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Uma Família De Dois – O imenso carisma de Omar Sy!

Omar Sy e Gloria Colston brilham em Uma Família De Dois

Intocáveis, de 2011, foi um dos maiores sucessos de público dos últimos anos. O triunfo do longa foi tão grande que um remake argentino já foi realizado – o intragável Inseparáveis – e outro americano está sendo feito. Sem entrar nas questões artísticas da obra, é difícil negar que o seu principal destaque ficava por conta da revelação do intenso e imensamente carismático Omar Sy. Como Hollywood costuma ir atrás de quase todos os novos talentos, foi questão de tempo até que ele surgisse participando de produções milionárias, como Jurassic World, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido Inferno. Mas isso não significa que ele esqueceu das suas origens. Retornando à França, fez o ótimo Chocolate e, agora, surge novamente com mais um projeto, o bom Uma Família De Dois (Demain Tout Commence).

Crítica de Uma Família de Dois

Uma Família de Dois

No filme, ele interpreta o gentil Samuel. Bon-vivant e irresponsável, ele trabalha numa pousada à beira-mar, localizada numa das paradisíacas praias francesas. Após uma de suas típicas noitadas, regada a muito sexo e bebida alcoólica, ele acorda ao som da pior notícia que poderia ouvir no momento: se tornou pai. Porém, não tinha como esperar que a mãe da criança, uma jovem chamada Kristin (Clémence Poésy), iria deixá-la nos seus braços, entrar num táxi e desaparecer por um período de tempo. Depois de buscar incessantemente pela genitora, ele aceita o novo papel que lhe cabe, cuidando afavelmente da criança. Porém, anos depois, a relação entre os dois é ameaçada pelo ressurgimento de Kristin, que parece ter planos para se tornar a guardiã da filha.

Dizer que Omar Sy é o grande atrativo de Uma Família De Dois é ser extremamente redundante. Sozinho, com o seu sorriso cativante e jeito estabanado, ele é capaz de transformar qualquer filme, por pior que seja, numa experiência minimamente agradável. Quando está trabalhando com um ator igualmente carismático, então, parece transbordar de encantamento. Foi assim em Inseparáveis, quando atuou ao lado do grande François Cluzet (que pôde ser visto no recente Insubstituível), e também é assim no longa do diretor Hugo Gélin. A química entre ele e a jovem Gloria Colston, que interpreta a filha do seu personagem e se mostra ser uma grata revelação, é encantadora. É impossível não torcer pelo sucesso dos dois (isso é essencial não somente por causa dos eventos do terceiro ato, como também em razão do desenvolvimento da própria trama).

Crítica de Uma Família de Dois

No entanto, se a primeira hora de filme funciona perfeitamente, o mérito não é apenas dos dois atores. Menções devem ser feitas à direção ágil de Gélin, que, respeitada pela montagem precisa de Valentin Feron e Grégoire Sivan, estabelece o ritmo certo para que o público consiga tanto se divertir na presença dos personagens quanto se envolver emocionalmente com os seus dramas; à fotografia viva de Nicolas Massart, cuja paleta de cores faz com que a alegria de Samuel e Gloria exploda na tela em quentura e conforto; ao inteligentíssimo trabalho de Emma Davis e Hélène Rey, que refletem a inocência dos dois personagens principais através da decoração do apartamento onde moram, constituída, majoritariamente, de móveis e objetos infantis; e, por fim, às atuações de Antoine Bertrand e Clémence Poésy, coadjuvantes tão carismáticos e divertidos quanto Sy e Colston.

Uma mudança drástica de qualidade

Se a junção de todos esses elementos faz da primeira metade do filme algo prazeroso de ser acompanhado, o mesmo não pode ser dito da junção daqueles que compõem a parte final. Aqui, a culpa cai inteiramente sobre os ombros dos roteiristas. Embora estejam adaptando um texto alheio (Uma Família De Dois é a versão francesa do longa mexicano Não Aceitamos Devoluções), eles poderiam ter se decidido por um único conflito, ao invés de três. Deixando a situação ainda pior, cada um desses conflitos – com a exceção da luta pela guarda da filha – se mostra equivocado.

Crítica de Uma Família de Dois

O primeiro deles, que tem a ver com a superação dos próprios medos, é completamente jogado na narrativa. Pelo simples fato de terem iniciado o filme com um parábola sobre o assunto, os roteiristas se sentiram à vontade para abordá-lo novamente no final, não demonstrando nenhum interesse em desenvolvê-lo ao longo da história. O segundo, envolvendo um mistério sobre a saúde de um dos personagens, sofre do mesmo problema do primeiro. Apesar de ter sido mencionado ainda no começo, ele é simplesmente abandonado no segundo ato e surge somente no terço final, acompanhado de uma mudança indevida de tom e um plot twist vergonhosamente mal trabalhado.

Assim, é muito provável que o espectador saia da sala de cinema indeciso sobre a qualidade do que acabou de ver. Será que o filme é bom ou ruim? Na contagem final, o número de elementos positivos é maior que o de negativos. No primeiro ato e em boa parte do segundo, assistimos ao filme com um longo sorriso em nossas bocas. Infelizmente, no terço final, o texto do longa começa a derrapar, quase colocando tudo a perder. No entanto, esses deméritos não são suficientes para impugnar o que tinha sido conferido até então. No fim, o saldo depois muito mais a favor do que contra. E isso se deve, em grande parte, ao carisma de Colston e, principalmente, de Omay Sy. Como pode ser grande a força de um ator!

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