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MUPPETS 2: PROCURADOS E AMADOS – Os adultos curtem!

Não é incomum que o ato de assistir a um filme com uma criança seja gratificante apenas pela felicidade do pequeno, ainda mais quando isso não acontece na santidade do lar. Com o preço que se paga hoje, mais a baixa qualidade da maioria dos produtos requentados que Hollywood despeja, o programa deixou de ser tão atrativo. Mas sempre aparecem exceções, claro, e se você é um adulto que precisa levar seu filho, sobrinho, irmão mais novo, afilhado, enteado ou não-sei-o-que ao cinema, entre as estreias desta semana você tem algo animador.  Muppets 2: Procurados e Amados é aquele tipo de filme que diverte a criança, mas também traz detalhes que só são percebidos – e apreciados – pelos adultos, principalmente os mais cinéfilos.

Com o diretor James Bobin, do primeiro filme, voltando ao comando, Muppets 2 inicia exatamente do ponto em que o anterior terminou. Se você não o viu, não se preocupe, pois as histórias não tem ligação e após o fantástico número musical do início, tirando um belo sarro da mania hollywoodiana de continuações, esquece-se facilmente que se trata de uma sequencia. Sim, é um musical, o que faz com que algumas pessoas torçam o nariz, mas dentro do universo dos Muppets, esse tipo de inserção soa tão natural e engraçada que qualquer pessoa que buscar uma comédia leve, porém esperta, não vai decepcionar-se. A história coloca toda a turma sendo enrolada por um bandido, Dominic Badguy – Ricky Gervais, sempre ótimo – disfarçado de empresário que tenta convencer o grupo a excursionar pela Europa. O sapo Kermit, pressionado pelos outros, aceita, mas tudo é parte de um plano para substituí-lo por seu chefe, Constantine, o sapo mais perigoso do mundo, que é seu sósia exceto por uma pinta no rosto. Enquanto Kermit cumpre pena em um prisão russa no lugar de Constantine, os Muppets saem em turnê sem desconfiar que os shows são usados como fachada para roubos.

Pronto! Está montado o cenário para uma deliciosa sucessão de piadas, contando com uma avalanche de participações divertidíssimas de atores conhecidos e outros famosos, algo que vai manter o cinéfilo atento minuto a minuto, tentando pescar todas as referências. Entre os papéis maiores, os comediantes Ty Burrel (o Phil de Modern Family) como um policial francês e Tina Fey (30 Rock) como a diretora do presídio, capricham nos sotaques caricatos e situações nonsense, onde tudo funciona apenas como deixa para a próxima tirada. E o que dizer de Ray Liotta e Danny Trejo brincando com as caracterizações-clichê de prisioneiros durões e malvados? Sobre os momentos em que só há Muppets em cena, a peteca não cai e diversão continua com aquele humor ingênuo, mas nem por isso chato. Os fantoches são quase uma unanimidade em matéria de apelo, então, o filme só não é recomendável se você faz parte de uma minoria que não gosta deles, ou se –mais improvável ainda – nunca ouviu falar.

Com todos esses pontos bacanas, a única pisada na bola é a duração do filme. Tudo bem que não é nada que estrague no final, mas 107 minutos é algo que pesa para este tipo de produção, o que acaba percebido pelo público no último terço da projeção. Evidentemente, não é por isso que você vai deixar de ver Hollywood auto-parodiada, permitindo-se rir de si mesma, não? Ainda que no final, tudo seja uma estratégia para vender mais ingressos, o que vale é a sagacidade de quem produz um filme que agrada as crianças pelo atrativo do seu humor visual, mas não esquece de quem realmente paga para entrar. Se puderem continuar assim, a gente agradece.

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    • Daniel Fontana

      Vai que é chapa-quente, rapaz!