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Selma: Uma Luta Pela Igualdade – Me convenceu!

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Confesso que Hollywood já havia conseguido acabar com meu ânimo para assistir a dramas históricos ou cinebiografias. O motivo é que, normalmente, essas produções seguem a mesma cartilha boçal, tratam o público como idiota e imprimem um tom tão maniqueísta que só é tragável por um público anestesiado pelo consumo de telenovelas. É sempre uma aposta segura quando a personalidade retratada no filme é uma unanimidade positiva, logo, uma produção vagabunda nem se daria ao trabalho de se esforçar muito. Em Selma: Uma Luta Pela Igualdade, temos Martin Luther King Jr. – que obviamente é uma unanimidade – no momento mais delicado de sua causa, a marcha pelo direito ao voto da comunidade negra, de Selma até Montgomery, Alabama, em 1965. Protagonista carismático e um objetivo nobre, com certeza. E agora?

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Contrariando a expectativa construída pela indústria preguiçosa, Selma foi além e se mostrou um filme bastante acima da média, não apenas no quesito de produto “baseado em fatos”. O roteiro original do estreante Paul Webb acerta na caracterização, mostrando conflitos e situações que constroem um protagonista humano, e não um simulacro bonzinho em oposição à maldade do resto do mundo. O mesmo cuidado foi reservado ao restante da galeria de personagens relevantes à trama. Até mesmo um antagonista, Lyndon Johnson, não se apresenta como alguém que está ali apenas para que público o despreze.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Para um roteiro como esse funcionar, é fundamental que o elenco dê conta da tarefa. David Oyelowo encarna Martin Luther King Jr. de uma forma que toda gama de emoções ao longo do filme é palpável. Evidenciando o desgaste de continuar lutando pela sua causa, a caracterização do ator, encarando seu primeiro papel de destaque, é o suporte majoritário do filme. Carmen Ejogo como Coretta, esposa de King, é eficiente nos dramas que enfrenta em consequência das escolhas do marido, marcando um dos pontos sutis de pressão na narrativa. Do lado dos antagonistas, o inglês Tom Wilkinson, como o presidente Lyndon Johnson, capricha no sotaque e nos maneirismos, assim como Tim Roth, como o governador do Alabama, George Wallace, que aparece pouco, mas faz valer cada momento em cena. A participação discreta de Oprah Winfrey é uma estratégia bacana, trazendo mais publicidade ao filme.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Dirigido por Ava DuVernay, que tem vários créditos no cinema dentro de departamentos de publicidade, mas até aqui uma carreira pouco expressiva como cineasta. Selma realmente parece ser seu momento de virada, já que ela se saiu muito bem em um segmento particularmente difícil. A diretora conseguiu pontuar o drama sem cair no clichê ou exagerar na dose, tentando fazer o público chorar a todo custo. Entregou um filme mais contido, que não deixa de ser tocante ou revoltante, dependendo do momento, e ainda verossímil nas atitudes dos personagens e desenvolvimento de situações. Mesmo já sabendo como o filme acabará, a experiência não sai prejudicada, pecando apenas por dois vícios de cinebiografias hollywoodianas que o filme poderia ter evitado. Uma delas é a insistência em marcar datas e eventos na tela em forma de relatórios do FBI, algo que fica redundante uma vez que já repetiram várias vezes que o grupo de King é monitorado. A segunda é mostrar imagens reais antes do filme acabar, o que felizmente só acontece uma vez e rápido.

Selma: Uma Luta Pela Igualdade

Finalizando, Selma: Uma Luta Pela Igualdade pode ter a vantagem de trabalhar com um tema que prega para uma plateia convertida, mas passa bem longe de ser apenas uma apelação destinada à caça de prêmios, como o superestimado 12 Anos de Escravidão. Mostrou a que veio, surpreendeu e esperamos que a indústria aprenda com ele, fazendo com que a antipatia de algumas pessoas por esse tipo de produção diminua. A minha já diminuiu, com certeza.

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