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O Acampamento – um terror irregular, mas esforçado!

Estreia em longa do diretor, O Acampamento sofre por falta de depuração

A certa altura de O Acampamento (Killing Ground), é possível que o espectador se veja perguntando qual o sentido da longa duração de uma sequência de tortura que acontece no meio da história. Isso porque o filme já contou, de antemão, qual será o desfecho daquele momento específico. Assim, sem a possibilidade de suspense ou da tensão ou da construção narrativa (ela não acrescenta nada que já não esteja em outros momentos do filme), a única explicação é o sadismo simplesmente. E esse é um motivo questionável, para não dizer de péssimo gosto.

Crítica do filme O Acampamento.

O Acampamento

Primeiro longa-metragem do diretor australiano Damien Power, que também assina o roteiro, a trama acompanha um jovem casal que vai acampar à beira de um lago. Ao chegarem, veem que já há uma barraca montada, mas sem ninguém por perto. Sem se incomodarem de não serem os únicos por ali, e imaginando que os vizinhos saíram para fazer alguma trilha, se alojam no local. Porém, a demorada ausência dos habitantes da outra barraca começa a gerar desconfiança e isso será o início do terror pelo qual passarão.

Inicialmente, O Acampamento é um filme que tenta criar um clima de tensão equilibrando alguns elementos. A trilha sonora, os ruídos da floresta e a permanente expectativa sobre onde estão as pessoas do outro acampamento tentam formar uma mistura de apreensão e mistério que funciona parcialmente bem. Porém, em pouco tempo, a própria narrativa desmonta isso para explicar as coisas de forma pretensamente espertinha.

Crítica do filme O Acampamento.

Novamente, tempos paralelos

Para quem ainda mal saiu do hype de Dunkirk (de Christopher Nolan) e sua montagem paralela de tempos distintos, difícil não fazer uma rápida associação. Power usa princípio semelhante para contar sua história. A comparação, no entanto, não vai além do uso deste tipo de montagem. É dessa forma que o filme escolhe revelar seus acontecimentos, mostrando paralelamente o antes e o agora para explicar os enigmas que apresentou no início.

É uma escolha de roteiro que rouba parte do mistério cedo demais e dilui muito da tensão que os acontecimentos seguintes poderiam ter. Isso culmina na sequência comentada no início deste texto, quando o sadismo desnecessário explicaria a decisão de prolongar o sofrimento do público e de personagens sem que isso traga qualquer valor narrativo, estético ou representativo para a trama. Ou o sadismo, ou a simples falta de apuro do seu diretor.

Embora caminhe de forma pouco inspirada na maior parte do tempo, falhando em dar sustos ou em criar tensão em voltagem alta suficiente para justificar o gênero terror no qual se encaixa, o filme se sai melhor no seu ato final.

Crítica do filme O Acampamento.

Parte dessa melhora pode ser atribuída à dupla de atores Aaron Pedersen (de Nos Braços do Crime) e Aaron Glenane (de Conspiração e Poder), que personificam o mal e a frieza de forma convincente e aterrorizante. Mas também é mérito da montagem, que finalmente se afina e cria um clima intenso e frenético de perseguição, ainda que dentro de convenções e clichês do gênero.

É também no seu terço final que surge com mais clareza uma camada interessante da narrativa, que trata da covardia masculina. Algo que se prenuncia quando vemos a dificuldade de trocar um pneu furado e que alcançará uma gravidade mais profunda nos momentos mais críticos.

Mesmo assim, O Acampamento se mostra um filme irregular, apesar de esforçado. Falta refinamento na sua estrutura de roteiro e de direção, embora seja possível ver um bom material bruto nos intervalos de seus deslizes e nas intenções subliminares. Isso faz com que sua apreciação não seja um total desperdício de tempo e cria uma expectativa positiva para um próximo filme de seu diretor.

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