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Ninguém Entra, Ninguém Sai – E ninguém gosta!

Ninguém Entra, Ninguém Sai é um retrocesso para a comédia brasileira

No texto que escrevi sobre La Vingança, disse que o filme dos diretores Fernando Fraiha e Jiddu Pinheiro era uma luz no horizonte da comédia brasileira, porque, além de ser engraçado (embora muito esquecido pelas produções nacionais, este é um requisito básico para qualquer obra do gênero), ele também era cinematográfico, parecendo ser muito mais um filme que uma série de televisão. Já o mesmo não pode ser dito de Ninguém Entra, Ninguém Sai, um longa cujo texto é incapaz de gerar uma gargalhada sequer e cuja realização é paupérrima.

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Ninguém Entra, Ninguém Sai

É óbvio que nenhum tipo de progresso se desenrola sem tropeços no meio do caminho, mas basta olhar para o cenário atual para perceber que filmes como La Vingança não são a realidade concreta. Na verdade, são lixos como O Amor No Divã, Gostosas, Lindas e Sexies e este Ninguém Entra, Ninguém Sai que constituem o que hoje chamamos da comédia brasileira. Com esse panorama à nossa frente, a luz do horizonte mencionada no parágrafo anterior está mais para um trem vindo na contramão do que para algum tipo de esperança redentora.

Até mesmo nos momentos em que as pessoas consideraram que esse gênero atingiu o fundo do poço, como na época das pornochanchadas, ainda assim o nível de qualidade era maior do que o visto nas produções atuais. Pelo menos, os artistas (se é que é possível aplicar este termo) que realizavam pornochanchadas tinham um senso estético do que é cinematograficamente erótico e, em alguns casos, aproveitavam a aparente superficialidade para introduzir (não é um trocadilho) um conteúdo mais relevante. Hoje em dia, nada disso acontece. Em vez do erotismo, o que se vê é uma baixaria nem um pouco charmosa e, no lugar da inteligência, foi colocada a completa alienação.

No entanto, imagino que aqueles que estão lendo este texto devem estar se perguntando quando é que começarei a falar do filme que é a razão desta crítica. Respondendo a essa pergunta, digo que, apesar de um longa como Ninguém Entra, Ninguém Sai criar um tipo de desafio para o crítico de Cinema – afinal de contas, não há muito o que falar, senão expressar a raiva gerada por produções tão deploráveis como esta -, de fato, não existem muitas coisas a se destacar positiva ou negativamente. Do segundo inicial ao segundo final, quase nada pode ser salvo (as atuações de Letícia Lima e André Mattos são as únicas responsáveis por um eventual riso).

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Um filme cinematograficamente nulo

Depois de apresentar a trama, que, inspirada no conto “O Motel”, de Luiz Fernando Veríssimo (qualquer realizador que deseja fazer uma comédia, tendo como material de base um texto do autor em questão, está destinado ao fracasso), gira em torno de um grupo de personagens presos dentro de um motel por causa de um vírus que está concentrado no local e não pode ser espalhado para outras regiões, o que resta é apontar a totalidade dos erros de quase todos os departamentos técnicos.

O roteiro de Paulo Halm, como mencionado, não é minimamente engraçado (e as tentativas de criar algumas situações dramáticas são patéticas), a direção de Hsu Chien Hsin é televisiva (as cenas são filmadas como esquetes) e sem timing cômico (assim como a montagem), a fotografia de Dante Belluti é chapada e não tem personalidade alguma, as atuações são caricatas e beiram a auto paródia (Emiliano D’Ávila parece um idiota, Mariana dos Santos é exagerada e Guta Stresser está detestável) e a seleção de músicas da trilha sonora é óbvia e nada memorável. Somente o design de produção se sobressai positivamente (a cafonice do motel é satisfatoriamente transmitida através dos objetos de cena e das cores destes).

Para aqueles que saíram de La Vingança com a esperança de que a comédia brasileira passaria por momentos mais frutíferos, Ninguém Entra, Ninguém Sai é um balde de água fria. É claro que nunca devemos desistir de encontrar bons filmes, mas, pelo jeito, dentro desse gênero tão rico que é a comédia, eles continuarão a ser raridades no nosso país. Consequentemente, as salas de cinema serão cada vez mais preenchidas com atrocidades cinematográficas como esta do diretor Hsu Chien Hsin.

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