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Boneco do Mal – Sem novidades!

Boneco do Mal

Nos últimos anos, o gênero terror tem vivido uma revitalização, com ótimos títulos que vem inovando, conquistando grandes bilheterias e até mesmo fazendo sucesso em festivais de prestígio. Com orçamentos relativamente baixos e boas perspectivas comerciais, os estúdios perceberam que esse pode ser um segmento bem lucrativo e passaram a investir em mais produções. O lado negativo é que isso acarreta uma série de filmes muito mais preocupados em aproveitar o momento e faturar do que com sua qualidade, que é – infelizmente – o caso deste Boneco do Mal (The Boy), longa dirigido por William Brent Bell. Infestado de clichês, não apresenta quase nenhuma novidade e a impressão que passa é a de um produto genérico, cheio de elementos que já vimos antes.

Boneco do Mal

A trama acompanha Greta (Lauren Cohan), uma americana que viaja até uma bela e remota propriedade inglesa, onde foi contratada para ser babá de um garoto. Ao chegar lá, vai descobrir que ele é na verdade um boneco e seus contratantes são um casal de idosos que agem como se aquilo fosse um menino real, ou seja, o filho que eles perderam há muitos anos. No começo, é claro, Greta acha que é uma piada, mas ao perceber que não é, pensa em ir embora. Porém, ela também está fugindo de um passado traumático e precisa tanto do dinheiro quanto do isolamento que aquela situação lhe proporciona, portanto, decide ficar. Evidentemente, alguns eventos sinistros e inexplicáveis começam a acontecer, levando a garota a acreditar que o boneco pode estar, de fato, vivo.

Boneco do Mal

A premissa bizarra, ao menos, prende nossa atenção, pois queremos descobrir o que está acontecendo e o que vem a seguir. É uma pena que a execução seja tão pobre de novas ideias e tenha que apelar para as fórmulas de sempre. Uma bela moça sozinha numa mansão antiga e isolada. Um passado trágico envolvendo crianças e um incêndio. Segredos de família. A única ligação da personagem com o mundo externo é seu interesse romântico. A já tão explorada cena no banheiro, com a moça tomando banho enquanto algo misterioso acontece. Qualquer fã de terror já viu tudo isso antes e quase da mesma maneira.

As áreas técnicas até fazem um esforço. A locação é bela e sombria, como de costume. A direção de fotografia tenta explorar isso ao máximo, no trabalho de luz e sombras, tentando criar uma atmosfera assustadora. Porém, sem um roteiro bem trabalhado – neste caso, escrito pela estreante Stacey Menear – não há o que as áreas visuais possam fazer. O mesmo acontece com a trilha sonora, que está sempre presente, tentando forçar um clima de suspense e tensão no público, falhando em entender que, às vezes, menos é mais e que poderia ser bem mais efetiva se entrasse pontualmente.

Boneco do Mal

O elenco também se esforça. Lauren Cohan usa seu carisma e charme para fazer com que nos importemos com sua personagem, mesmo sem ter muito com o que trabalhar. Ela é, pelo menos, uma presença agradável na tela. Os demais também fazem o que podem, mas há muito pouco a ser feito. Até mesmo o boneco não é tão horripilante e não causa o desconforto que deveria.

Enfim, Boneco do Mal proporciona alguns poucos sustos, mas falha em criar um medo e terror genuínos. Entretém levemente pelo interesse que cria com a premissa e a forma com que mantém o mistério até o final. Porém, a resolução, ainda que até imprevisível, é muito pouco plausível, beirando o absurdo. O desfecho não poderia ser mais apropriado para o filme, já que é genérico e sem personalidade, resumindo bem o espírito da obra.

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