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Hey! Pikmin – Série ainda mostra que tem diversão para oferecer!

Spin off da série Pikmin ainda oferece desafios e diversão

A série Pikmin nunca chegou a alcançar a posição de estrelato das maiores franquias Nintendo, mantendo-se sempre a sombra de nomes como Mario, Zelda e Donkey Kong. Ainda assim, embora seu gameplay estratégico e cronometrado não agrade a todos, o título cultiva uma fan base que recebeu com desconfiança a notícia de um spin off em 2D, adaptado a jogabilidade touch do portátil 3DS e claramente simplificado.

pikmin

Ao testar o jogo em seu lançamento, logo notei que meus medos eram infundados e que não faltou personalidade ao trabalho da desenvolvedora Arzest. Embora um tanto superficial em relação a serie principal, tanto no plot quanto na jogabilidade, o novo jogo é bem-sucedido ao misturar elementos de plataforma com a resolução de puzzles mais lineares, porém não menos interessantes.

Mais uma vez nosso carismático e azarado capitão Olimar tem sua nave danificada por asteroides e é forçado a fazer um pouso de emergência num planeta desconhecido. A tarefa do jogador aqui é a mesma da série principal: conseguir recursos para consertar e reabastecer seu meio de transporte elevar o protagonista para casa. Entre tesouros, alimentos e sementes coletáveis, o jogo estabelece como objetivo essencial para a partida o acumulo de 30.000 Sparklium, o combustível da nave Dolphin II.

O primeiro diferencial notado aqui é a ausência do marcador de tempo. Todos os estágios se valem das duas telas do 3DS para serem visualizados por completo, e é um alivio saber que essa exploração pode ser feita de forma detalhada e de acordo com a disponibilidade do jogador, dialogando com a proposta portátil.

Não que isso signifique ausência de desafios, pelo contrário. Como sempre ao desembarcarmos, o contato com os Pikmin é imediato e somos apresentados a necessidade de proteger esses seres de seus predadores ao mesmo tempo que nos utilizamos de suas habilidades especificas para progredir. O jogador controla os movimentos de Olimar com o Circle Pad, e as demais interações serão feitas através da caneta Stylus.

Dessa forma usamos o toque para chamar as criaturas, ordena-las a atacar e selecionar os locais e itens onde queremos posicionar nossos ajudantes. Baseados nessa mecânica intuitiva, temos mais de 40 estágios onde o uso dos diferentes tipos de Pikmin, e a necessidade de se manter um certo “estoque” de cada uma se faz essencial inclusive para a movimentação entre as diferentes plataformas do cenário.

 

As criaturas amarelas por exemplo, além de resistir a eletricidade alcançam mais facilmente as partes superiores da tela, podendo mover objetos e abrir caminhos para a chegada do grupo inteiro ou mesmo coletar determinado item que facilite o progresso em terra. Por outro lado, os Pikmin alados são os únicos que podem carregar Olimar até as partes subterrâneas do estágio, onde se encontram as partes secretas. Já os aquáticos tomam a frente diante da necessidade de derrotar inimigos ou eliminar obstáculos quando nos encontramos a margem de lagos, sem poder atravessar, enquanto os vermelhos limpam caminho utilizando fogo, ao qual são resistentes.

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Jogador deve ter atenção aos detalhes

E se nos momentos iniciais, com menos variedade e opções, ainda é fácil discernir a ação indicada para o progresso, conforme avançamos é preciso observar com calma o cenário como um todo e avaliar com cuidado o custo benefício de cada escolha, inclusive as que podem colocar em risco a vida dos Pikmin essenciais naquele momento. Esse, aliás, é um dos elementos mais interessantes do desafio do jogo, pois nos força a uma cautela que raramente se faz necessária nos video games, onde o impacto de nossas falhas tem sido cada vez menor.

Movimentos impensados podem lançar para a morte criaturas que serão essenciais para resgatar tesouros ou atingir plataformas onde apenas suas habilidades são funcionais. Vale ressaltar que o jogo não é punitivo a ponto de impedir jogadores mais afoitos de completar suas tarefas básicas, porém a experiência completa de cada mapa fica reservada ao que dedicam tempo e atenção aos detalhes antes de agir.

 

Enquanto na série principal a atenção do jogador fica em grande parte presa ao relógio, limitando uma visão mais ampla de cada cenário, inclusive pela perspectiva 3D, aqui a observação e planejamento de espaço, distância, e recursos são pré-requisitos para cada decisão. No começo é fácil termos a ilusão de que nosso ponto de partida é o local mais importante, até pelo uso da Stylus que se faz sempre na tela inferior. Porém após repetidos fracassos o jogador se verá mapeando cada canto de ambas as telas antes de escolher uma das estratégias de ação.

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E sim, elas são múltiplas, outra adição desse spin off. Se por um lado é fácil perder ajudantes por decisões apressadas, por outro sacrificar conscientemente parte da sua escolta para explorar por completo um dos pontos de vista do mapa e retornar depois para aproveitar habilidades diversas dos pequenos é uma alternativa que além de valida, proporciona um fator replay bastante interessante, ao oferecer mais de uma abordagem possível para os mesmos desafios.

Limitações não prejudicam diversão

É fato que a limitação de hardware do 3DS tenha nos privou do bem elaborado roteiro da série e de um maior desenvolvimento do plot, bem como do leque de possibilidades das estratégias tradicionais ao tornar a interação um tanto plana.

Porém o visual do jogo não deixa a desejar e a vivacidade das cores permite mesmo aos jogadores mais acostumados aos visuais em alta definição encarar a baixa resolução como um detalhe ao longo da jornada, embalada inclusive por uma trilha sonora que reforça a atmosfera acima de tudo singela do jogo, elemento que a Arzest foi capaz de captar e manter, mesmo sendo sua primeira incursão na franquia.

Em momentos específicos de cada level nos deparamos inclusive com cenas protagonizadas exclusivamente pelos Pikmin, que brincam e exploram juntos o cenário em pequenas cinemáticas surpreendentes e adoráveis, dando um charme único ao jogo.

Hey! Pikmin é um título que redimensiona sua série principal e parece ter potencial para um dia coexistir com ela em patamar de igualdade, especialmente se migrar para o sistema mais complexo do Switch. Oferecendo um tipo de jogabilidade alternativo que tanto pode trazer um novo olhar a experiência dos antigos fãs, quanto conquistar novos seguidores que venham atraídos pela forte presença do estilo platformer, bastante popular entre os jogadores Nintendo, ele oferece um trabalho cuidadoso e que cresce aos olhos de cada jogador proporcionalmente a medida da sua vontade de desvendar novas possibilidades e descobertas.

Como acontece em muitas IPs da Nintendo, o valor aqui não está em zerar o jogo, mas em aproveitar cada momento da jornada.

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