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Ao Cair Da Noite – Promete muito mais do que cumpre!

Ao Cair da Noite é a nova aposta da produtora A24

A companhia norte americana A24, fundada em 2012, está se firmando como uma das mais poderosas produtoras de filmes independentes. O crescimento é tão acachapante que o seu mais recente sucesso foi o oscarizado Moonlight: Sob a Luz do Luar. Além de dramas, um dos tipos de filme que mais tem atraído a atenção dos seus donos são os de suspense/terror com uma levada mais “artística”, isto é, obras que não seguem a fórmula hollywoodiana. O primeiro grande acerto veio com o longa A Bruxa, lançado no ano passado e comentado em um FormigaCast. Atualmente, a aposta está sendo feita em cima de Ao Cair Da Noite (It Comes At Night). Porém, a qualidade que separa um filme do outro é gigantesca.

Crítica de Ao Cair da Noite

Ao Cair da Noite

Escrito e dirigido por Trey Edward Shults (este é o segundo longa metragem do cineasta), o filme tem início quando Paul (Joel Edgerton, de Aliança do Crime), Sarah (Karmen Ejogo) e Travis (Kevin Harrison Jr.), pai, mãe e filho, respectivamente, se despedem do pai de Sarah (David Pendleton) e o enterram numa floresta. Vivendo numa espécie de mundo pós-apocalíptico, no qual uma doença misteriosa está dizimando as pessoas, eles se trancafiam dentro da própria casa e só saem quando é estritamente necessário. No entanto, a paz começa a ser perturbada quando surge o misterioso Will (Christopher Abbott).

O maior mérito de Ao Cair Da Noite reside no fato de que Shults e a sua equipe investem muito mais em uma atmosfera sufocante do que em sustos vazios. A fotografia naturalista de Drew Daniels, que é feita inteiramente a partir de iluminação natural e das lâmpadas incandescentes usadas pelos próprios personagens durante as cenas, e a montagem compassada de Matthew Hannam (Shults também é co-montador) são inquietantes e deixam o espectador ansioso pelo desenrolar da trama. Ao longo da projeção, a sensação gerada é a de que estamos acompanhando uma grande história de suspense.

Crítica de Ao Cair da Noite

Por isso, é uma pena que, uma vez terminada a sessão, a partir do momento em que o espectador começar a reconstruir o filme na sua cabeça, ele verá que, embora enervante, a experiência de assisti-lo é intelectualmente vazia. E isso se dá, principalmente, pelas decisões tomadas por Shults enquanto roteirista. É claro que algumas das suas escolhas como diretor incomodam durante a própria exibição do filme, como, por exemplo, as constantes sequências de pesadelo, que, além de serem repetitivas, têm um caráter genérico que não combina com o tom do restante do filme. É sabido que elas são importantes para o desenrolar da trama, mas poderiam ter sido muito melhor trabalhadas.

O fraco roteiro de Shults

No entanto, é mesmo no roteiro que se encontram os maiores erros do filme. A narrativa é apressada, incompleta e indecisa sobre qual caminho seguir. Na ânsia de preencher a sua história com um conteúdo mais reflexivo, o diretor concebeu uma série de acontecimentos que são somente sugeridos e nunca explorados (um possível ciúme de Paul e a atração sexual de Travis), e, na pretensão de discutir temas importantes como a vida em sociedade (dentro de um ambiente doméstico), ele se contentou em estabelecer as interações dos personagens (em certo momento, novas pessoas passam a morar na casa do protagonista) numa elipse ordinária, explorando seus conflitos apenas no terceiro ato e de uma maneira ligeira e insatisfatória (até o plano final recebe um corte antes do tempo).

Crítica de Ao Cair da Noite

 

Assim, o que pode dar a impressão de uma ambiguidade proposital acaba se revelando como uma mera indecisão. Não é que o filme possibilita diferentes interpretações, na verdade, ele é simplesmente incompleto. Quis ser muita coisa e não foi quase nada. As atuações intensas do talentoso elenco e a atmosfera sufocante até conseguem prender a atenção do espectador, mas não são suficientes para compensar os problemas estruturais e narrativos do roteiro. No fim, a conclusão a que chegamos é de que, para se aproveitar do sucesso obtido por A Bruxa, os presidentes da A24 terão de entregar filmes bem melhores que este fraco Ao Cair Da Noite.

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