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A Vida Secreta de Walter Mitty – Além do “feel good”

Candidato a filme “feel good” de 2013, classificação bem informal para aqueles filmes que ficam na linha tênue entre o sentimental e o piegas, A Vida Secreta de Walter Mitty, felizmente, vai além de apenas querer contagiar quem assiste. Produção caprichada, é a realização mais substancial dirigida por Ben Stiller que foge de sua zona de conforto, a comédia.

Vida Secreta de Walter Mitty

Mais conhecido por atuar em filmes como Entrando Numa Fria, Quero Ficar com Polly ou Uma Noite no Museu, talvez tenha realizado seu projeto mais ambicioso com esta história de Walter Mitty. Assim como outros comediantes, Stiller também quer ser notado e reconhecido por papéis mais profundos e dramáticos. Já havia feito isso anteriormente atuando em Greenberg e Os Excêntricos Tenenbaums, mas provavelmente não tenha chamado tanta atenção.

Jim Carrey, por exemplo, se aventurou muito bem em personagens dramáticos (A Vida de Truman e Mundo de Andy), usando suas caretas para fins mais melancólicos. Will Ferrell, ator de inúmeras comédias escrachadas (já está encarando novamente o personagem Ron Burgundy na sequencia de O Âncora) também foi muito bem sem usar suas piadas em Pronto para Recomeçar. Só que Stiller vai além, atuando e também dirigindo em A Vida Secreta de Walter Mitty. Nem sempre a aventura de um comediante em papéis sérios dá certo.

A história aqui gira em torno de Walter Mitty, supervisor da seção de fotografias há 16 anos na Revista Life. Tímido, solitário, pouco conhecido em seu trabalho e recém cadastrado no eHarmony, site de relacionamentos. Estas são informações que ajudam a definir seu perfil, mas sua monotonia tem uma válvula de escape, sonhar acordado. Como nunca foi ousado, pessoal e profissionalmente, se imagina em situações heroicas em diversos momentos do dia.

Vida Secreta de Walter Mitty

Sua vida muda quando a Life decide acabar com suas publicações impressas para ficar exclusivamente online. A chegada de um grupo de seleção de profissionais decidirá quem fica ou sai após a última publicação.  Aí o papel de Mitty se torna vital para a Revista, pois o renomado fotojornalista Sean O’Connell  (Sean Penn), seu oposto em vários aspectos, envia entre seus negativos fotográficos uma foto especial para a capa desta última impressão. Mitty, encarregado deste trabalho, não consegue encontrá-la e decide ir atrás do fotógrafo, onde quer que esteja.

Sim, o filme tem exageros, tanto na parte sentimental quanto nas ações de alguns personagens, mas Stiller consegue nos manter mais interessados em entender o “big picture” da história, como dizem nossos amigos americanos. Ao final, as partes boas do filme é que ficarão em sua memória.

Stiller traz um pouco de tudo. Drama, fantasia, romance, ação… Parece ambicioso demais, mas os gêneros se encaixam. Com produção caprichada e bela fotografia, o diretor/ator usa bem seu orçamento, que não deve ter sido baixo, com efeitos especiais que entram em sintonia com o todo. A trilha sonora ajuda a dar o tom emocional para os momentos Forrest Gump de Walter Mitty. Major Tom do David Bowie cai como uma luva para personagens sonhadores.

Esta salada de gêneros não poderia deixar seu lado comédia, até porque quem está atrás das câmeras é essencialmente um comediante. Porém a comédia vem das situações cômicas e não das piadas. Destaque para a mini-paródia com Benjamin Button que ficou realmente boa.

Este filme de Walter Mitty é baseado em um livro de James Thurber que já havia sido adaptado ao cinema em 1947, mas acredito que a relação entre os dois filmes seja pequena, pois a história tem diferenças razoáveis. Tenho essa impressão, mas confesso não ter assistido a primeira versão.

Enfim, A Vida Secreta de Walter Mitty não é um filme memorável, isso é importante dizer, e pode até ser mais emocional para alguns do que deveria, mas tem coisa boa nesse “feel good” aí…

 

 

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