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Tudo por Justiça é um drama que merecia um nome mais adequado, no mínimo

Cuidado com o nome em português. Não que este título seja uma tradução completamente equivocada, afinal de contas Christian Bale fará justiça sim, mas porque colocar “Tudo por”? Se você não sabe do que se trata, certamente irá imaginar Steven Seagal quebrando tudo no papel principal, ou até Liam Neeson em mais uma ação frenética qualquer. Nem um nem outro.

Steven Seagal que já não está com "aquela" forma

Steven Seagal, que sempre atira antes e depois pergunta, NÃO está nesse filme!

Pois é, o nome original de Tudo por Justiça é Out of the Furnace, cuja tradução não seria tão simples, se traduzirmos de forma literal, mas, mesmo assim, valeria uma tradução menos genérica ou banal. O filme, na verdade, é violento, mas representa muito mais o gênero drama do que propriamente ação. E um drama dos bons. O diretor Scott Cooper é ainda novo no mercado e tem no currículo somente um filme, Coração Louco, que deu inclusive o Oscar de melhor ator para Jeff Bridges em 2010. Estreia com o pé direito.

A história é a seguinte. Em uma cidade do interior americano, Christian Bale é uma pessoa comum, trabalhadora e de bom caráter, mas sua vida parece longe de dar certo. Mesmo tendo um trabalho pouco interessante em uma mineradora, que parece ser a maior fonte de emprego desta cidade, ele é a pessoa mais centrada de sua família e o pilar de segurança dos familiares mais próximos. Tem um pai em estado terminal e um irmão, interpretado por Casey Affleck, que é um ex-soldado problemático e sem grandes expectativas na vida. Sua válvula de escape é sua namorada que parece ser a única coisa realmente boa em sua vida.

Após um acidente em que ele é responsabilizado por duas mortes, Bale é preso e passa um tempo na cadeia. Período suficiente para perder a namorada, além de seu irmão se afundar em mais problemas. Principalmente quando Affleck se envolve com Willem Dafoe, uma espécie de organizador de lutas clandestinas e ações ilegais, e Woody Harrelson, o vilão que você já conhecerá na primeira cena do filme. Sobra então para Bale tentar acertar as coisas no momento em que elas começam a engrossar.

Os personagens de Bale e Affleck na luta para viver bem

Os personagens irmãos Bale e Affleck

O que é mais interessante neste filme é a forma sem pressa e detalhista em que a narrativa é conduzida. Lento e tenso, vai ao contrário de um filme comum de ação ou vingança e é louvável a preocupação do diretor em dar detalhes dos personagens sem grandes explicações. Aos poucos você descobre o papel e a personalidade de cada um, ao mesmo tempo em que percebe como o ambiente os influencia. É bom sempre valorizarmos estes cineastas que preferem fazer o público se esforçar para descobrir quem é quem, aos poucos, sem entregar informações fáceis através de narração em off ou diálogos básicos explicativos. Esse é o caso desse filme aqui. O tempo vai passando sem precisar “dizer” que está passando.

O diretor, sem medo de ser feliz, já vai logo no início mostrando o lado frio e sem esperança que há também nos Estados Unidos. As dificuldades de uma vida no subúrbio, a falta de oportunidade de trabalho, o desequilíbrio emocional de um quase veterano de guerra e por aí vai. O sonho americano de sucesso distante. Isso é visto em cada momento no filme, desde as residências capengas que ficam longe da idealização de um país “super” desenvolvido, até os pequenos detalhes, como o anúncio da disputa eleitoral de Barack Obama, sem a mínima atenção por quem quer que seja. Como se o futuro não tivesse importância alguma naquele mundo. Enquanto isso, as cenas vão ficando mais lentas, cadenciadas e com diálogos curtos, o que proporciona a você, espectador, apreciar a bela fotografia do filme e seu realismo.

Bale mais uma vez prova que está em um patamar acima da maioria. A expressão e veracidade que traz aos personagens são difíceis de descrever e seu talento é notável. Em um elenco que conta ainda com Casey Affleck, Harrelson e Dafoe em perfeita sintonia, é ele, mais uma vez, quem rouba as cenas.

Segue o trailer legendado do filme, para quem quiser ter o primeiro contato visual e estiver interessado:

E finalmente, sem alongar muito, Tudo por Justiça na verdade não é tudo por justiça, mas se você for ao cinema sabendo disso e não esperar muito barulho ou grandes explosões, esta será uma excelente opção para seu final de semana. Vai lá!

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    • Paulo Marques

      Concordo plenamente Heloísa!