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Mistress America – Natural e simpático!

Mistress America

Mistress America

Por mais que as peças publicitárias, dentro e fora dos cinemas, acabem se restringindo a blockbusters e/ou atores e atrizes no auge de sua fama, produções menores e que, a princípio, não chamam muito público também conseguem seu pequeno espaço. E é justamente nas menores obras que conseguimos presenciar o verdadeiro cotidiano – nem muito florido e nem muito dramático. Mistress America faz parte desse grupo que lida com histórias simples, agradáveis e sinceras.

Do diretor e roteirista Noah Baumbach (Frances Ha), o filme segue a personagem Tracy (Lola Kirke), uma caloura de faculdade do curso de Literatura, que possui uma vida solitária na grande Nova York. Sua rotina muda a partir do momento em que conhece Brooke (Greta Gerwig), filha de seu futuro padrasto, uma jovem espontânea, extrovertida e cativante. Com dificuldades para escrever um conto de qualidade, Tracy decide usar a vida de Brooke como inspiração para a protagonista de sua nova obra intitulada ”Mistress America”.

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A direção e montagem do filme, aliadas às ótimas e naturais performances das atrizes dão um ritmo leve e bem cadenciado. Sem pesar no drama e se apoiando mais na relação descompromissada entre jovens que logo de cara se dão bem, a narrativa atrai nossa empatia muito facilmente, sem a necessidade de um apelo dramático forte. Dessa forma, o roteiro escrito por Baumbach, em parceria com a própria atriz Greta Gerwig, segue do início ao fim sem picos dramáticos, salve um ou outro acontecimento.

A espontaneidade das relações e dos acontecimentos é o que dá o tom. Com uma estrutura de roteiro bem convencional, a história ganha personalidade e relevância pela simpatia inerente das personagens. Com uma duração de menos de 90 minutos, a obra consegue segurar o expectador na poltrona sem muito esforço, mesmo que a ausência de conflitos mais relevantes possa fazer falta em alguns momentos mais demorados.

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Outro fator que contribui muito é a singela e coerente direção de arte, feita pelo não muito experiente Ashley Fenton. Com figurinos comuns e locações que não saltam aos olhos, a menos que seja relevante à trama, sentimos a normalidade de uma capital e seus habitantes. Tracy e Brooke conseguem se misturar visualmente com muita facilidade em meio as outras pessoas, evidenciando que a história não é sobre pessoas extraordinárias e fora do padrão, mas sobre indivíduos comuns escolhidos pela câmera de maneira totalmente aleatória.

Colaborando com a direção do filme, temos a competente fotografia de Sam Levy, que já trabalhou com Baumbach em Frances Ha. Sem medo de usar o escuro natural dos ambientes, Levy faz com que o expectador se sinta dentro das locações junto com os personagens, sem a artificialidade dos lugares muito iluminados ou com fontes de luz não convencionais.

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O que acaba atrapalhando um pouco é a presença de alguns coadjuvantes caricatos. No começo até são engraçados, entretanto destoam de toda a naturalidade da relação entre as protagonistas, gerando alguns alívios cômicos que – mesmo sendo engraçados e dando um certo charme em determinados momento – não combinam muito com o restante da obra. Essa característica não compromete o conjunto como um todo, mas não deixa de ser algo forçado.

Mistress America é um filme leve, sincero e simpático. Dificilmente vai marcar a vida de alguém, mas facilmente despertará a empatia de muitos, principalmente do público feminino, por se concentrar na relação de duas protagonistas com personalidades fortes, longe da pasteurização tão comum na maior parte das produções de hoje em dia.

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