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A Música Nunca Parou não nega o forte lado emotivo, mas tem trilha sonora de primeira. Arrisca?

Em circuito restrito nos cinemas, esta semana tivemos a estreia, um pouco tardia, de A Música Nunca Parou. O termo “um pouco tardia” é uma definição bem boazinha e amigável, pois o filme é de 2011. Estamos em 2014, correto?

Independente do atraso considerável, se você der de cara nos cinemas com este filme, saiba que não terá grandes surpresas. A premissa não esconde o gênero drama familiar + doença e o resultado para você será simples: emoção e choradeira. Se assim te agrada, não hesite. Se não, pelo menos da trilha sonora você não poderá reclamar…

Baseado em fatos reais, é um drama que conta o reencontro de um casal com seu filho desaparecido há 15 anos. Ele, com um tumor cerebral que o impossibilita de ter novas memórias, recebe a ajuda dos pais, junto a uma terapeuta, para voltar ao convívio normal. A surpresa é que juntos descobrem que a música pode ser a solução para a sua melhora, principalmente a fase musical da contracultura dos anos 60, seu real interesse.

Pai e filho, conflito de gerações

Pai e filho, conflito de gerações

A grande dificuldade do pai, interpretado por J. K. Simmons (J Jonah Jameson da franquia Homem Aranha de Sam Raimi), é tentar se conectar novamente com o filho, porém, musicalmente seus interesses são opostos. Enquanto o pai ultra conservador tentava “vender” Bing Crosby, o filho estava “comprando” Jimi Hendrix e Janis Joplin.

Deve- se levar em consideração dois pontos, a princípio, antes de criticar ou valorizar o filme. O baixo orçamento evidente e a ausência de atores de primeira linha. Não que seja um elenco ruim, mas um drama como esse parece gritar por uma atuação de peso, pelo envolvimento emocional que cria, mas isso não acontece. O filme também peca em alguns momentos por tentar ser exageradamente sentimental e os alívios cômicos (sim, existem e ajudam a não descambar a história para um dramalhão) poderiam ter sido melhor trabalhados. Quando aparecem, soam ligeiramente forçados.

Ainda assim, nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. O resultado é mediano e talvez funcionará melhor se for assistido diretamente na TV. O núcleo principal, a relação pai e filho de diferentes gerações, parece correta e o diretor consegue emocionar, sem dúvida, porém uma outra qualidade se sobressalta: a trilha sonora. Ouvir Bob Dylan, Rolling Stones, Grateful Dead, Beatles (fase Sgt Peppers e Magical Mystery Tour), entre outros ícones musicais da contracultura, é bem vindo em qualquer momento e melhor ainda se for essencial para a movimentação da trama.

Beatles em sua fase contracultural e psicodélica

Beatles em sua fase contracultural e psicodélica

Mesmo que seja um típico low budget e de certa forma despretensioso, fica uma pergunta… Quanto será que foi gasto com direitos autorais das bandas? Independente da resposta, nesta parte o filme acertou em cheio. Tem muita música boa! Agora, a avaliação geral fica por sua conta após assistir…

 

 

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