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Depois Daquela Montanha – Romance que não emociona!

Do livro para as telas: as emoções pré-fabricadas de Depois Daquela Montanha

No cinema, criar uma narrativa romântica bem sucedida depende de muitos fatores. Vai desde uma boa construção de atmosfera até o carisma dos atores. Nesse processo, porém, nenhum elemento é mais fundamental (e mais subjetivo) do que a química entre o par protagonista. Sem isso, nada funciona. Esse talvez seja o maior problema de Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us), estrelado por Kate Winslet (de Steve Jobs e Beleza Oculta) e Idris Elba (de A Torre Negra e Thor: Ragnarok). Mas, não é o único.

Crítica de Depois Daquela Montanha

Depois Daquela Montanha

São dois estranhos presos em um aeroporto, sem opções de voo para chegarem a seus compromissos. Ele, um neurocirurgião que precisa operar uma criança; ela, uma fotojornalista que precisa chegar ao próprio casamento. Surge a ideia de dividirem os custos de um pequeno avião particular. O avião cai no meio de uma montanha coberta de neve, apenas eles e o cachorro do piloto sobrevivem.

Com esse início, pode parecer que estamos diante do clássico drama de sobrevivência, da sempre boa e renovada história de homem versus natureza. Mas é preciso lembrar que estamos diante de uma adaptação para o cinema do livro homônimo escrito por Charles Martin. Depois Daquela Montanha é, portanto, uma história romântica.

Malabarismo dramático

Assim, temos o cenário ideal para que o diretor israelense Hany Abu-Assad precise equilibrar pratos. Essa é a única maneira de descrever o esforço narrativo de criar um desenvolvimento romântico entre personagens que estão o tempo todo correndo risco de morrer de fome ou de frio. Uma tentativa de malabarismo na qual alguns pratos se quebraram. Sem saber como lidar com suas discrepâncias, o filme fica sempre perdido no meio do caminho. Apesar do cenário horrível em que se encontra o casal de estranhos, a narrativa nunca mergulha na gravidade das coisas.

A tragédia é permanentemente atenuada por diálogos que quase não falam da situação em que se encontram. Após a queda, Alex (Winslet) tem um ferimento na perna. O público, porém, não é informado do quão grave ele é, servindo apenas para dificultar sua caminhada na neve. Obter fogo, essencial para a sobrevivência, também não se mostra como problema para eles e está sempre à disposição. Abrigo e comida vão se resolvendo aqui e ali, às vezes com golpes de sorte inacreditáveis.

Atenuar todas as dificuldades e amenizar o drama da sobrevivência poderia ser o caminho para dar fôlego ao romance entre dois estranhos. Simplificando, seria menos tempo sofrendo e mais tempo conversando. Essa, desde o princípio, parece ser a fórmula buscada por Depois Daquela Montanha. O filme, porém, falha em desenvolver o mais básico para uma construção desse tipo. Falta conflito e intimidade.

As crises pelas quais a dupla passa são frágeis. As discussões nunca vão fundo demais. Não há emoção nelas, de nenhum tipo. Ben (Elba) tem seu mistério, uma história pessoal que tenta preservar. Mesmo quando ela é revelada, a falta de sentimento fica evidente.

Crítica de Depois Daquela Montanha

Nem conflito, nem intimidade

Essa ausência de conflito se junta à de intimidade. Apesar do isolamento pelo qual passam, quase não compartilham histórias, não confessam seus medos, não se aprofundam em dramas passados. Coisas que contribuiriam para gerar um sentimento de intimidade.

Embora tenha dois dos atores mais carismáticos de Hollywood, Depois Daquela Montanha se mostra incapaz de criar um mínimo de química entre eles. Winslet e Elba atuam no piloto automático e o diretor não consegue contornar com inventividade os obstáculos do roteiro engessado pelo livro.

O que fica é um drama de emoções pré-fabricadas. Não chegam a ser completamente artificiais, mas tampouco atingem uma autenticidade decente. O que era para ser um filme emocionante – fosse como drama de sobrevivência, fosse como romance de aquecer o coração – se torna apenas uma história sentimental que não convence e, por isso, não comove.

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