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Cidade Maravilhosa… do Terror – A Mostra Sinistro de Cinema!

A Cidade Maravilhosa também tem seu lado sombrio… Estamos falando de Sinistro, a mostra de cinema de terror nacional

Eu já deveria ter postado isto aqui, mas a procrastinação e o fato de estar envolvido com dois Trabalhos de Conclusão de Curso (sim, eu sou louco e metido o suficiente pra isso) me deixaram aturdido… tanto quanto você vai ficar quando assistir às produções nacionais da Mostra Sinistro, aqui na – apesar de tudo – Cidade Maravilhosa. Se você ficar curioso, cada filme tem o link direto para o seu trailer.

É sábado, no dia 4 de novembro de 2017, e o Studio Contra tem o prazer de apresentar a exposição e mostra de terror nacional Sinistro. De curadoria do artista plástico Jorge Allen (bacharel em Escultura pela EBAUFRJ), o evento mostra que nem só de comédias vive a produção nacional e a outra face – a Tragédia – também dá as caras. “O maior objetivo da mostra é tornar conhecida parte da intensa produção nacional do gênero, que demonstra ter um público fiel tanto na televisão como nos cinemas,” relata.

Festa estranha com gente esquisita e eu tô legal. Depois de me perder em direção à Estrada da Gávea (quase escrevi Estrada da Fúria no Uber) junto ao Fábio Carneiro Leão (Multi-instrumentista responsável pela trilha sonora de Pedaços), me acomodo na plateia para assistir Encosto, do diretor Joel Caetano e da RZP. Em seguida, o intrigante Repolho, de Alexander S. Buck (Finordia Produções) lembra uma antiga propaganda vista do ponto de vista de dentro da geladeira, mas… basta de spoilers.

Ne Pas Projeter, de Cristian Verardi nos mostra a carta O Diabo, do Tarô, de um modo muito mais interessante. Por fim, temos o Mad Max tupiniquim Mesa do Deserto, de Diego Scarparo, também da Fnordia. Erich Eichner, vocalista da banda Maldita e anfitrião do evento, anuncia um breve intervalo. “Nossa intenção é homenagear grandes e pequenos realizadores, que não têm a perspectiva de ver seus trabalhos em grandes circuitos, mas veem filmes de terror estrangeiros sendo campeões de bilheteria no país.”

Entre as obras do precoce Ruan D’ornellas (que começou a pintar aos seis anos de idade) e do folclórico e não menos pitoresco Andrei Yurievitch, me esquivo da foto por trás de meu chapéu panamá, conversando com o produtor Marcelo Gusmão, que me passa o release do evento. “O sucesso absoluto de séries com The Walking Dead e The American Horror Story entre as 20 mais assistidas da TV paga mostram quão forte é o gênero,” afirma.

Admirando o Baphomet na versão xilogravura da ilustradora Verônica Bechara, troco ideia com Victor Bezerra (ilustrador que também participa do casting de Pedaços como escultor adicional) e parto pros drinks com o maquiador Dan Caliban, que me fala de seu blogue, Protocolos Marvel, sob a trilha sonora de Marilyn Manson enquanto aguardo a próxima sessão que começa dentro de três tragos de cigarro.

A Black Vomit nos traz uma versão brasileira do Bebê de Rosemary em Embaraço, de Fernando Rick. Joel Caetano ataca mais uma vez em Judas e Revelações de um Cineasta Canibal, de Rodrigo Aragão, chega a lembrar a versão bootleg de Venon em Truth in Journalism, de Adi Shankar.

cidade maravilhosa

Pedaços!

O melhor filme da noite é, sem dúvida, Pedaços, de Pedro Punk e Erich Eichner. Diferentemente das outras obras apresentadas, o curta não recorre a brasilidades, sem perder a identidade nacional e poderia muito bem ser enquadrado na nova categoria “pós-horror,” embora essa nomenclatura seja duvidosa e muitos a considerem pura invencionice. O termo foi cunhado pelo jornalista Steve Rose, do The Guardian para definir a nova safra de filmes como A Bruxa e Os Olhos de Minha Mãe.

O cinema nacional de terror ainda carrega uma herança nefasta da pornochanchada, que para muitos é um marco no cinema nacional, embora não passe de um pastiche dos exploitations setentistas. Ainda não matamos ninguém de susto, mas estamos no caminho. Como diria Marilyn Manson, “It’s a long hard road out of hell.

Colaborou com a reportagem, Marcelo Gusmão (binômio.imprensa@gmail.com)

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