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Jogos Mortais: Jigsaw – Novo respiro para a franquia?!

Jogos Mortais: Jigsaw é o oitavo filme da série

Sete anos separam Jogos Mortais – O Final de Jogos MortaisJigsaw (Jigsaw), o sétimo e oitavo filmes da famosa franquia, respectivamente. Desde que James Wan (o mesmo de Invocação do Mal 2) realizou o primeiro longa da série, em 2004, muitas coisas aconteceram, inclusive, o total declínio da ideia original, o que ocasionou a realização de seis produções que pareciam disputar entre si para ver qual era a pior de todas. No entanto, como a crise de criatividade que assola Hollywood há anos parece não ter fim, decidiram revitalizar as histórias do assassino ardiloso e os responsáveis por essa ressurreição foram os irmãos Michael e Peter Spierig.

Crítica de Jogos Mortais: Jigsaw

Jogos Mortais: Jigsaw

Trabalhando com um roteiro escrito por Pete Goldfinger e Josh Stolberg (os responsáveis por aberrações como Piranha 3D Pacto Secreto), a dupla de diretores, neste novo filme, compõe uma narrativa centrada em dois eventos principais: um jogo mortal que recria as principais características dos que eram realizados por John Kramer (Tobin Bell) e as investigações comandadas por dois policiais acerca de corpos que foram encontrados e parecem ter alguma relação com o que acompanhamos paralelamente. Porém, como a figura-mor dos filmes anteriores faleceu há alguns anos, os detetives terão de enfrentar um mistério intrigante para solucionar o caso.

Lidando com um gênero que não lhes é estranho (vide as suas produções anteriores), os irmãos Spierig mostram conhecer certas convenções do terror. Apesar de algumas escolhas visuais enfraquecerem a tensão proporcionada pela história (como a opção de filmar parte das cenas que se passam no celeiro durante o dia e a fotografia de Ben Nott, que deixa todos os ambientes demasiadamente claros), a maioria das cenas são potencializadas pelos dois diretores. Tanto a decupagem (que privilegia a tensão) quanto a ausência de elementos gore (chama a atenção como a sensação de violência é transmitida muito mais através da história do que de elementos fisicamente chocantes) são aspectos que contribuem positivamente para a realização do filme.

O mesmo pode ser dito sobre o roteiro de Goldfinger e Stolberg. Embora conte uma história simples, o texto da dupla contém alguns diálogos deliciosamente cafonas, personagens razoavelmente sólidos (o interpretado por Matt Passmore é o que mais se destaca) e não deixa pontas soltas. Aliás, até mesmo a sensação de que há  coincidências inverossímeis e furos na trama (sentimento que se estabelece também através da excelente montagem alternada de Kevin Greutert) se esvaem com a revelação final, a qual não só supera as expectativas como também revela a existência de uma estrutura narrativa inteligente (apesar de que, dada a previsibilidade de alguns aspectos, o espectador sabe que existirá no fim um plot twist).

Crítica de Jogos Mortais: Jigsaw

Uma série criminal

No entanto, nenhum desses méritos afasta a sensação de que, além de não trazer nada de novo para a franquia (apesar de qualidade ser um elemento raro desde o segundo filme) e algumas armadilhas serem pouco criativas (em certo momento, o assassino chega a jogar ferramentas para ver se atinge um dos “participantes”), Jogos MortaisJigsaw se parece muito com uma produção televisiva. A  trilha sonora onipresente e abordagem direta do filme, sem pausas narrativas ou cenas mais extensas, geram a constante impressão de que estamos acompanhando o videoclipe de uma banda de Heavy Metal ou o episódio estendido de alguma série criminal, o que não é condizente com produções conhecidas por seu caráter sujo, violento e independente.

Porém, como essas coisas não afastam o grande público, é muito provável que o novo filme revitalize a série e esta entregue outras produções no futuro. Entretanto, caso isso realmente aconteça, não será uma consequência incompatível com o que é visto neste oitavo longa. Jogos MortaisJigsaw está longe de ser uma grande obra, mas eleva consideravelmente o nível do que vinha sendo realizado, mesmo que isso não signifique muito.

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