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Viver é Fácil Com Os Olhos Fechados – Um grito sutil!

Viver é fácil com os olhos fechados

Os Beatles são a maior banda de todos os tempos. Musicalmente, muita gente pode discordar da afirmação, mas no que se refere ao alcance mundial e influência cultural em toda uma geração, e além dela, não há muito o que se discutir. Porém, até mesmo o sucesso e a fama sem precedentes podem ser uma espécie de prisão e fazer a pessoa gritar por ajuda, por liberdade, e é principalmente dessa busca por liberdade e desse senso de ajuda ao próximo que vai tratar esse belo filme espanhol, Viver é Fácil Com Os Olhos Fechados (Vivir es fácil con los ojos cerrados), do diretor David Trueba. Vencedor de seis prêmios Goya, incluindo melhor filme, é um road movie sensível e inteligente, que fala de uma época difícil de seu país com leveza e sutileza, mas sem perder a força da mensagem por conta disso.

Viver é fácil com os olhos fechados

A trama se passa na época da ditadura Franquista na Espanha, onde o clima de repressão e violência eram palpáveis, fazendo parte do dia-a-dia das pessoas. É nesse contexto que Antônio (Javier Cámara), um professor dedicado e solitário, fã incondicional dos Beatles, descobre que John Lennon está numa cidade próxima, gravando um filme, e decide dirigir até lá para encontrar seu ídolo. No caminho, encontra Belén (Natalia de Molina), uma jovem grávida sem rumo e Juanjo (Francesc Colomer), um garoto fugindo de casa, e decide dar carona para eles. É claro que no caminho os três vão desenvolver um laço de amizade e afeto e irão aprender valiosas lições, buscar seus sonhos e enfrentar as dificuldades e a realidade do mundo ao redor.

Viver é fácil com os olhos fechados

O filme acerta no principal elemento em qualquer road movie, que são personagens interessantes e carismáticos que nos levem naquela jornada com eles e nos mantenham interessados. Antônio é um ótimo exemplo disso. Inteligente, engraçado, bem humorado e um tanto triste, seu bom coração e alma sensível não foram feitos para aquela realidade em que vive. Belén é linda, simpática, cheia de vida, mas ainda assim está perdida na vida e parece não ter muito futuro. Juanjo é um bom garoto, na idade de descobertas e amadurecimento, que quer apenas ter a liberdade de ser ele mesmo e tornar-se dono do próprio destino. O relacionamento que se forma entre os três é bonito e cheio de ternura, com os atores acertando em cheio na química entre eles e nos dramas individuais de cada um, passando as tristezas e esperanças de seus personagens de maneira sincera e encantadora.

Viver é fácil com os olhos fechados

A ligação entre Os Beatles, a crise existencial de John Lennon, a ditadura na Espanha e as vidas desses personagens é tecida pelo diretor com sutileza e maestria, criando uma história divertida, sentimental, crítica e sobretudo rica em sentidos e intenções. Um ponto interessante do filme é que ele passa longe da militância, tão em voga nos dias de hoje, demonstrando que, muitas vezes, dizer algo com elegância é mais eficiente que gritar e tentar impor sua crença, ao mesmo tempo em que o protagonista nos ensina da necessidade de clamar por ajuda ao nos sentirmos sufocados. Talvez essa seja a chave. O grito aqui não é de ódio, mas de esperança, o que o torna muito mais poderoso.

Viver é fácil com os olhos fechados

Viver é Fácil Com Os Olhos Fechados é, sim, um feel good movie, aquele tipo feito para nos elevar, mas que não se abstém de tratar de temas sérios e espinhosos. Em determinado momento, Antônio diz que as músicas dos Beatles são tão amadas por todos e tocam tanta gente porque são alegres e melancólicas, assim como é a vida…. Assim também é esse pequeno grande filme.

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