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Alien – Filme ampliado!

O livro Alien é indicado aos admiradores do xenomorfo

É certo que novelizações de roteiros cinematográficos só interessam, na esmagadora maioria dos casos, aos admiradores dos filmes em questão. Partindo deste princípio, o que alguém que conhece o filme de trás para frente pode esperar de um produto como esse, já que o choque, ponto de virada ou qualquer outro artifício desta escrita já nasce comprometido por spoilers oficiais? Como não há surpresa, sobra o fator de expansão daquilo que foi visto na tela, com mais descrições, mais acontecimentos dentro da trama e, quando é possível, um aprofundamento psicológico maior dos personagens. O livro acaba se tornando uma espécie de “versão do diretor”, deliciando o fã interessado em aumentar sua experiência, e Alien persegue exatamente esse objetivo, adaptando o texto que Dan O’Bannon escreveu para Alien – O 8º Passageiro, dirigido por Ridley Scott em 1979.

(Confira também um ranking dos filmes da franquia e um artigo sobre o pessimismo cósmico em O Oitavo Passageiro)

livro alien

O livro Alien expande a experiência do público do filme!

Lançado originalmente no mesmo ano do filme, o livro é de autoria do prolífico Alan Dean Foster, que já possuía experiência neste tipo de adaptação naquele momento, pois havia trabalhado na novelização dos episódios da série animada de Star Trek e de Star Wars: Uma Nova Esperança, como ghost writer de George Lucas. A nova edição de Alien conta com um prefácio exclusivo do autor, além de um projeto gráfico caprichado e duas entrevistas no final, concedidas por Sigourney Weaver e Ridley Scott em 1984, o que a torna mais atrativa e comprova o esmero da editora Aleph. E aquilo que realmente interessa? É bom? Depende…

Parece desnecessário explicar, mas caso alguém ainda não saiba, Alien mostra a tripulação da nave rebocadora Nostromo voltando para a Terra depois de um trabalho concluído. O incidente que dá início à trama é a investigação de um sinal, aparentemente de socorro, emitido de um planeta próximo, o que permitirá que um organismo alienígena, desconhecido e mortal, se infiltre entre eles. Foster faz um bom trabalho, dentro daquilo que era possível em sua função, mantendo-se completamente ancorado no roteiro do filme, o que é uma qualidade e um problema ao mesmo tempo. A via inversa das adaptações – livro que vai para o cinema – tem uma flexibilidade que escritores na posição dele não têm, trabalhando presos a um material originalmente concebido para um meio visual.

O livro Alien é indicado aos fãs do filme original.

A tripulação do filme. A partir da esquerda, Kane, Lambert, Dallas, Parker, Ripley, Brett e Ash!

Claro que o ritmo funciona melhor no filme

Posto isso, vale comentar o ritmo comparando com o do filme. Em cerca de 300 páginas, temos um terço disso dedicado às apresentações de personagens e um maior detalhamento dos equipamentos e seu funcionamento, aproximando o texto de uma ficção científica mais cabeçuda. Evitando as descrições meramente físicas, os tipos de personalidade de Dallas, Kane, Ripley, Lambert, Ash, Brett e Parker são delineados, mas a quantidade de informações acaba cansando enquanto o ponto de virada não chega. No filme isso acontece em um momento equivalente, em cerca de 40 minutos, fechando o primeiro terço da narrativa, mas ali essa divisão funciona perfeitamente.

Saber tudo de antemão piora esse início. Felizmente, passado este trecho, Alien ganha o reforço da própria situação tensa, enquanto o leitor procura identificar o que estava no filme e o que o livro lhe oferece de novo. Se você, por acaso, possui ou teve acesso ao DVD ou Blu-Ray, já conhece todas as cenas excluídas, que aqui estão integradas ao texto. Algumas delas nos fazem pensar se não deveriam estar no filme, encaixando-se bem na cadência dos acontecimentos descritos no livro. Quando a coisa engata, é difícil não lamentar o conhecimento prévio do que existe por trás daquela situação.

O livro Alien é indicado aos fãs do filme original.

O que vai determinar o prazer desta leitura é o quanto você se importa com o universo dos xenomorfos. Ainda que não mude a vida de ninguém, é um livro rápido de ler, passado seu primeiro ato, e uma diversão bem razoável, valorizado por uma edição caprichada e algumas informações adicionais nas entrevistas do final, ainda que a de Ridley Scott tenha algumas perguntas bem cretinas.

Conforme as observações do começo, se a ausência de surpresas não é um problema, deixe a trilha de Jerry Goldsmith* rolando em volume baixo e embarque na última viagem da Nostromo. Ainda vale mais que muito best-seller por aí.

*Caso isso seja difícil, sugerimos que você escolha sua trilha sonora AQUI!

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