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Tudo E Todas As Coisas – Outra história apelativa sobre a adolescência!

Não há espaço para sutileza em Tudo E Todas As Coisas

Há um bom tempo, as histórias adolescentes estão na moda. Talvez, juntamente com a década de 1980, o momento atual seja um dos períodos mais receptivos a esse tipo de conteúdo. Tanto na forma de livros quanto através de adaptações cinematográficas, essas histórias têm encontrado um espaço e público cada vez maiores. Indo desde tramas vampirescas, como a saga Crepúsculo, até obras que se passam em futuros distópicos, como Jogos Vorazes, passando pelos melodramas no estilo de A Culpa é das Estrelas, elas enchem as salas de cinema e as prateleiras das livrarias. O mais novo filme a nadar nessa onda de sucesso é o recente Tudo E Todas As Coisas (Everything, Everything). Porém, apresenta resultados tão medíocres quanto os dos longas mencionados.

Crítica do filme Tudo e Todas As Coisas

Adaptado do famoso e homônimo livro de Nicola Yoon por J. Mills Goodloe, o roteiro tem como protagonista a jovem Maddy Whittier (Amandla Stenberg). Inteligente e carinhosa, ela é obrigada a viver fechada dentro da própria casa em razão de uma doença imunológica que lhe impossibilita de ter contato com qualquer tipo de elemento externo. As únicas pessoas que orbitam a sua vida são a mãe (Anika Noni Rose), a enfermeira Carla (Ana De La Reguera) e a filha desta (Danube Hermosillo). No entanto, essa ordem começa a ruir quando ela se apaixona por Olly (Nick Robinson, de Jurassic World), o garoto que mora na casa ao lado.

Tudo E Todas As Coisas até possui algumas qualidades. Graças à inteligência que mostram ter em determinados momentos e ao carisma dos atores (embora Amandla seja um atriz limitada), os dois personagens principais são interessantes o suficiente para fazer o público se importar com os seus destinos. Além disso, sempre que conversam, a química entre os dois é quase palpável, o que deixa o filme mais pulsante e enérgico (porém, não deixa de ser uma cruel ironia o fato de que o melhor elemento do longa seja sabotado pela própria história, já que os dois não podem estar juntos em muitas cenas).

Em relação ao visual do filme, é preciso destacar a maneira criativa com que a diretora Stella Meghie concebe algumas das sequências fantasiosas, frutos da fértil imaginação de Maddy. Apesar de ser perceptível o esforço por parte dos realizadores para injetar no filme uma personalidade própria, que o afaste de outras produções similares, passagens como a que se passa na maquete de uma hamburgueria conseguem dar ao longa um pouco de frescor . Contudo, também há a necessidade de mencionar que, na cena na qual legendas dizem o que os personagens estão pensando, a diretora se confunde na lógica interna da própria narrativa, pois os outros instantes fantasiosos não eram liberdades visuais do filme e sim de sua protagonista, diferentemente do que acontece na cena mencionada.

Crítica do filme Tudo e Todas As Coisas

Se os erros se restringissem a esse único instante, o saldo final seria positivo. Infelizmente, eles reaparecem sob diversas formas, a começar pela trilha onipresente, que martela na cabeça do espectador os diferentes sentimentos que tomam os personagens. O uso de músicas é tão indiscriminado que, em certo momento, considerei a possibilidade de que o filme estava a serviço da trilha sonora e não o contrário. Logicamente, isso faz com que qualquer segundo de sutileza que o filme poderia ter desapareça sem deixar um rastro sequer. Porém, não é somente a trilha sonora a responsável por esses exageros.

Na verdade, é o ponto de partida da narrativa que impossibilita o surgimento de qualquer sutileza. Por mais que a história de uma garota proibida de sair de casa tenha o seu charme, uma trama com essas características é, por sua própria natureza, apelativa. É claro que os responsáveis poderiam ter dosado a melosidade (como a subtrama envolvendo o pai de Olly, cuja presença no roteiro é desnecessária e serve apenas para movimentar a narrativa e forçar uma situação dramática), mas não havia muito o que fazer: contar a história que desejavam incorria, necessariamente, na realização de um filme apelativo.

Crítica do filme Tudo e Todas As Coisas

Um final ruim para um filme mediano

No entanto, é mesmo o terceiro ato que joga o filme para o fundo do poço. Além de ser mesquinho (numa daquelas reviravoltas de roteiro cuja conveniência chega a ser nojenta), o plot twist final altera drasticamente o tom do filme, transformando uma das personagens num ser detestável. Para piorar, ao fazerem essas mudanças, os responsáveis nem se deram ao trabalho de desenvolver as consequências dessas alterações. Eles criam um problema gigantesco que não só é incompatível com o restante da narrativa, como também é simplesmente abandonado depois que o seu efeito catalisador já surtiu.

Assim, o que era mediano termina de uma maneira abominável. Na visão geral, Tudo E Todas As Coisas consegue arrancar alguns elogios. O problema é que, frente aos seus vários defeitos, o filme não consegue se sustentar. Além disso, uma coisa precisa ser dita: ninguém mais aguenta histórias tristes sobre a adolescência. Por que, no Cinema, essa fase da vida está quase sempre associada a sentimentos depressivos e melancólicos? É como se os adolescentes fossem incapazes de sentir alegria. Desde quando ser jovem bonito, saudável e ter a vida toda pela frente se tornou algo tão triste?!

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