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A MARCA DO MEDO – A falta de criatividade assusta! (Estreia em 10/07/2014)

Terror é aquela coisa… Está cheio de profissionais realizando esse tipo de filme por aí, mas quantos deles realmente se preocupam em bolar algo que realmente tenha potencial para assustar? O que se vê aos montes é a cópia daquilo que foi sucesso recentemente, não importando o risco do público não se assustar e já estar preparado para reviravoltas batidas. Que histórias repetem-se, nós sabemos, mas o gênero padece hoje da preguiça de tentar, pelo menos, disfarçar ou se esforçar para que se traga algum frescor. Encontrar os verdadeiros responsáveis desta crise criativa é um enigma similar ao do ovo e a galinha, portanto, melhor focar em aspectos técnicos.

O primeiro parágrafo entregou meu mal-estar com este A Marca do Medo (The Quiet Ones) co-produção entre EUA e Reino Unido, dirigido por John Pogue, que só tem mais um crédito anterior como diretor – o descartável Quarentena 2  – não por acaso, continuação de um remake. Co-roteirizado pelo próprio Pogue, com o inexpressivo Craig rosenberg, mais Oren Moverman, o único com alguns filmes interessantes no currículo, tais como Não estou Lá e O Mensageiro (2009), já começou errado por ter três pessoas mexendo no mesmo texto. A história mostra um professor universitário, interpretado pelo ótimo Jared Harris, conduzindo experimentos controversos para curar Jane (Olivia Cooke), uma garota mentalmente instável, cujas manifestações paranormais são explicadas por ele como energia mental negativa dos traumas. O objetivo é a cura definitiva da insanidade isolando e prendendo essa energia. Sem verba da universidade para continuar a pesquisa, segue por conta própria junto ao seu casal discípulo, Krissi (Erin Richards) e Harry (Rory Fleck-Byrne), mais o relutante e semi-religioso Brian (Sam Claflin), recrutado há pouco como câmera. A partir daí, vem todo tipo de comportamento doentio de Jane, regado a acontecimentos bizarros a lá Poltergeist, e a equipe segue firme, porém, o professor Coupland– Que surpresa! – mostra-se cada vez mais obcecado em curar a menina, ignorando a segurança de todos.

O Prof. Joseph Coupland e sua paciente Jane.

O Prof. Joseph Coupland e sua paciente Jane.

Com sutileza zero na criação do suspense, Pogue investe, sem muita vergonha na cara, naquele tipo de situação em que você fareja a tentativa do susto bem antes de acontecer. Convenhamos que é mais difícil fazer o público, acostumado a isso, pular da poltrona hoje em dia, mas o diretor tentou, tentou, tentou e… tentou! Ainda que o filme se beneficie de uma fotografia interessante – mesmo que também insista nos planos subjetivos da câmera de Brian, algo que fatalmente remete a outros filmes recentes , como REC – e daquele clima britânico bacana para produções de suspense ou terror, esses acessórios não são valorizados ou explorados pela direção, satisfeita em entregar um pastiche que faz o espectador ter dificuldade em lembrar o nome do filme. É uma pena ver Jared Harris, que roubou a cena como Moriarty em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras, se esforçar por nada. Ainda que o ator esteja muito convincente no papel do mentor perturbado da experiência, ele está deslocado no meio de um elenco sem muita expressão, a serviço de um roteiro e cineasta idem.

Brian, o elo fraco do grupo!

Brian, o elo fraco do grupo!

O terceiro ato de A Marca Do Medo extrapola, continuando a busca pela identificação de algo que o público já tenha visto recentemente no gênero. A história consegue descambar ladeira abaixo de vez, entre os furos e as previsíveis reviravoltas. Lá pela metade já era evidente que não melhoraria, mas se há alguma surpresa real é como ele consegue piorar no momento de amarrar as pontas. Tudo isso ainda vem naquela embalagem de “baseado em um evento real”, que só convence alguém muito pouco versado no significado do verbo “basear”. Estrago feito e é curioso procurar informações sobre o sucesso financeiro do filme. Tanto Imdb como boxofficemojo trazem os números de arrecadação, mas não de custo. Caso seja parte de um esquema de lavagem de dinheiro, se um dia for revelado, será apenas mais um detalhe que não vai assustar, nem surpreender, ninguém.

P.S.:  Jared Harris continua depreciando sua carreira, pois está no remake de Poltergeist, atualmente em pós-produção.

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