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Primeira Guerra Mundial – A volta do conflito na mídia!

A Primeira Guerra Mundial está novamente sob os holofotes da cultura pop

Há uma apreciação incomum e apaixonada por certos assuntos no mundo do Cinema. Não importa o país, ou o estilo das produções, a cultura, enfim; algumas temáticas são carregadas de fôlego para a arte de se contar histórias. Uma delas sem dúvida é a Segunda Guerra Mundial, um período histórico de agitações políticas, tragédias, criações científicas e bélicas inovadoras, injustiças, e tantos outros acontecimentos que fermentam as imaginações do público, e de roteiristas e diretores.

primeira guerra

As terríveis trincheiras.

Isso tudo nós sabemos e já vimos muitas vezes. Para não ser injusto, os “palcos” da Guerra do Vietnã e a Guerra Fria também já nos renderam contribuições cinematográficas memoráveis. As produções mais atuais que tratam dos conflitos recentes, como a Guerra do Iraque por exemplo, estão bem frescas na mente do público. As histórias também já nos levaram junto aos seus ensaios de conflitos futuros, com armas a laser e invasões interplanetárias (Sim, leitor, estou me contendo pra não dizer “houve até guerra nas estrelas”. Prefiro evitar o trocadilho!).

Todos esses infelizes capítulos bélicos da nossa história já terminaram há um bom tempo em sua maioria. O fato é que a relevância de se fazer filmes e séries, publicar livros, quadrinhos, ou qualquer coisa sobre eles, se mantém muito atual, e o público é complacente com essa estima.

Uma guerra, no entanto, no auge dos seus acontecimentos também foi muito popular nas telonas pelo mundo, e até mesmo uma ou duas décadas depois de seu término. No entanto, ao longo dos anos não foi mais explorada com tanta intensidade e apreço como as outras. Estamos falando da Primeira Guerra Mundial, o acontecimento de maior proporção do começo do século passado, uma época em que a Revolução Industrial efervescia e o Cinema começava a amadurecer.

Um fato dessa proporção, e que pudesse ser amplamente registrado em vídeo, era um convite aos entusiastas que tinham uma câmera ao alcance das mãos. Daí saíram as filmagens, propagandas de guerra, documentários e os filmes aos quais temos acesso até hoje.

Longe deste que vos escreve querer dar uma aula de história, mas é importante citar que na época, a Europa vivia uma paz elusiva, mascarada por questões territoriais mal resolvidas entre vários países, ambições por terras, colônias, desejo de unificar povos de mesma língua, insatisfações entre classes sociais. A maioria dos países viviam agitações externas e internas.

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Pegou no bigode, mas foi fatal.

Se pararmos pra pensar, esses são os motivos que abastecem a maior parte das guerras, e eis que em 28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono da Áustria-Hungria, foi morto com um tiro por um terrorista sérvio chamado Gavrilo Princip. Pouco tempo depois, a Áustria, com o consentimento da aliada Alemanha, declarou guerra à Sérvia. Logo, os países aliados de ambos os lados tomaram suas dores, e tivemos a guerra que perdurou até 1918.

Podemos dizer que, depois de algumas décadas em quase esquecimento na cultura pop, a Primeira Guerra Mundial tem tido um novo fôlego como cenário para histórias, com maior destaque para os últimos 2 ou 3 anos. Podemos creditar esse resgate às “comemorações” das datas dessa guerra, uma vez que até 2018 tudo relativo à ela fará 100 anos. Vamos citar algumas produções que têm trazido esse acontecimento à memória do público nos tempos atuais (ou nem tanto), e aproveitar para explicar algumas características desse conflito.

Mulher Maravilha (2017) (Cuidado – spoilers!)

Pra começar, destacamos um dos filmes mais recentes a citar a Primeira Guerra. Já nos trailers, o período em que se passaria o filme era enunciado quando Steve Trevor dizia que estava lutando na “guerra que irá acabar com todas as guerras”. Esse era o sentimento na época, uma vez que a Europa não entrava em conflita há mais de 40 anos, e as gerações atuais tinham uma visão heroica e romântica do ato de guerrear. Previa-se ingenuamente uma guerra curta e que traria algum tipo de resolução pacífica para as inquietações políticas e revolucionárias da Europa.

A vilã Dra. Maru mostrou o estereótipo da ciência servindo armas de destruição em massa, com o uso de gases nocivos nas batalhas, uma das infelizes novidades nesse período. O interessante é que no longa, um dos depósitos dessas armas é destruído por Trevor a bordo de um avião, lançando uma bomba no telhado. Outra modalidade de ataque que nascia.

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Uma cena em questão merece ser citada. Quando Diana chega a um dos fronts com Steve, ouve deste que as tropas aliadas estão estacionadas naquele lugar há mais de 1 ano. Ela então sobe a trincheira e avança sobre os inimigos, ganhando terreno. A Primeira Guerra é considerada a guerra das trincheiras, pois boa parte dos conflitos não aconteceu em terreno aberto.

Protegidos nessas fortificações, e sempre a poucos metros dos inimigos à frente, os soldados de ambos os lados administravam algumas situações. Havia, sim, os avanços frenéticos e muitas vezes suicidas sobre as trincheiras inimigas, mas em boa parte dos casos, ambos os lados resguardavam seus esforços por estratégia, ou por não poder se equiparar ao poder de fogo inimigo.

Adotava-se também a política do “viva e deixe viver”. Desiludidos com a guerra e seus comandantes, cansados das mortes e atrocidades, famintos, doente, em muitos fronts cultivou-se uma espécie peculiar de respeito, onde os lados não atacavam os carregamentos de provisões do inimigo, respeitavam os horários de descanso, assim como os das refeições e muitas vezes até comiam juntos confraternizando. Esse marasmo era quebrado quando os oficiais chegavam e davam ordens de ataque.

 

 

Lawrence da Arábia (1962)

Tinha prometido fazer uma lista mais atual, mas é praticamente um crime não citar o épico dos épicos aqui. Dirigido pelo grande David Lean e protagonizado de forma carismática, competente e absolutamente memorável por Peter O’Toole, tanto o filme quanto o livro em que se baseou, Sete Pilares da Sabedoria, contam a história do carismático e intrigante Thomas Edward Lawrence, oficial britânico.

Sua carreira militar começou em 1914, no Oriente Médio. Era um inglês com bastante apreço pela cultura Árabe, um arqueólogo que desde 1911 servia o seu governo em Carquemis (fronteira entre Turquia e Síria) como agente secreto, recolhendo informações sobre o Império Otomano. Usou esse conhecimentos e sua familiaridade com a geografia da região para auxiliar os Árabes em sua revolta, que ao longo dos anos conseguiu enfraquecer os Turcos-Otomanos, aliados dos alemães.

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Era um líder querido e identificado com o povo Árabe, como mostra o filme e como se faz a lenda acerca dele. Obviamente, foi o mais importante incitador de revoluções nesse período, mas não o único, uma vez que essa era uma estratégia muito usada. As alianças com países fora da Europa nessa guerra envolviam interesses de lucro, conquista de territórios e independência dos colonizadores. Ao fim da Primeira Guerra em 1918, Lawrence abandonou o exército, e morreu em 1935 de um acidente de moto.

Promessas de Guerra (2014)

Vamos dar uma moral para o nosso eterno gladiador. Dirigido e estrelado pelo neozelandês Russell Crowe, esse filme conta a história do furador de poço australiano Joshua Connor, à procura a de seus filhos desaparecidos em Galípoli, na Turquia. Em 25 de abril de 1915, cerca de 70.000 soldados aliados desembarcaram nessa península na maior invasão marítima da história. Entre eles estavam as divisões ANZAC formadas por soldados australianos e neozelandeses, combatendo ao lado de franceses e britânicos as tropas turcas.

Desembarques equivocados e mal planejados fizeram com que esse dia fosse extremamente sangrento para os ingleses e os ANZACS. Mesmo com alguns sucessos, a descoordenação, as condições climáticas, doenças, sede, e a podridão dos mortos minou as forças e a motivação dos aliados. Em 20 de Dezembro do mesmo ano, deixaram o local, fato esse muito comemorado pelos turcos, apesar de suas baixas terem sido quase iguais (Estima-se mais de 200.000 para cada lado).

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Essa campanha é um dos muitos marcos na Primeira Guerra, e até hoje, todo dia 25 de abril é comemorado o “ANZAC Day” na Austrália e Nova Zelândia, em homenagem aos combatentes. Menções honrosas ao longa Gallipoli, de 1981, que também trata desse acontecimento.

Cavalo de Guerra (2011)

Spielberg já havia trazido sua visão eloquente para retratar a Segunda Guerra Mundial em O Resgate do Soldado Ryan (1998). O sangue, as tragédias e a crueza dos campos de batalha não puderam voltar para sua retratação da Primeira Guerra, uma vez que a proposta era um filme família. Na história, o jovem britânico Albert Narracott vê seu cavalo Joey ser vendido para o exército, e parte em busca dele correndo toda a sorte de perigos.

Cerca de 8 milhões de cavalos, mulas e afins perderam suas vidas inocentes na Primeira Guerra Mundial. No início do conflito, enquanto o maquinário de combate ainda não tinha sido desenvolvido completamente para as exigências dos campos de batalha, os cavalos eram uma opção forte, obediente, ágil e veloz. Usados no transporte de artilharia, seja munição no próprio lombo, ou puxando carroças com todo tipo de provisões, transporte de canhões, e principalmente em combate, compondo a cavalaria dos exércitos.

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Em tempos onde se usavam ainda baionetas e espadas, logo percebeu-se que os cavalos eram alvo fáceis para as metralhadoras montadas e toda sorte de artilharia. Os que não morriam ou eram inutilizados dessa forma, supriam a fome miserável das tropas. Logo vieram os tanques, os desbravadores de trincheiras, a grande novidade dessa guerra juntamente com os aviões. Lentos e desajeitados, ainda assim eram uma opção resistente e destruidora. O uso de cavalos foi reduzido, e esse foi o último capítulo bélico de larga escala a usá-los.

Apocalypse: World War I (2014)

Lançado 100 após o início da Primeira Guerra, essa série de documentários é uma das mais aclamadas e instrutivas da atualidade. Dividido em 5 episódios e difundido em vários países, Apocalypse é uma visão “remasterizada” do acontecimento histórico, pois adiciona cores e sons aos registros da guerra, além de narrar cartas reais de soldados, comandantes e civis para contextualizar as impressões e sentimentos que as pessoas tinham sobre o que acontecia.

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O compromisso é de trazer uma capitulação mais leve e renovada do início ao fim da guerra, mas mesmo assim, é sentido uma certa carência de abordagem aos combates na frente oriental do império otomano. Recomendadíssimo.

Battlefield 1 (2016)

Sim, os games!! Uma das séries de jogos de guerra mais adoradas, Battlefield tem como tema de seu mais recente lançamento, a Primeira Guerra Mundial. Conhecida por transitar entre guerras do passado, guerras atuais e conflitos futurísticos, a famosa franquia já estava há anos tendo como palco para seus jogos, os tempos atuais. Via seu principal rival, Call of Duty, que teve estrondoso sucesso no começo da década de 2010 com a série Modern Warfare, começa a perder prestígio por conta da sua insistência em guerras futurísticas desde meados de 2012.

O presente e os futuros fantasiosos permeavam as duas franquias, e aí Battlefield 1 resolveu dar um passo “atrás”, mostrando a Guerra das Guerras como uma chance de respirar novos ares. O FPS Verdun, de 2015, também merece absoluta menção honrosa por fomentar o desejo de se jogar nos campos da Primeira Guerra, mas o fato é que a mesma nunca havia chegado à uma série tão notória quanto Battlefield.

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O modo campanha e o multiplayer mergulham o jogador em batalhas e cenários verídicos, com riqueza de detalhes impressionante. O que é sempre mais interessante em Battlefield são as retratações precisas das armas e veículos da época. Essa foi a guerra que introduziu o uso de carros, aviões, tanques e submarinos nos combates em larga escala. O jogo pode ser considerado como grande fomentador do atual interesse na Primeira Guerra, e ainda tem longo fôlego para os próximos anos.

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