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Antes Que Eu Vá – Um Feitiço do Tempo adolescente!

Antes Que Eu Vá e a adolescência

Depois do lançamento da série 13 Reasons Why, o suicídio e o bullying são os temas do momento. Antes Que Eu Vá (Before I Fall) é muito recente para poder dizer que se aproveita do sucesso estrondoso do programa da Netflix para encontrar o seu espaço entre os jovens. Porém, a tendência é de que agora em diante surjam cada vez mais filmes e séries de televisão abordando a adolescência e os males sociais e psicológicos que a acompanham. Só espero que essas possíveis novas produções não sejam tão irregulares quanto este novo longa da diretora americana Ry Russo-Young.

Confira a crítica de Antes Que Eu Vá

Antes Que Eu Vá

Baseado no romance homônimo de Lauren Oliver e adaptado por Maria Maggenti, o roteiro do longa se concentra na protagonista Samantha Kingston (Zoey Deutch, de Tinha Que Ser Ele? Jovens, Loucos e Mais Rebeldes). Bonita, alegre e popular, ela tem tudo o que uma menina da sua idade deseja: amigas fiéis, o namorado mais desejado da escola e uma vida social ativa. No entanto, tudo isso acaba abruptamente na noite em que sofre um acidente de carro e falece. Só que, para a sua surpresa, ela acorda no dia seguinte e descobre que está revivendo em looping o dia de sua morte. Não sabendo por que isso está acontecendo, ela tenta ir atrás de respostas.

Uma espécie de Feitiço do Tempo adolescente, Antes Que Eu Vá tem a curiosidade de lançar um olhar sobre o tema do bullying não da perspectiva da vítima, como era de se esperar, e sim de quem o comete. Entretanto, isso não quer dizer que a protagonista do filme é uma garota fria e indiferente aos sentimentos alheios. Como a maioria das pessoas que enfrentam essa difícil fase da vida, ela é influenciável e baseia o seu comportamento na forma como as amigas e as pessoas “descoladas” agem. Diferentemente de outros filmes que abordam os mesmos temas, este longa entende que não é na juventude que a personalidade de um indivíduo já está completamente formada.

Aliás, um dos maiores méritos do filme é a compreensão dos elementos que constituem a vida na adolescência. É interessante perceber como o roteiro vai construindo a maioria dos personagens de uma maneira estereotipada (as típicas imagens da garota popular ou da introvertida, que é ostracizada), para, posteriormente, através de momentos de vulnerabilidade, mostrar que por trás da máscara existem pessoas reais, que carregam traumas do passado ou sofrem com sentimentos de insegurança, além de compartilharem uma vontade incomensurável de serem aceitas pelas pessoas ao redor.

Confira a crítica de Antes Que Eu Vá

Quem também mostra compreender o universo adolescente e, principalmente, o universo feminino, é Ry Russo Young. Como a narrativa é centrada em um grupo de quatro garotas, era essencial que existisse química entre as atrizes principais e estas fossem filmadas de uma maneira que tanto a inocência quanto a sexualidade latente fossem evidentes para o espectador. Felizmente, a diretora é muito bem sucedida na tarefa. A dinâmica entre as personagens é palpável e toda a beleza e juventude das atrizes é capturada pelas lentes de Young. Além disso, a cineasta tem a ajuda da trilha sonora de Adam Taylor, que embala o filme com toda a leveza que acompanham as promessas de vidas que estão prestes a começar.

Um outro elemento que merece ser destacado é a fotografia de Michael Fimognari. Se aproveitando da experiência adquirida durante os filmes de terror que fez na carreira, o cinematógrafo, juntamente com a direção de arte e o figurino, investe em uma paleta de tons escuros e azulados, que casam perfeitamente com as paisagens frias e nevadas do filme. Inclusive, vale ressaltar a forma como ele enquadra as personagens e o carro no qual elas se locomovem em primeiro plano enquanto, ao fundo, estão as tristes montanhas e árvores da cidade. Visualmente, isso serve para mostrar que, por atrás da juventude e beleza dessas garotas, há temores e mágoas profundas.

As irregularidades de Antes Que Eu Vá

No entanto, se o filme tem todos esses méritos, o roteiro, para se sustentar durante 98 minutos, comete alguns erros que são difíceis de aceitar. O primeiro deles diz respeito ao looping do qual a protagonista não consegue sair. No início, ela não entende o que está acontecendo. Depois, ao notar que algumas coisas mudam de um dia para o outro, ela percebe que, talvez, se alterar a natureza de alguns acontecimentos, no final do dia, ela não morrerá. Porém, já no começo, fica evidente para o espectador e para ela o que tem de ser feito. O problema é que para não terminar o filme com 30 minutos de duração, a roteirista precisa estender a narrativa e exigir que aceitemos a burrice da protagonista, que não consegue enxergar aquilo que é óbvio.

Confira a crítica de Antes Que Eu Vá

Assim, ela não só subestima a nossa inteligência, como preenche a narrativa com momentos vergonhosos, como aquele em que, frustrada com as tentativas fracassadas de impedir a sua morte, a protagonista decide colocar um vestido preto decotado e fazer tudo o que não costuma realizar normalmente (mais uma vez, a influência de Feitiço do Tempo dá as caras). Para piorar, a roteirista também pesa a mão nas lições de moral (toda a narração em off usada no longa é descartável), na melosidade de algumas cenas e no terceiro ato, quando a vontade de Maggenti de unir todas as pontas em único nó pede que o espectador aceite uma série de coincidências cronológicas inverossímeis.

No fim, esses exageros e equívocos acabam transformando Antes Que Eu Vá em um filme muito irregular. A sensibilidade dos realizadores em determinados momentos, a maneira sutil com que o universo adolescente é tratado, a dinâmica do grupo de atrizes principais e certos elementos visuais e sonoros garantem o sucesso parcial do longa. No entanto, não é fácil aceitar algumas imposições e excessos da roteirista. Acima de tudo, é difícil comprar a ideia de que o longa se estende somente pela incapacidade da protagonista de enxergar o óbvio. Se o tema do bullying realmente se transformar no principal tópico da atualidade, a esperança é a de que surjam filmes mais regulares que este.

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