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O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos

O Massacre da Serra Elétrica: O Livro!

Quem viveu a era de ouro das locadoras já experimentou a sensação única de descobrir na prateleira aquele filme com capa bem apelativa, que parecia ter sido feito às pressas para encher os bolsos dos produtores. E foi exatamente isso! Daí, anos depois de você assistir diversas vezes aquele VHS empoeirado (sim, limpeza nem sempre era o forte destes locais), algum livro ou revista de cinema dedica algumas páginas a ele e é taxativo: um clássico!  São esses filmes que nasceram pequenos no orçamento, mas fizeram uma revolução silenciosa no cinema, em especial o de horror, o foco da coleção Dissecando Clássicos da editora carioca Dark Side Books. Um dos melhores livros é dedicado ao melhor trabalho da carreira do diretor Tobe Hooper: O Massacre da Serra Elétrica.

(Falando em Tobe Hooper, o diretor e sua obra mais famosa estiveram na pauta de um Formiga na Tela)

O Massacre da Serra Elétrica - Arquivos Sangrentos

O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos faz a alegria dos fãs ávidos por informações de bastidores!

O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos (The Texas Chainsaw Massacre Companion), escrito por Stefan Jaworzyn, é mais que uma compilação de entrevista com o pessoal envolvido na realização do filme. A seleção de informações feitas por Jaworzyn traz novos significados para aquele que, logo em seu lançamento, foi considerado um filme de mau gosto e que não tinha nada a dizer. Óbvio que quem assistiu a ele na adolescência estava mais interessado nas tripas e perseguições do maníaco Leatherface (que continua inspirando imitadores). Mas uma das coisas legais de rever produções na fase adulta está em encontrar um novo filme dentro do filme. Parece loucura, mas não é.

Anatomia de um clássico

Logo na apresentação da edição brasileira, temos a informação de que o título em português do filme deixou de lado a sua essência. The Texas Chainsaw Massacre expõe o cenário da história não por acaso. A aridez do estado norte-americano preferido pelos faroestes seria a ideia perfeita do lugar para se perder. Tanto no sentido literal da palavra como na fantasia do sol quente que derrete os miolos e nos faz enxergar um cara correndo com uma serra elétrica em nossa direção. Aliás, a “serra elétrica” do título nacional não faz sentido, já que seria necessário estar ligada na toma para funcionar. Leatherface tem uma motosserra. Meio óbvio, mas esta que vos escreve se sentiu uma analfabeta por nunca ter percebido isso.

O Massacre da Serra Elétrica - Arquivos Sangrentos

Ao longo de suas 320 páginas, Jaworzyn espalha depoimentos de atores, assistentes de câmera e do próprio diretor Tobe Hooper em contraste com as críticas da época de lançamento do filme. Grotesco, extremo e nojento são alguns dos adjetivos mais leves endereçados a primeira aventura de Leatherface nas telonas. Aliás, o livro também analisa os sete “filmes-irmãos” de O Massacre da Serra Elétrica, entre sequências e remakes, e traz uma breve biografia de Ed Gein, assassino em série que seria a inspiração para o protagonista do longa.

Repleto de informações, O Massacre da Serra Elétrica – Arquivos Sangrentos deve agradar curiosos e fanáticos por terror e tornar-se uma boa fonte para quem quiser dissecar ainda mais a criação de Tobe Hooper e sua turma. Porém, os que nutrem um carinho especial pelo filme original, com certeza irão comover-se com as primeiras páginas, onde o ator Gunnar Hansen escreve um prefácio emocionado, uma verdadeira declaração de amor a Leatherface e tudo que ele proporcionou ao seu intérprete. Até quem perdeu noites de sono com medo do mascarado vai ensaiar algumas lágrimas. Sangrentas, quem sabe.

(Já que você curte terror, leia também a resenha de Medo de Palhaço e este artigo sobre a evolução do gênero na literatura)

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