como filmes, livros, história e filosofia. Eu era ainda um pós adolescente ávido por blockbusters quando ele começou a falar de uma série de livros alemã sobre aventuras espaciais. Segundo ele, teria inspirado grandes histórias hollywoodianas, desde Highlander a Exterminador do Futuro (sobre esse último, Harlan Ellison tem outra opinião…). Fiquei curioso, até que ele me trouxe um dos números, a edição Perry Rhodan #50. Li de uma vez só.

Simplesmente, uma narrativa tão interessante que eu não podia parar de ler, com uma aventura espacial que fugia do óbvio e mostrava a história por um ponto de vista que, inclusive, questionava as ações do protagonista. Um novo mundo se abriria para mim a partir daquele momento.

Perry Rhodan

Ilustração de Dirk Schulz.

Perry Rhodan é uma série de ficção científica alemã, no estilo space opera, editada semanalmente desde 1961, em séries de livros que lembram o formato de pulp fiction. Criada por  K. H. Scheer e Clark Darlton, já ultrapassa 2.900 títulos e, embora não seja muito conhecida por aqui, ela é um sucesso mundial lançado em vários países. Ao longo dos anos, a aventura futurista acompanhou o avanço tecnológico da vida real, ao passo que avançava ainda mais em seu futuro distante. Isso confere uma sensação curiosa de ficção cientifica retrô quando lemos, em especial, suas primeiras edições, mas é mais um charme especial da série.

A crítica política e social também é muito forte e, ao longo do tempo, tocou em pontos sensíveis como a Guerra Fria, a Corrida Armamentista e o Movimento New Age, entre outros, expressando o pensamento da elite científica alemã. Talvez por isso mesmo a série tenha sido bastante criticada pelos norte-americanos, embora seja inegável sua influência, não só na ficção cientifica, mas na cultura pop geral.

Perry Rhodan

A capa principal do episódio 2800, com Perry Rhodan, a cientista Sichu Dorksteiger e a nave portadora Ras Tschubai.

A história da série começa em 1971, quando a primeira missão americana tripulada, chefiada pelo major Perry Rhodan, chega à Lua e encontra uma nave alienígena acidentada. Graças à esperteza e audácia do nosso protagonista, os tripulantes se apropriam da tecnologia encontrada e, com ela, promovem a unificação mundial e a exploração espacial intergaláctica, conhecendo novos mundos e culturas através do cosmos. Ao longo da série, personagens adquirem imortalidade, novas tecnologias, utilizam o poder da mente de formas diversas, viajam através do tempo e do espaço, fazem alianças, entram em guerras e conflitos entre outras aventuras complexas.

Pelo grande número de livros, eles foram divididos em ciclos, sendo que cada um separa um conjunto que narra uma era específica, algo semelhante aos arcos narrativos das HQ’s. Tudo isso já rendeu enciclopédias, quadrinhos, canções e itens colecionáveis, entre outros. Em 1967, foi lançado um filme mediano, chamado Mission: Stardust, que adapta, de forma bem livre (ou seja, mudando muito), os acontecimentos dos dois primeiros livros. Em 2008, também foi produzido um jogo de videogame pra PC chamado The Immortals of Terra: A Perry Rhodan Adventure.

Acima, trailer do filme Mission: Stardust, que você pode assistir completo no youtube, caso queira muito…

Por onde começar a ler Perry Rhodan?

Você deve estar pensando: “Legal! Quero conhecer, mas como eu começo a ler isso?” A resposta não é fácil. Entre 1975 e 1991, a editora Tecnoprint S.A. (atual Ediouro) publicou os episódios 1 a 536. De 2001 a 2007, a SSPG (Star Sistemas e Projetos Gráficos) começou a lançar edições traduzidas a partir do número 650. Em 2014, finalmente voltou a lançar em formato digital, inclusive lançando os números que ficaram no hiato entre o número 536 e 650. Quem quiser as edições físicas, consegue encontrar em sebos, ou os primeiros 500 a 800 números em formato digital via internet.

Para além disso, fora as edições da SSPG, há uma iniciativa dos fãs que se chama Projeto Traduções. Eles têm todos os números traduzidos e é possível comprar os pacotes de ciclos por uma média de R$ 30,00 cada conjunto de edições. A iniciativa segue traduzindo as histórias direto do alemão. Adquirindo os ciclos, você se torna um colaborador do projeto. Recomendo ler as histórias em ordem cronológica, para uma melhor noção do universo da saga. Todavia, as tramas de cada livro se fecham em si mesmas, de forma que você não depende dos anteriores para que elas façam sentido.

No mais, você vai se divertir bastante com histórias sobre Arconidas, Aras, humanoides, Ratos-Castores dotados de super-inteligência, frotas estrelares, a nave Stardust, povos intergalácticos ameaçando a paz na Terra, telecinese, raios catódicos….  e, no meio do caminho, quem sabe você não identifica, em um detalhe ou outro, a inspiração para o seu filme hollywoodiano favorito?

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  • Perry Rhodan caia no mesmo caso de Valérian, muita gente diz que foi copiado, mas antes, essas mesmas obras se inspiraram na FC pulp, não dá pra mensurar quem copiou quem, são definitivamente tropos. Certa vez, o John Byrne disse que foi rever um episódio de Dr. Who e percebeu que pode ter influenciado ele inconscientemente em Dias de um Futuro Esquecido.

  • Sílvio de Queiroz

    Comecei a ler a série, na época lançada pela Tecnoprint, por volta de 1974. Comprei todos os volumes lançados, 01 a 536 e tornei-me fã incondicional, assinante da SSPG e hoje tenho todos os volumes digitais lançados.
    Seu artigo pode incentivar novos leitores e fãs pelo Universo PR, que não se restringe somente a esta série pois foi expandido, contando com as séries Atlan, Perry Rhodan Neo, Romances Planetários, Mini séries, sagas e outras publicações. Enquanto fã, agradeço pela divulgação que este artigo está proporcionando.
    Aos interessados, Existem volumes digitalizados pelo Projeto Traduções, 01 a 649, (http://www.projtrad.org), mediante associação, do qual faço parte.
    Em tempo, a publicação original alemã iniciou em 1962 e no Brasil creio que em 1973 ou 74. Quando comecei a ler, já tinha sido lançado o 34 e tive que comprar os 33 anteriores de uma vez.

  • Douglas Bressar

    Perry Rhodan pra mim tem um valor sentimental enorme, comecei a ler com uns 11 anos de idade e foi onde passei a gostar de sci-fi e fantasia, o quê mais tarde me levou a escrever e me tornar um desenhista/ilustrador.
    Sobre quem copia de quem, hoje percebo que as fontes são tantas e como todas as histórias já foram contadas, fica impossível dizer de onde vem uma ideia original, o que pouco importa na verdade. Seria sensacional se um dia fizessem uma série live action, um filme seria muito pouco pra grandeza da história, de preferência que adaptassem a parte compreendida entre os volumes 200 e 300, na minha opinião o auge da série.