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O Estrangeiro – Testosterona, chineses e britânicos!

Jackie Chan sem gracinhas em O Estrangeiro

Imagine um Jackie Chan que não está em cena para ser engraçado… Se você não consegue deixar de rir apenas pela lembrança do acrobático ator,  talvez não compense ver O Estrangeiro (The Foreigner) como algo sério.

O filme acompanha a luta por vingança de um pai (Chan, que esteve no péssimo Fora do Rumo) que perdeu sua filha num ato terrorista em Londres. O envolvimento com o IRA, força revolucionária da Irlanda do Norte, o leva a um embate com Pierce Brosnan (do dispensável Invasão de Privacidade), um ex-membro do IRA, agora político. Uma trama com várias reviravoltas e muita ação, homenageando o cinema Brucutu dos anos 1980.

Crítica de O Estrangeiro.

O Estrangeiro

Alguns atores ficam marcados pelo gênero em que atuam. E quando acontece uma oportunidade de se mostrarem mais ecléticos, com papeis fora do estereótipo que trouxe a fama, eles acabam agarrando a chance com unhas e dentes. Os casos mais clássicos são os de humoristas fora de seu ambiente, como Jim Carrey em Brilho Eterno De uma Mente Sem Lembranças, ou Bryan Cranston em Trumbo e Breaking Bad. Jackie Chan já tentou fazer isso algumas vezes, afinal, já passou dos 60 anos e tem uma carreira longa e sólida, mas é difícil desvencilhar sua feição do personagem simpático e bonachão que costumamos ver.

O Estrangeiro, filme baseado no livro The Chinaman, de Stephen Leather, é um thriller de ação no melhor estilo das décadas de 80 e 90. As referências são nítidas e os clichês também. O diretor Martin Campbell transita no gênero há muito tempo e sabe como fazer boas cenas com ação e drama na medida certa, porém sua direção de atores é questionável. Vindo da franquia 007, onde já havia trabalhado com Pierce Brosnan em Goldeneye (1995) e mais recentemente com Daniel Craig em Cassino Royale (2006), o diretor não é o tipo que “minera” o talento dos atores. Campbell prefere se garantir com imagens de ação bem decupadas e perseguições bem elaboradas. Aliás, o cineasta teve um de seus trabalhos comentados em um Formiga na Tela.

Por conta disso, atores que já não são muito talentosos acabam por ficar soltos e entregam atuações bastante irregulares, como os dois principais atores do filme, Jackie Chan e Pierce Brosnan. Apesar de estar bem em quase todo o filme, Chan não consegue se decidir se é um sexagenário chegando à decrepitude ou se é um lutador de kung fu cheio de habilidades especiais.Ele podia se espelhar um pouco no velho Logan, de Hugh Jackman. Já Brosnan se enrola todo num sotaque irlandês que vai e volta e em cenas em que não consegue atingir picos de atuação, mostrando que “daquele mato não sai coelho”.

Crítica de O Estrangeiro.

Enquanto homenagem a um estilo de uma década específica, O Estrangeiro tem um roteiro bem fechado com alguma frouxidão na amarração da trama, no início do segundo ato. Ela parece meio solta, mas, conforme o filme avança as pontas vão sendo reatadas e o enredo se fecha. O problema no texto escrito por David Marconi (que também é veterano de ação, com créditos como O Inimigo de Estado e Duro de Matar 4.0) está na forma que essas pontas são atadas: o malfadado diálogo expositivo. A grande variedade de clichês e soluções fáceis até que não incomoda, pois é parte do gênero, mas todos os mistérios são descobertos num bom blá, blá, blá.

Ok. Poderia ser melhor…

Os quesitos técnicos são bons. Fotografia condizente com a ação, efeitos práticos bem utilizados e a mixagem de som é inteligente, apesar de não ser muito inovadora. Destaque para a trilha, que lembra bastante os filmes oitentistas, principalmente Comando para Matar, clássico de Arnold Schwarzenegger.

O Estrangeiro é um filme para um público específico, fã do gênero de ação e que quer relembrar um tempo de películas mais simples e despretensiosas. Agrada, mas não surpreende. E quanto a Jackie Chan… bom, acho que ainda não foi dessa vez que ele convenceu de cara amarrada.

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  • Sequencia

    Eu faço questão de pagar ingresso para ver o Chan, mesmo que provavelmente vá decepcionar-me depois,já que os filmes dele feitos no ocidente são extremamente inferiores ao período oriental do ator.