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Um Filme de Cinema – Para quem ama e faz!

Um Filme de Cinema é um deleite para os cinéfilos!

Walter Carvalho é o diretor de fotografia mais respeitado no atual cenário brasileiro. O pernambucano tem no currículo filmes como Central do Brasil, Abril Despedaçado, Lavoura Arcaica, Cazuza – O Tempo Não Para e os recentes O Filme da Minha Vida e Redemoinho e é um dos melhores profissionais em termos de cinematografia. Além de fotógrafo, Carvalho é diretor. Como diretor de ficção, ele se mostra irregular como mostra o aborrecido Budapeste e o já citado Cazuza, apenas mediano, mas como documentarista ele se mostra mais à vontade, como demonstra o sensível Janela da Alma e o ótimo Raul – O Início, O Fim e O Meio. Agora, ele mostra todo o seu amor pela Sétima Arte com sua carta aberta: Um Filme de Cinema, seu novo documentário, levando mais de 14 anos para ser feito.

Crítica de Um Filme de Cinema, de Walter Carvalho.

Um Filme de Cinema

O longa mostra uma série de entrevistas com vários cineastas, como o moçambicano Ruy Guerra, os argentinos Hector Babenco e Lucrécia Martel, o húngaro Bela Tarr, os brasileiros, José Padilha e Julio Bressane, o inglês Ken Loach e o polonês Andrej Wajda, entre outros, querendo saber o que é o Cinema para esses diretores e as suas definições sobre essa arte.

O longa tem um ritmo muito bom e uma montagem bem elaborada, deixando que o espectador não se perca durante as diferentes visões dos entrevistados quanto ao assunto. Também tem cortes muito criativos, como os momentos em que os diretores falam de sua infância em salas de cinema, passando para cenas de Cinema Paradiso de Giuseppe Tornatore. Essas transições funcionam muito bem, ilustrando o sentimento do entrevistado e trazendo humor para o filme, como o momento em que Babenco fala sobre a primeira vez que sentiu algo por uma mulher vendo um filme, que é bem engraçado.

A gama de visões diferentes dos entrevistados é o que deixa Um Filme de Cinema um verdadeiro deleite para cinéfilos. Cada um fala sobre o seu processo e como se adequa ao universo criado pelo cineasta: como Guerra faz a sua decupagem? Qual a importância do som nos filmes de Martel? Por que Tarr utiliza longos planos-sequência? Como é a direção de atores de Ken Loach? Os diretores falam espontaneamente sobre os seus métodos, sem que o filme soe como um discurso acadêmico sobre como fazer cinema, demonstrando sinceridade nos discursos e o amor que eles têm pelo que fazem. Algumas são muito emocionantes como as de Tarr e Loach, outra pouco agregam ao conteúdo, como as de Padilha e Babenco. No geral, o material captado se mostra muito rico.

Outro fator estético muito importante está na fotografia, sendo a principal feita por Lula Carvalho e Pablo Baião. Parece que ela se adapta ao estilo visual marcante de cada diretor: Guerra é entrevistado na contra-luz; Martel em uma luz naturalista; Padilha com a imagem limpa olhando para a câmera; Tarr em meio a um preto e branco melancólico; etc.. Rende um visual muito interessante e confere uma forte identidade a cada entrevistado.

Crítica de Um Filme de Cinema, de Walter Carvalho.

Qual o seu público?

É bom deixar claro: Um Filme de Cinema é um filme especialmente para cinéfilos. Quem quer conhecer ou tem pouco conhecimento sobre o assunto não vai embarcar na viagem que o longa propõe. Não explica os termos técnicos usados, supondo que o espectador já esteja familiarizado. É uma obra que tem o seu público muito bem definido e esse não vai decepcionar, mas um espectador leigo vai, muito provavelmente, considerá-lo entediante.

Outro problema está na estrutura referenciando Cinema Paradiso, dedicando a ele cerca de vinte minutos da duração total. Se torna uma gordura desnecessária em uma experiência que já estava perfeita . Não que seja ruim, já que há conversas com os atores do filme de Tornatore, mas soa completamente deslocado, transformando uma boa ideia em um problema que poderia ser evitado.

Enfim, Um Filme de Cinema é obrigatório para qualquer cinéfilo, principalmente os estudantes de cinema. É um longa honesto, que passa toda a paixão que Walter Carvalho e seus entrevistados têm pela Sétima Arte. Depois dessas entrevistas e todo amor demonstrado, o verdadeiro público-alvo do filme vai sentir-se bastante recompensado.

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