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Viva o Rock – 10 filmes sobre músicos que fizeram história!

10 filmes sobre grandes nomes do Rock’n’roll

Aproveitando este 13 de julho, Dia do Rock, caso alguém não saiba, segue uma lista com alguns filmes que tem apelo entre os admiradores deste tipo de música. São 10 filmes que contam a história de músicos que integram o Rock’n’Roll Hall of Fame, incluindo algumas obras mais antigas que pouca gente viu, ou sequer foram lançadas por aqui.

Não existe a pretensão de fazer uma lista com “melhores de todos os tempos” e esse tipo de bla bla bla que infesta a internet. São apenas dez exemplos escolhidos entre filmes do tipo, privilegiando algumas curiosidades. De qualquer forma, esta dezena está ordenada de acordo com a qualidade, também levando em conta alguns critérios particulares que só servem para biografias musicais. Se o ator principal canta de verdade no filme já ganha pontos, por exemplo. Já a fidelidade aos fatos é um tanto relativo na avaliação, mas fugir muito também compromete, e por aí vai.

(Aproveitem e assistam nosso vídeo sobre documentários musicais)

Lista 10 Filmes Rock

A partir da esquerda, A História de Buddy Holly, Cadillac Records, Johnny & June, The Doors e Jersey Boys: Em Busca da Música!

Prontos para uma viagem pelas biografias musicais?

10 – Little Richard (Idem, 2000) – Robert Towsend

A vida do “Arquiteto do Rock’n’Roll” merecia uma produção cinematográfica da melhor qualidade, mas ganhou apenas uma obra televisiva OK. O lendário personagem título é vivido pelo ator e produtor Leon, que já havia interpretado David Ruffin dois anos antes na minissérie The Temptations. Pouco depois, ele ficou com o papel de Jackie Wilson em Mr. Rock ‘n’ Roll: The Alan Freed Story, também para TV.

Contando com um diretor cujo amor pela música é evidente, Little Richard é interessante até onde é limitado pelo orçamento e recursos da época. Leon se sai bem no retrato de Richard Penniman, com o famoso conflito entre a religião e os excessos da vida artística bem representado, mas é sempre complicado e pouco verossímil quando o ator precisa dublar as canções originais. Nunca foi lançado por aqui, mas chegou a ser exibido na TV. Aberta, inclusive.

 

9 – A História de Buddy Holly (The Buddy Holly Story, 1978) – Steve Rash

Parece feito para TV, mas não é. Outro caso de filme que passa na TV brasileira, mas nunca sai em home video. Sabe o Gary Busey, aquela figurinha carimbada de filmes de ação dos anos 1980/90? Foi vilão em Máquina Mortífera e em Força em Alerta… Se não lembrou, Imdb já! Enfim, o cara também canta, e bem. Encarou o desafio de interpretar o icônico Buddy Holly, que morreu aos 22 anos em um desastre aéreo, em 1959. Saiu-se bem na atuação e na voz, mostrando grande entrega ao papel de um músico que ele claramente nutria admiração.

Os pontos negativos em A História de Buddy Holly ficam por conta de um roteiro que não desenvolve seus personagens, além de inúmeras liberdades em cima da vida real. Exceto pelo destino final do protagonista, acabou se tornando uma história fictícia com Buddy Holly no papel principal. Ainda bem que a música valoriza o conjunto!

 

8 – Elvis (1979) – John Carpenter

A primeira parceria entre Kurt Russell e John Carpenter foi este inusitado telefilme. Exibida na TV aberta brasileira com o título imbecil Elvis Não Morreu, esta produção pobrezinha ainda consegue ser melhor do que a minissérie de 2005,  com Jonathan Rhys Meyers (de Match Point). O motivo é que Russell se esforça bastante para dar vida ao Rei nas três fases de sua carreira atribulada, o que não é fácil, convenhamos. A falta de dinheiro é evidente em detalhes como as armas que Elvis costumava usar para disparar contra TV’s. Se na vida real sua coleção contava com revólveres de alto calibre, o ator teve que se virar com uma pistola 22, pouco condizente com a opulência e o esbanjamento do biografado.

Mais um detalhe em que o protagonista dubla outra pessoa. Felizmente, as canções de Elvis Presley foram regravadas por Ronnie McDowell, o que atenua um pouco o estranhamento. A curiosidade fica por conta do pai de Elvis ser interpretado por Bing Russell, pai de Kurt. Se o Rei ainda não ganhou um filme à altura de sua importância, pelo menos um de seus momentos mais peculiares rendeu o interessante Elvis & Nixon.

 

7 – Cadillac Records (idem, 2008) – Darnell Martin

A figura mítica do blues Muddy Waters ganha destaque neste filme que conta a história da gravadora Chess Records, que, entre outros grandes músicos do segmento, também revelou Chuck Berry. Interessante pela sua história e com uma produção bem cuidada, tem boas atuações e contou com os próprios atores interpretando as canções. Eis um detalhe que nos faz aceitar melhor a escalação de Beyoncé como Etta James. O sempre competente Jefrrey Wright convence como Muddy Waters e Adrien Brody não estraga como Leonard Chess. O que tem de errado?

Mesmo deixando de lado que a Chess Records da vida real tinha dois irmãos à frente do negócio e o roteiro muda isso, é bem difícil engolir o caso de amor forçado entre Leonard Chess e Etta James. Além de dramaturgicamente deficiente, não existe evidência de um envolvimento entre eles além do profissional. Que o cinema não tem compromisso com a verdade, todo mundo sabe, mas quando se usa nomes de pessoas reais, a coisa é um pouco mais complicada.

 

6 – A Fera do Rock (Great Balls of Fire, 1989) – Jim McBride

Jim McBride já havia escancarado sua admiração por Jerry Lee Lewis em A Força de Um Amor (1983), refilmagem de Acossado, de Godard. Mesmo tendo como base o livro de Myra Lewis, os fatos importam menos aqui, já que ele prefere o caminho da homenagem ao contar a história de uma das maiores estrelas do Rock’n’Roll em seus primórdios. O estouro da fama e o escândalo do casamento com Myra, sua prima de 13 anos, ameaçando seriamente uma carreira brilhante, são o foco em A Fera do Rock.

O problema do filme não é buscar a homenagem em si, mas alguma escolhas questionáveis. Dennis Quaid, ator competente, está exageradamente caricato, lembrando o Coringa da Feira da Fruta em alguns momentos. A produção tem seus momentos e boas sacadas, conseguindo arrancar uma torcida do público pelo seu protagonista, além da trilha sonora regravada pelo próprio Jerry Lee, uma exigência dele mesmo que irritou Quaid, músico na vida real. Se a sincronia labial não convence em determinados trechos, damos um desconto porque ninguém consegue imitar o Killer… palavras do próprio! Quem quiser saber mais sobre ele, deve procurar este livro.

 

5 – Johnny & June (Walk The Line, 2005) – James Mangold

Excelente trabalho de Joaquin Phoenix que, além de bom ator, também é músico e aproveitou seu timbre grave para interpretar as canções de Johnny Cash. Direção correta de James Mangold em cima de um roteiro baseado na autobiografia do Homem de Preto. Um filme bem decente no fim das contas, mas caso você já conheça o biografado, fica difícil não lamentar o foco excessivo no romance. Claro que isso é relativo, mas Johnny & June ignora muita coisa muito mais interessante sobre esta trajetória e reduz o protagonista a um drogado coitado.

A rebeldia e a veia provocadora até dão as caras em momentos pontuais, mas é insuficiente para dar conta de uma figura como ele. Uma pena, mas quem quiser uma abordagem bacana sobre essa figura, cujo roteiro fará você lamentar mais as escolhas do filme, deve procurar a HQ Johnny Cash – Uma Biografia, de Reinhard Kleist, da editora 8Inverso.

 

4 – La Bamba (idem, 1987) – Luis Valdez

O acidente aéreo comentado na posição #9 não vitimou apenas o jovem Buddy Holly. O ainda mais novo Ritchie Valens, com 17 anos, também perdeu a vida na data que ficaria conhecida como O Dia Em Que A Música Morreu, mas não sem antes emplacar alguns sucessos em uma breve e meteórica carreira. Entre eles, a canção que dá título ao filme. La Bamba trouxe um inspirado Lou Diamond Philips no papel principal, encarnando bem a inocência dos anos 1950. Mesmo que sua estrutura seja a mesma de inúmeras outras histórias de superação da pobreza pelo sucesso artístico, o filme ganha muita força no relacionamento de Ritchie com o problemático meio-irmão Bob, interpretação ótima de Esai Morales com um personagem complexo.

A parte musical agrada bastante, trabalho do grupo Los Lobos. Por todas essas qualidades, o fato de Philips dublar nem incomoda. Ah, e ainda traz o grande Brian Setzer em uma pequena participação como Eddie Cochran. Está bom, não?

 

3 – The Doors (idem, 1991) – Oliver Stone

O passado de Oliver Stone no Vietnã foi embalado pela voz de Jim Morrison. Exatamente por isso, o cineasta perseguiu a chance de rodar um filme sobre a lisérgica banda The Doors, dando origem a um filme com vários méritos. A obra de Stone ainda hoje se destaca por sair do lugar do comum das cinebiografias. O caráter místico das letras e das poesias de Jim Morrison permeia tudo de forma sutil, deixando no ar algo que pode ser o poder do xamanismo ou viagens químicas do protagonista.

Não seria possível tocar neste assunto sem citar a interpretação espírita de Val Kilmer, vivendo o idiossincrático vocalista do grupo. O ator encarnou Morrison com todas as forças, usando sua própria voz nas filmagens. Resultado impressionante em termos dramáticos, dentro de um retrato convincente das loucuras da década de 1960. Não agradou os membros da banda, mas até aí…

 

2- Controle: A História de Ian Curtis (Control, 2007) – Anton Corbijn

Um filme sobre o depressivo, epilético e suicida Ian Curtis, vocalista do Joy Division, só tinha mesmo que carregar em uma fotografia em preto e branco. Baseado no livro da viúva Deborah Curtis, Controle é um filme que acerta seu tom no retrato de seu problemático biografado, capturando bem aquele momento em que o rock britânico se ocupava das agruras de uma juventude cabisbaixa. Tudo isso sem atenuar ou passar um pano na imagem do músico, alguém que não era exatamente a pessoa mais fácil de se conviver.

Sam Riley entrou de cabeça na persona de Curtis, cantando ele mesmo com os arranjos do New Order, banda formada pelos remanescentes do Joy Division. Emular a voz e a expressão corporal de um artista, especialmente este, não é uma tarefa simples. Abrilhantando o elenco, Deborah é vivida pela ótima Samantha Morton. Mesmo quem detesta o som dos caras deve assistir.

 

1- Jersey Boys: Em Busca da Música (Jersey Boys, 2014) – Clint Eastwood

Jersey Boys cobre a carreira de Frankie Valli, que estourou na década de 1960 com o grupo The Four Seasons. O filme é baseado na peça musical homônima, que conta com o próprio Valli como produtor, repetindo a função no filme. Tudo para dar errado? Poderia, se não tivéssemos Clint Eastwood na direção, o que – seguramente – garante a posição de melhor da nossa seleção.

Típico filme que garante uma experiência prazerosa, cadenciando a busca pelo sonho americano com momentos de alívio cômico que não pesam e os dramas enfrentados pelo caminho, mas não só isso. A forma narrativa de Jersey Boys, com seus personagens quebrando a quarta parede para comentar os momentos importantes, aproxima bastante o espectador desta história simples, mas com indiscutível apelo. Clint surpreende ao sair-se tão bem com um roteiro que foge tanto do clássico.

John Lloyd Young repete o papel do teatro, encarnando Frankie Valli desde a adolescência até a velhice e mostrando a ingenuidade da juventude dando lugar a um semblante calejado pela vida. Como ele já veio preparado dos palcos, nem precisamos comentar o belo trabalho vocal do rapaz, emulando um intérprete tão característico. Um filme simplesmente encantador. Leia nossa crítica da época do lançamento.

 

E aí? Gostou? Odiou? Incluiria algum outro filme? Comente e deixe a gente saber!

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  • Cadillac Records peca em muitos momentos, sobre o Chuck Berry, ele não era um músico country, só fez uma fusão em Maybellene, sobre a Etta James, ela nunca foi prostituta, antes de ser cantora solo, integrou um grupo vocal de doo wop, fora que a cronologia é confusa, o Rolling Stones indo até a Chess gravar, sendo que eles gravaram na Inglaterra, só encontraram seus meus mestres bem depois, além da passagem de tempo, parece que ninguém envelhece e tudo aconteceu nos anos 50 (como o Beach Boys plagiando o Chuck). Todos esses filmes tem praticamente os mesmos tropos, por incrível que pareça, gostei mais de Dreamgirls, que era fictício, mas acertou bastante no contexto ao criar um pastiche da Motown, vários personagens se misturaram pra formar um. Esse do Little Richard vi na Globo, o cara era muito alto e muito magro pra convencer como Little Richard, não vi esse do Elvis, vi um outro na Record, também não vi o The Doors, incluiria numa lista filmes como Cry Baby (um dos raros filmes rockabilly), School of Rock (a série deixa muito a desejar) e That Thing You Do! (um clássico dos anos 90, muita gente pensa que a banda existiu). Há outras biografias, como o da Tina Turner (que o Ike disse que era todo ficcional), Ray (um clássico)

    • Cadillac Records é realmente bem problemático na questão dos fatos. Uma pena, já que é um filme bem feito no geral.

      • Acho que queriam aproveitar o hype em cima da Beyoncé depois de Dreamgirls, aí saiu algo apressado.

      • Lembrei de outro caso, no filme do Little Richard, inventaram uma namorada chamada Lucille, que seria inspiração pra canção de mesmo nome, só que ela nunca existiu, Richard teve uma namorada, cujo nome eu não achei, mas era bi, algo ignorado na biografia.