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Círculo de Fogo – Quebra-quebra em escala épica

Círculo de Fogo traz robôs colossais para defender a terra de uma invasão alienígena, que nada tem a ver com as estrelas, mas com um gigantesco abismo interdimensional no oceano Pacífico, e ainda aproveita para homenagear grandes heróis que povoaram a infância de grande parte do público. O filme é dirigido por Guillermo Del Toro, que também assina o roteiro com Travis Beacham. A história, mesmo com um tema bastante juvenil, mescla o drama humano a um cenário fantasioso, e os realizadores não deixaram de garantir à trama um grau de realismo.

Círculo de Fogo

Círculo de Fogo

No filme, a raça humana não parou devido as invasões dos Kaijus (Monstros gigantes em japonês), pelo contrário, se adaptou a eles, chegando a mostrá-los como seres absorvidos pelo comércio. Existem desde bonequinhos até um interessante mercado negro que lucra com os restos de Kaijus mortos, liderado pelo infame e arrogante Hannibal Chau, interpretado por Ron Pearlman, mais conhecido do público como Hellboy.

A história começa mostrando os horríveis monstros e como eles chegaram à Terra, porém, toda grande ameaça precisa de heróis capazes e corajosos – ou loucos – o suficiente para enfrentá-los. Assim, entram em cena os Jaegers, robôs gigantescos controlados por uma dupla de pilotos, através de uma conexão neural. Del Toro e Beacham criaram batalhas épicas de tirar o fôlego! Os confrontos não ficam a cargo apenas de robôs e monstros, mas também no drama de cada personagem.

Jaeger

Jaeger

O protagonista, Raleigh Becket, é um piloto veterano de Jaeger que retorna à ativa após uma grande tragédia em sua vida. A partir de então, entram em cena vários personagens com dilemas próprios dentro do universo do filme. Intercalando as batalhas, a dinâmica vai além de uma simples história de ação. Mesmo os personagens que garantem a parte do humor são interessantes e nos conquistam! Todos esses elementos somados não deixam o filme perder o ritmo e nem você desgrudar da tela um minuto sequer.

A fotografia do filme também é incrível, trabalhada com uma mescla de cores típicas de um filme de ficção científica, junto com cenários que mostram beleza e tranquilidade, como quando os Jaegers chegam para derrotar os Kaijus, com o típico sol atrás do robôs salvadores da pátria. Até mesmo é possível perceber uma ambientação similar a um videogame, o que enriquece as imagens e tensão das batalhas.

Além disso, é possível notar a semelhança que Círculo de Fogo tem com alguns animes e seriados das antigas. Os Kaijus lembram bem os monstros dos seriados da Família Ultra (porém muito mais perigosos e realistas), resgatando o mundo criado por Eiji Tsuburaya e de outras séries como O Fantástico Jaspion da Toei Company, exibidos entre as décadas de 70 a 80 no Brasil. Os Jaegers, que tanto marcam presença no filme, são semelhantes aos robôs do mangá, também adaptado para anime, Neon Genesis Evangelion, no qual soldados também entravam em máquinas descomunais para defender a humanidade. O filme também dialoga com um anime recente chamado Attack on Titan.

Mesmo com esse pano de fundo, Del Toro não resiste e consegue inserir uma marca pessoal no trabalho. Os Kaijus recebem influência direta das entidades alienígenas criadas por H. P. Lovecraft – escritor de “Call of Cthulhu” (O Chamado de Cthulhu, no Brasil) – com membros brilhantes, dignos de um horrível pesadelo, mas sem perder a verossimilhança com o qual o diretor trabalha. A própria fenda de onde saem os Kaijus é uma referência ao habitat de Cthulhu nas histórias de Lovecraft. O filme garante uma ótima diversão repleta de ação, aventura e fantásticos efeitos especiais, não deixando de ser original e com uma história empolgante. Confira abaixo algumas das semelhanças e o trailer do filme!

Cthulhu, o pesadelo de Lovecraft!

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Um Kaiju Lovecraftiano!

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