Home > Cinema > Peter Pan – Não acrescenta!

Peter Pan – Não acrescenta!

Peter Pan

O menino que não queria crescer de volta às telas, mas agora retratado em um período anterior à obra clássica. Mais uma “história nunca antes contada” ou “por trás da lenda”, tendência de uma indústria onde, atualmente, criatividade é artigo raro, que não poupa nem contos de fada quando o assunto é reciclagem e dólares. Falando em reaproveitamento, em 1991, Spielberg se encarregou de contar uma história posterior em Hook – A Volta do Capitão Gancho, o que acaba formando uma estranha trilogia não oficial com a versão animada da Disney – ou o ignorado live action de 2003 – junto com esse novo Peter Pan (Pan), nosso assunto aqui.

Peter Pan

Dirigido por Joe Wright (Orgulho & Preconceito, Anna Karenina), com roteiro de Jason Fuchs (A Era do Gelo 4 e Mulher-Maravilha, atualmente em pré-produção), o filme inicia mostrando a chegada do bebê Peter a um orfanato, deixado à porta por sua mãe. Pulando cerca de 11 anos para o futuro, estamos no início da Segunda Guerra e começa a saraivada de clichês que o filme dispara. Os adultos já percebem tudo muito rapidamente e não há surpresa alguma nos 111 minutos de duração, logo, quem vai ao cinema por causa das crianças deve, realmente, pensar apenas na diversão delas, que devem curtir as façanhas do garoto Peter (Levi Miller), infernizando a freira malvada e corrupta que dirige o local, além de tudo mais que vem depois.

Peter Pan

Em seguida, Peter e outros meninos são raptados por piratas que os levam para a Terra do Nunca. Ali, são obrigados a minerar para o líder deles, Barba Negra (Hugh Jackman), que é apresentado na única cena que surpreende, mas apenas pela canção escolhida. Na vida de escravo, ele conhece um adulto cativo, James Gancho (Garrett Hedlund). Forma-se uma aliança e um princípio de amizade entre os dois, enquanto Barba Negra especula se o menino é o escolhido de uma profecia, envolvendo uma tribo da floresta, fadas e por aí vai. Mais clichês, com uma jornada do herói deveras óbvia – lembrando Matrix – e mais nada.

Peter Pan

Hugh Jackman está interessante na caracterização e na interpretação, de longe é o melhor do filme, mas Joe Wright procura sustentar a narrativa apenas no visual, investindo em muitas cenas com objetos ou pessoas lançados em direção à câmera, por causa do 3D, evidentemente. O desenho de produção de Aline Bonetto, de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain e o mais recente Uma Viagem Extraordinária, destaca o ambiente dos piratas, muito mais bacana do que o do povo da floresta. Isso até alivia, um pouco, o roteiro pré-fabricado de Jason Fuchs, mas não chega a salvar o conjunto. Sobre a canção surpresa citada anteriormente, existe outro momento do tipo, mas a má notícia é que ambos estão jogados no filme, sem contexto algum.

Peter Pan

Mais uma fórmula requentada, que parece inaugurar uma trilogia de origem para o personagem. Assistir a este Peter Pan é como ver a reprise de um jogo que você ouviu antes no rádio, algo que não dá a mínima esperança de reviravolta. No fim das contas, é a gurizada mesmo o alvo desta produção, mostrando que o estúdio não se preocupou muito com quem realmente paga o ingresso. Difícil não suspirar, pensando na Pixar e sua filosofia diametralmente oposta.

Já leu essas?
Crítica de Não Devore Meu Coração
Não Devore Meu Coração – Experiência fascinante!
Crítica de A Vilã
A Vilã – Uma vida de muita violência!
Crítica de Uma Razão Para Viver
Uma Razão Para Viver – Estreia frustrada de Andy Serkis na direção!
Crítica de Liga da Justiça
Liga da Justiça – Joss Whedon é o membro mais valioso da equipe!