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Califórnia – Experiência pessoal!

Califórnia

Mesmo que você não saiba de toda a trajetória da produção de Califórnia, primeira incursão de Marina Person no gênero da ficção, logo de cara fica claro o quanto aquela história é pessoal para a realizadora. O carinho em enquadrar detalhes e pequenos momentos da rotina de Estela (a estreante Clara Gallo, que é a cara de sua diretora) explicita muito bem a relação pessoal que Marina – co roteirista ao lado de Francisco Guarnieri e Mariana Veríssimo – possui com aquele universo. Pudera, já que ela mesma era adolescente nos anos 1980 e, certamente, inspirou-se em muitos momentos de sua própria vivência.

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Estela é uma jovem de 16 anos, ansiosa por uma prometida viagem para a Califórnia, nos EUA, para encontrar-se com seu tio Carlos (Caio Blat), um jornalista musical a quem considera um ídolo. Mantendo uma comunicação com ele através de cartas, ela divide suas dúvidas – o primeiro amor, provas, o futuro -, enquanto ele indica novas bandas, filmes e conta sobre experiências com as quais ela sonha. Seus planos são interrompidos quando Carlos volta inesperadamente para o Brasil, debilitado em virtude da Aids. Nessa mudança de realidade, Estela precisa navegar em um mundo de novas experiências.

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Apesar de ter um enredo ambientado há 3 décadas atrás, não é preciso ter vivido aquela década para se identificar com Califórnia. Marina possui uma mão leve e sensível, mesmo que por vezes tenha a obrigação de contar uma história com começo, meio e fim. Talvez por isso o final dê aquela impressão de “corrido”, com muitas coisas se resolvendo nos derradeiros minutos. Não é incomum termos a sensação de que alguns filmes deveriam ter 5 ou 10 minutos a menos, mas esta produção é uma daquelas que se beneficiaria de alguns momentos a mais. Seus personagens são interessantes, ajudados por elenco jovem que tem boa sintonia, mas não foram poucas as vezes em que desejei que Marina esperasse um pouquinho mais antes de cortar, graças a um desejo particular de passar um pouco mais de tempo com eles.

Califórnia

No entanto, quando ela acerta – e são mais acertos do que erros – consegue dialogar muito bem com um gênero que me parece um pouco esquecido e, creio eu, até carente nas produções nacionais: o filme de adolescente. Não atrapalha também a ajuda de uma trilha sonora incrível, passeando entre Blitz, Titãs, The Cure e David Bowie.

Ainda que sem grandes arroubos de originalidade, a produção ganha pela sinceridade e carinho com que trata seus temas, qualidade que vazam da tela e ajudam a ganhar o espectador. Marina estreou no cinema com Person, documentário de 2007 sobre seu pai, o também direito Luís Sérgio Person (do clássico São Paulo S/A), e precisou rever sua própria relação com ele para a produção. Com Califórnia ela olha para suas próprias experiências e consegue externar isso muito bem nas telas.

Para onde irá seu olhar no próximo trabalho? Aguardemos…

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