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Como Se Tornar Um Conquistador – Mediano e desinteressante!

Como (não) Se Tornar Um Conquistador numa sessão da tarde

Um filme com características que fazem dele uma simples transmissão televisiva de fim de tarde, ainda que essa primeira impressão não seja exatamente algo pejorativo a produções fílmicas, em geral. Voltado ao público adolescente (pela classificação PG-13), e com uma história simples e bem vaga, Como Se Tornar Um Conquistador (How To Be a Latin Lover), de Ken Marino, mostra que o senso comum continua sendo usado como fórmula em filmes medianos de comédia. Isso ao mesmo tempo em que o arco dramático do personagem é sustentado por uma premissa desinteressante: o desejo de ser gigolô de uma senhora de idade multimilionária.

 

Crítica de Como Se Tornar Um Conquistador

Como Se Tornar Um Conquistador

De maneira já conhecida e bem superficial, a trama gira em torno da ideia de um protagonista pretensioso que, após ver o grande “investimento” de sua vida dar errado, terá que reconhecer e reobservar o valor das coisas sem valor monetário (família, honestidade e compaixão), para somente depois se recompor e mudar a sua tragédia pessoal, ou pelo menos tentar mudá-la por outro ponto de vista. Dessa forma, os valores familiares de Maximo, interpretado por Eugenio Derbez – ator que repete o seu esforço exagerado em agradar o público reconhecido em Não Aceitamos Devoluções (2013), dirigido, inclusive, por ele – são reconstruídos em meio a diversas situações que tratam a comédia fílmica através do absurdo ou do ridículo na narrativa.

Aliás, uma das falhas do filme pode ser percebida na composição das piadas, exatamente aquilo que deveria ser o melhor na história, pois através de estereótipos clichês, além de alguns personagens que estão presentes apenas para trazer gags forçadas, a trama é focada em visões preconceituosas do senso comum. Algumas bases das piadas são: (1) quem é nerd morre virgem; (2) quem passa dos 40 é velho e desinteressante, a não ser que seja rico; (3) uma mulher que não faz sexo cria “teias de aranha” num “lugar específico”; (4) quanto mais “bombado”, mais estúpida a pessoa é… E assim por diante.

Crítica de Como Se Tornar Um Conquistador

Entretanto, existem algumas ideias que funcionam durante a história sem cair no senso comum. Isso ocorre em momentos particulares nos quais parte do discurso machista do protagonista é reconhecido como algo ultrapassado, ridículo ou imbecil, e é nesse ponto em que o filme cresce, ainda que pouquíssimo, através das personagens Sara (Salma Hayek – de O Conto dos Contos)e Hugo (Raphael Alejandro), respectivamente irmã e sobrinho de Maximo. Diferentemente do protagonista, essas duas personagens não apenas conduzem alguns dos reais momentos cômicos como também aparecem como as únicas interpretações em que observamos mais naturalidade, criando uma interação que agrada pela simplicidade dos atores coadjuvantes, e não pelo carisma forçado, quase falso, do ator principal.

Sendo assim, embora todos os arcos dramáticos sejam conduzidos pelas ações do “gigolô profissional”, desde seus interesses “amorosos” até o seu relacionamento familiar, as piadas em torno de suas questões pessoais são fracas, ganhando um pouco mais de interesse apenas quando os personagens secundários estão envolvidos, o que não é suficiente para deixar a história mais prazerosa de se assistir.

Uma caricatura sem ironia e/ou sarcasmo

A maior falha no filme é a forma como o terceiro ato nos é mostrado, principalmente devido ao seu desfecho, tendo como foco do fraco arco dramático do protagonista a ideia dele se redimir pelos valores sentimentais ligados à família. Mesmo existindo uma tentativa de mostrar Maximo modificando a sua forma de enxergar sua vida e suas escolhas, nos momentos finais ele não apenas é colocado como um herói, fazendo com que a sua irmã e sobrinho consigam realizar seus sonhos através da sua ganância, vista na premissa da história, como também termina sua trajetória no mesmo ponto de partida no qual começa o filme, com modificações de pouco valor.

Crítica de Como Se Tornar Um Conquistador

Temos assim um personagem que permanece oportunista e falso, ainda que tenha passado por experiências que deveriam reformulá-lo, com a única diferença de que, agora, ele se importa com a família, demonstrando que metade do que vimos é descartável, já que não há coerência com aquilo que o filme propõe, diminuindo a sua própria narrativa.

Dessa forma, Como Se Tornar Um Conquistador mostra-se mais como uma sessão da tarde mediana do que como uma comédia a ser assistida com os amigos no cinema, pois embora possua piadas que podem agradar o senso comum, tem uma história desinteressante, que gira em torno de uma motivação fraca e que não leva, exatamente, a uma catarse fílmica. O que mostra um filme superficial e bem generalizado, através de um enredo focado em sua caricatura (estereotipada), daquilo que seu diretor e equipe satirizam como um amante latino.

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