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Quando as Luzes se Apagam – O curta é melhor!

Quando as Luzes se Apagam

Em 2013, David F. Sandberg lançou um curta-metragem que chamou atenção dos fãs de terror. Lights Out, com menos de três minutos de duração, é bem sucedido na proposta de assustar e se mantém na memória do espectador depois que termina. Caso você ainda não o tenha visto, no final desta crítica, após o trailer, o vídeo está disponível. Não demorou  para Hollywood crescer o olho para cima de Sandberg, também responsável pelo roteiro da sua narrativa curtíssima, o que nos traz ao que realmente interessa: a versão em longa-metragem do curta que o projetou, que ganhou o título nacional Quando as Luzes se Apagam, contando com seu próprio diretor original, agora com roteiro de Eric Heisserer.

Vamos pela lógica. Temos um fio narrativo mínimo, funcionando em cima de algo que não precisa ser explicado ou justificado, fundamentando-se no medo do escuro comum ao ser humano. Perfeito, mas aí alguém tem a trágica ideia de transformar isso em um longa, o que implica em algum tipo de explicação, já que estamos falando de cinema comercial. Não é impossível resolver o problema, desde que o estúdio não seja pão duro e chame um bom roteirista para desenvolver uma história de verdade a partir de uma simples situação assustadora. Bem, Eric Heisserer tem como créditos anteriores os remakes de A Hora do Pesadelo e O Enigma de Outro Mundo, além de Premonição 5, o que já mostra houve economia nesta contratação.

Quando as Luzes se Apagam

Quando as Luzes se Apagam segue Rebecca (Teresa Palmer), que leva uma vida irresponsável longe da casa da mãe, Sophie (Maria Bello), e vive um relacionamento complicado e relutante com Bret (Alexander Di Persia). Os problemas mentais de Sophie agora perturbam seu filho mais novo, Martin (Gabriel Bateman), cada vez mais preocupado e assustado com os diálogos da mãe com alguém chamada Diana, que só ela vê, mas é percebida em vislumbres por ele.  Só resta pedir ajuda à sua afastada meia-irmã.

Claro que Diana não é apenas um delírio, história que o filme mastigará para o espectador até o final. O pano de fundo para esse relacionamento bizarro entre Sophie e Diana não é pior do conjunto e seria spoiler revelar mais sobre isso, além dos poderes e fraquezas de Diana. Só é possível adiantar que se trata de uma entidade que se manifesta apenas no escuro. Agora, se você ainda não viu o curta, recomendo que o veja agora no fim da página e depois volte ao texto.

Quando as Luzes se Apagam

Considerando que você já o viu, agora é possível explicar um dos problemas deste que é o primeiro longa-metragem de Sandberg. O recurso da luz que apaga e acende, mostrando Diana cada vez mais próxima de sua vítima, é tão utilizado que vai diminuindo seu impacto, que já não é grande coisa para quem conhece o curta. Mesmo que você tenha resolvido seguir lendo este texto sem ver o Lights Out original, talvez confiando que a experiência cinematográfica pode ser melhor por isso, acho que, mesmo assim, foi possível deixar claro um ponto de vista. Existe uma insistência do filme em (tentar) assustar o público com a mesma coisa o tempo todo.

Não apenas isso.  Se Sandberg era uma promessa com seu curta, aqui ele se mostra um cineasta acomodado com o que existe de mais comum em um gênero que – há tempos  – sofre com produções a toque de caixa. O filme também martela jump scares, aqueles momentos em que se pretende que o público se assuste com algo abrupto, que nunca funcionam, já que isso é telegrafado pela trilha sonora que aumenta, sem muita preocupação em criar um clima. Lembrando que esse tipo de recurso já mostra como os próprios realizadores não tem uma ambição além do descartável, pois um jump scare só funciona quando assistimos ao filme pela primeira vez, evidentemente.

Quando as Luzes se Apagam

Não cabe culpar o diretor pelo visual clichê das sombras pesadas, já que isso faz parte da premissa, mas não existe nenhuma tentativa do trabalho de câmera ou da fotografia de fazer algum uso narrativo inteligente disso. O roteiro de Heisserer também não é dos mais inpirados, já que Bret só está ali para esfregar na cara do público que Rebecca não está nem aí com nada e, claro, mais perto do final mostrar que o coração da moça não era de pedra.

Ainda que não se destaque em seu gênero, Quando as Luzes se Apagam pode até divertir um pouco. Claro, não vai assustar ninguém, mas alguns momentos de interação entre Rebecca e Martin, quando o perigo cresce, provocam risos. A resolução do caso – a cena, não o conceito – é como se ouvíssemos Sandberg gritando “Eu desisto”, já que é tão forçado que parece vindo de outro filme, o que também chega a ser engraçado. Conta a seu favor a duração de 81 minutos, que evita o cansaço do público e consegue criar algum interesse pela revelação da origem de Diana.

Quando as Luzes se Apagam

Lights Out, o curta, poderia ter dado origem a um filme bem melhor. Só precisava de um bom roteiro e de um diretor experiente, como sempre, mas deve garantir uma boa renda ao estúdio, já que foi barato para os padrões hollywoodianos. Como isso é o que importa para eles, tanto faz se o trabalho de Heisserer e Sandberg é esquecido quando as luzes se acendem.

P.S.: O estúdio New Line, responsável por Quando as Luzes se Apagam, faz parte do mesmo conglomerado que a Warner Bros, por isso aproveitaram para fazer um merchandising descarado dos personagens da DC Comics. Só faltou Maria Bello sacar um blu-ray de Batman Vs. Superman quando convida o filho para ver um filme…

Abaixo, o curta-metragem Lights Out:

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  • Adahil Júnior Galdino da Silva

    Olá, Raphael!
    1 – Você quis dizer que o curta é melhor que o filme por quê?
    2 – Deixa eu te contar sobre um filme que tem (eu acho) os mesmos moldes de “Quando as Luzes se Apagam”, chamado “Medo do Escuro” – o filme de 2002, estrelado por Kevin Zegers (“Bud – O Cão Amigo”). Por acaso já viu ele? Depois eu conto o enredo da história pra entender melhor.
    3 – Como a New Line fez parceria com a Warner depois que a PlayArte (que distribuía fmes da New Line nos anos 90 e 2000) rompeu sua parceria?
    Abraços!

    • Fala, Adahil! O curta é melhor justamente por ser um curta (curtíssimo, aliás), onde não há necessidade de explicar ou justificar nada. O recheio da história criada para o longa não convence.
      Não vi o “!Medo do Escuro”, mas sei qual filme é.
      A New Line é uma empresa da Warner. O lance é que eles tinham um acordo de distribuição com a Playarte aqui no Brasil.
      Abraço!