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007 Contra Spectre – Vai levando…

007 Contra Spectre foi comentado no Formiga na Tela!

007 Contra Spectre

James Bond chega ao seu vigésimo quarto filme, ainda como um ícone pop de respeito, ajustando-se aqui e ali às mudanças de paradigma, sejam elas no cenário político mundial ou na própria indústria cinematográfica. Comparando com as fases anteriores de 007 e seus respectivos atores, a verdadeira aposta em algo diferente aconteceu com a entrada de Daniel Craig na franquia, a partir de 2006, fazendo do agente um tipo mais durão, investindo em um pano de fundo mais definido para um personagem que, neste momento, se apresenta psicologicamente mais complexo. Com esse novo Bond, mais a – até então – inédita interligação direta entre os longas desta fase e a contratação de um diretor com estilo próprio, Sam Mendes,a série ganhou mais fôlego em seu penúltimo exemplar. No entanto, chegando ao quarto filme da safra atual, surgem algumas dúvidas pertinentes sobre seu futuro.

007 Contra Spectre

Em 007 Contra Spectre (Spectre), Mendes retorna depois de ter comandado 007: Operação Skyfall, em 2012, prosseguindo com a trama. O espião vai até o México para realizar uma missão misteriosa não autorizada, com ele mesmo alheio aos motivos, mas consciente de que precisa eliminar o italiano Marco Sciarra, evidentemente parte de algum esquema imenso. Assim o filme abre com a tradicional sequencia de ação pré-créditos iniciais. Seguindo a diretriz, encaminhada por alguém a quem Bond deve muito, ele vai descobrindo aos poucos uma conspiração gigantesca, enquanto o MI 6 tenta manter-se em funcionamento, agora subordinado a C (Andrew Scott, o Moriarty de Sherlock, da BBC), que propõe um sistema invasivo de vigilância que torna agentes de campo obsoletos.  Além de tudo isso, a história envolvendo o passado do protagonista continua a se desenrolar, mostrando-se ligada ao plano mestre da organização conhecida como Spectre.

007 Contra Spectre

Dois problemas, um talvez como consequência do outro, atrapalham um pouco o novo filme. O primeiro é o roteiro sem muita imaginação, assinado por John Logan, Neal Purvis e Robert Wade, também responsáveis por Skyfall, que desta vez contaram com um quarto integrante, Jez Butterworth. O outro é a sua duração de 148 minutos, demais para um filme que depende muito (mesmo) de acontecimentos passados nas três outras aventuras com Daniel Craig, perdendo com isso algo de seu componente emocional construído anteriormente. 007 Contra Spectre até procura novamente essa conexão em seu terceiro ato, mas já um pouco tarde, um deslize possivelmente decorrente da quantidade de mãos em cima do mesmo texto. Até mesmo o ótimo vilão, vivido por Christoph Waltz com a competência de sempre, tem seu peso minimizado pela dependência de citar eventos anteriores, além de suas motivações não parecerem uma justificativa lá muito crível para seus atos.

007 Contra Spectre

De qualquer forma, muito do que tornou essa série reconhecível está ali, para o bem ou para o mal. Apesar de Cassino Royale ter indicado uma nova direção para a franquia, parece haver agora uma retomada de alguns conceitos do passado (que podem até desagradar algumas pessoas), além de várias referências que vão chamar atenção dos fãs. Monica Bellucci, em participação rápida, e Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente) embelezam o filme como as bond girls da vez, a última até insinuando uma personagem mais forte, apenas para depois se revelar somente uma donzela frágil e apaixonada. Dave Bautista, mais lembrado como Drax em Guardiões da Galáxia, tem um personagem interessante, já que não é apresentado apenas como um capanga ignorante, embora sua função na trama não vá muito além disso.

007 Contra Spectre

Com tudo isso, o brilho da produção fica mesmo por conta dos aspectos técnicos. Sam Mendes tem um desempenho muito seguro nas cenas de ação – já impressionando no início – e nos momentos que as precedem, com uma decupagem que não se atrapalha com a grandiosidade ou com a correria das sequencias. O tempo dado para o público respirar, entre uma e outra, soma mais pontos positivos. Os efeitos especiais são convincentes, mantendo o espectador no filme, graças a um belo trabalho de Chris Corbould, que esteve nos exemplares anteriores e sabe utilizar efeitos práticos, como já havia provado na trilogia do Batman, de Christopher Nolan.

007 Contra Spectre

Também chama atenção o ótimo trabalho do diretor de fotografia, Hoyte Van Hoytema, investindo muito em cenas com pouca luz e sombras marcadas, além de uma paleta de cores contribuindo para criar um tom geral mais sombrio. 007 Contra Spectre tem um visual que serviria para um filme de espionagem menos aventuresco, contrastando a imagem com sua própria natureza e tornando o conjunto mais interessante. Pudera, já que o suíço trabalhou como fotógrafo em uma produção excepcional de 2011, onde a espionagem não era muito glamorosa: O Espião Que Sabia Demais, de Tomas Alfredson.

007 Contra Spectre

Ao final desta nova aventura, sabendo que Daniel Craig deve voltar ao personagem – pelo menos – mais uma vez, fica a incógnita sobre o que acontecerá com esta encarnação de James Bond. Conhecemos tanto do passado dele e acompanhamos sua escalada dramática, nem sempre eficiente, mas está ali qualquer forma, o que particularmente me faz pensar que, antes da próxima troca de ator, ainda veremos alguma inovação mais radical para a franquia. Se for este o caso, que haja coerência e firmeza na direção escolhida. Por ora, continua um prazer acompanhar as façanhas do espião, embaladas por seu tema clássico, mas elas seriam melhor apreciadas dentro de um roteiro melhor.

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