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Na Próxima, Acerto no Coração – Grata surpresa!

Na Próxima, Acerto no Coração

Devo confessar que ao entrar na sala de cinema para assistir à Na Próxima, Acerto no Coração (La Prochaine Fois Jê Viserai Le Coeur), não sabia sobre o que era o filme, ou tinha qualquer informação de algum aspecto técnico. O espectador desavisado pode, pelo título, intuir algum produto estilo “sessão da tarde”, imaginando uma TV ligada e a chamada anunciando: “Um solteirão azarado no amor faz de tudo para encontrar a felicidade! Não perca; Na Próxima, Acerto no Coração!”

Seria um tremendo engano!

Na Próxima, Acerto no Coração

O filme – baseado em fatos – ambientado no final da década de 1970, nos mostra como uma onda de crimes violentos cometidos contra jovens mulheres aterrorizava os moradores de Oise, na França. Franck (Guillaume Canet), um jovem policial que leva uma vida aparentemente pacata, é um dos encarregados de tomar conta do caso. O que ninguém desconfia é que ele próprio é o assasino que todos estão procurando.Sim, para minha surpresa imediata, estava diante de um thriller. Obviamente não perfeito, mas dos que fazem jus à belíssima história do cinema francês.

Na Próxima, Acerto no Coração

Cédric Anger – diretor e roteirista – mostra extrema habilidade com a câmera, sabendo exatamente que enquadramentos usar e em quais momentos. Nas cenas que se passam dentro de carros, por exemplo, o diretor opta por usar planos sempre mais fechados, sejam eles em qualquer parte dos personagens. Isso exalta a tensão dos momentos, tanto que outro artifício usado para o mesmo objetivo é a música. Sempre inserida nos momentos e na tonalidade certa, a construção dos momentos de insegurança e medo dos personagens é gradativa e certeira. O roteiro é extremamente eficaz, buscando elementos como rimas visuais (exemplo: primeiro e último plano) e perseguições interessantes (uma em especial nos faz realmente temer pela segurança do protagonista). Talvez o ponto falho aqui seja não ter explorado melhor uma ideia implantada pelo personagem principal, deixando um gosto de “quero mais”.

Na Próxima, Acerto no Coração

Do ponto de vista de criação de personagem, vemos em Franck uma complexidade digna de vilões realmente interessantes. Cheio de contradições, não só por ser policial e assassino, mas sim por – como ele mesmo diz – odiar a humanidade, e ao mesmo tempo amar seu irmão mais novo; sentir completa repulsa das jovens moças, assassinando-as a sangue frio; e ao mesmo tempo buscar na bela e ingênua Sophie (Ana Girardot) um refúgio, e talvez uma cura para suas atrocidades, e vendo-se incapaz de consegui-lo, flagela-se como forma de punição.

Na Próxima, Acerto no Coração

É claro que não haveria uma construção de personagem tão bacana se não houvesse uma grande atuação. Canet é brilhante aqui, criando um Franck explosivo, cheio de raiva e angústia dentro de si, mas que faz absolutamente tudo para não revelar-se em público. Giradot entrega uma Sophie que tem muito menos tempo em tela, mas nem por isso faz por menos. Minimalista e conservadora (até certo ponto) em seu jeito de ser, faz com que o espectador torça por ela. O ponto é que o filme parece preguiçoso com esse interesse amoroso do protagonista. Os dois chegam a ter um grau de intimidade em que era necessário um desenvolvimento maior, o que acaba diminuindo a importância da personagem e do trabalho da atriz.

Na Próxima, Acerto no Coração

Outro ponto fraco fica por conta da direção de arte, omissa em boa parte do filme. Como já foi dito, a narrativa acontece no fim da década de 70, mas faltam elementos que caracterizem a época. Claro que não há elementos anacrônicos, mas faltam objetos em cena para reforçar a ambientação, tarefa que ficou apenas a cargo da bela fotografia (que lembra O Silencio dos Inocentes, principalmente nas externas).

Na Próxima, Acerto no Coração

Na Próxima, Acerto no Coração é uma surpresa agradável, um filme que brilha em diversos aspectos, e outros nem tanto, mas que com toda certeza merece ser visto com carinho, pois o saldo final é bem positivo.

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