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Pai em Dose Dupla 2 – Mais uma comédia natalina sem graça!

Sabe aquele típico filme natalino bobo? Pai em Dose Dupla 2 é só mais um…

Existem aquelas datas especiais para que se façam filmes sobre a comemoração. Halloween, Dia dos Namorados, o Ano Novo… O campeão é o Natal, com uma lista infinita de obras temáticas. Algumas vezes, são produções relevantes, como A Felicidade Não Se Compra ou o Milagre na Rua 34. Na maioria dos casos, são apenas idiotas, aproveitando fórmulas fáceis. Pai em Dose Dupla 2 (Daddy’s Home 2) pertence à segunda leva e não passa de uma comédia imbecil. Mesmo com um ou outro momento engraçadinho, não é nada mais que um estorvo.

Crítica de Pai Em Dose Dupla 2

Pai Em Dose Dupla 2

O longa mostra como está o Natal dos dois pais de uma família, apresentado no primeiro filme. O bondoso e calmo Brad (Will Ferrell) e o debochado e durão Dusty (Mark Wahlberg, do último Transformers), respectivamente, padrasto e pai biológico. Ambos percebem que as crianças estão tristes porque os pais não passam as festas juntos e Brad decide o seguinte: não só a família vai passar o Natal junta, como os dois avôs também virão. Assim, chegam o pai de Dusty, o truculento e machista Kurt (Mel Gibson, ressurgido como cineasta em Até o Último Homem), e o alegre e sorridente pai de Brad, Don (John Lithgow, de O Contador). Claro que nem tudo dará certo, pois haverá muito confusão!

Sejamos honestos: ninguém vai ver um filme desses esperando um roteiro brilhante e atuações primorosas, mas ele tem que ser o mínimo do que se propõe: engraçado. E isso Pai em Dose Dupla 2 não consegue ser, por várias razões. Vou focar em três:

  • As piadas não tem graça e os realizadores não decidiram se elas são para um publico infantil ou mais velho;
  • A comédia nunca é orgânica, já que todos teriam que ser engraçados para isso;
  • As situações são clichês e previsíveis, vistas em qualquer filme de Natal com uma família disfuncional.

Dito isso, o roteiro ainda tenta criar ”arcos dramáticos” que simplesmente são inúteis de tão rasos. Como o fato de Dusty e Kurt não se darem bem, a filha mais velha de Dusty que não o respeita, a misteriosa felicidade excessiva de Don… Deu para perceber que, além de inchado, o roteiro do diretor Sean Anders e John Morris é preguiçoso por suas subtramas tão óbvias. Não contentes, decidem fazer um clímax em um lugar publico, onde pessoas aleatórias param e reagem a briga da família com “ohhhh”, “ahh” e “eeeba”. Pelo amor de Deus!!! Pode funcionar em sitcom, não em cinema.

Um bom elenco que quase –atenção ao “quase” – salva

A única coisa que realmente sustenta um pouco o filme é a dinâmica entre os quatro atores principais. Mesmos rasos, os personagens conseguem alguma personalidade. Os mais velhos se destacam, principalmente o Mel Gibson, que, com a sua voz cavernosa e seu jeito carrancudo, tem algumas das melhores piadas. John Lithgow está bem, apesar das piadas em torno de Don serem as mesmas. O veterano mostra uma boa química com o resto do elenco, principalmente com Will Ferrell.

Crítica de Pai Em Dose Dupla 2

Já que chegamos a Ferrell, ele se torna uma faca de dois gumes. Por um lado, vemos que ele tem um bom timing cômico, principalmente no tipo de humor mais físico. Mas, por outro lado, ele tenta ser engraçado de maneira forçada. Isso acaba deixando-o simplesmente irritante em alguns momentos e acabamos nos perguntando: “Ok, qual será a sua próxima trapalhada?”.

Por fim, temos Mark Wahlberg que, de novo, brinca com o estereótipo do homem macho com o coração mole. Wahlberg, que nunca foi um ótimo ator, até tem carisma. Quando o bom humor de Lightgow e Ferrell tem um embate com a testosterona de Gibson e Wahlberg, há uma química legitima entre eles. Mas só eles se salvam, porque as crianças são forçadas, as mulheres são insossas e a participação do lutador John Cena é uma bobagem sem tamanho.

Sem muito mais a dizer sobre Pai em Dose Dupla 2. É a típica comédia estúpida que vai passar em especiais de canal de TV paga. Melhor procurar uma maratona de Esqueceram de Mim.

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